Porto Alegre, sábado, 25 de Outubro de 2014

  • 19/04/2014
  • 21:13
  • Atualização: 08:13

Polícia investiga se Bernardo pode ter sido enterrado vivo

Madrasta do menino não teria conferido pulsação, relatou amiga

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  • Agostinho Piovesan / Correio do Povo

A assistente social Edelvânia Wirganovicz disse à polícia de Três Passos, em seu depoimento no dia 14 de abril, que foi colocada soda sobre o corpo do menino Bernardo Boldrini, encontrado morto e enterrado no interior de Frederico Westphalen na segunda-feira passada. De acordo com ela, o menino pode ter sido enterrado ainda vivo. “Kelly (Graciele Ugulini, madrasta de Bernardo) não olhou se o menino tinha pulsação”

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Edelvânia contou à polícia que juntamente com a madrasta praticou o crime e que pediram para o menino deitar sobre uma toalha de banho. “Kelly aplicou na veia do braço esquerdo com uma seringa e ele foi apagando”. Disse, ainda, no depoimento, que depois tiraram a roupa do menino, o colocaram no buraco, sendo que Kelly jogou soda sobre o corpo. No trajeto de Três Passos até Frederico Westphalen, Bernardo ouviu da madrasta a explicação que estavam indo para uma consulta com uma benzedeira e que “ele receberia um piquezinho na veia”.

O fato teria ocorrido em 4 de abril. À tarde, às 16h o crime estava praticado e as duas amigas retornaram para a cidade de Frederico Westphalen, se lavaram no apartamento de Edelvânia. Kelly ainda comprou um televisor numa loja local e retornou a Três Passos, conforme o depoimento. Já Edelvânia ainda levou a sobrinha tomar um picolé e posteriormente foi para sua residência dormir.

Amizade vinha de anos

A amizade de Edelvânia e Graciele vem de vários anos e já teriam morado juntas em Frederico Westphalen, pelo período de dois anos. Os contatos mais próximos foram retomados há dois meses, quando Graciele começou a detalhar o relacionamento que ela tinha com Bernardo que se a ajudasse “a dar sumiço do menor lhe daria dinheiro e a ajudaria a quitar o apartamento”.

A assistente social afirmou que Kelly tinha plano de dopar o menino e, em seguida, aplicar uma injeção letal. Como a madrasta solicitou um local para “consumir” o corpo, ambas foram no interior de Frederico Westphalen, na Linha São Francisco, e começaram a cavar o buraco com uma enxada. Depois compraram outras ferramentas para concluir a abertura do buraco. Também adquiriram um produto para diluir o corpo – que era a soda. No dia 3, Edelvânia voltou à Linha São Francisco e concluiu o trabalho de abertura do buraco, para, no dia seguinte, colocar o corpo de Bernardo no local. O buraco tinha cerca de 60 centímetros de profundidade.

Mulher já havia recebido R$ 6 mil

À polícia Edelvânia disse que “não teve sangue, apenas da picadinha”. Já as roupas do menino, a seringa e outros materiais foram colocados no lixo. Em relação ao dinheiro que recebeu para participar do crime, Edelvânia disse que no dia 2 recebeu R$ 6 mil.

O dinheiro foi utilizado para pagar uma parcela do apartamento adquirido por R$ 96 mil. Edelvânia receberia R$ 20 mil para participar do “sumiço” de Bernardo. Posteriormente Kelly teria se disposto a pagar o total que faltava para quitar o apartamento, no valor total de R$ 90 mil.

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