Porto Alegre, sábado, 25 de Outubro de 2014

  • 22/04/2014
  • 13:45
  • Atualização: 14:01

Operação do MP cumpre sete mandados de busca e 17 de prisão

Durante as investigações foram presos outros oito indivíduos por tráfico de drogas

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  • Correio do Povo

O Ministério Público (MP) do RS deflagrou na manhã desta terça-feira a operação Praefectus (Prefeito, em latim) com o objetivo de atingir a facção criminosa Os Manos. Sob coordenação da Promotoria Especializada Criminal, a ação cumpriu sete mandados de busca e de outros 17 mandados de prisão em Porto Alegre, Alvorada, Canoas, Nova Santa Rita, Sapucaia do Sul, Capela de Santana, Campo Bom, São Leopoldo, Esteio e Imbé. Dez pessoas foram presas, incluindo duas mulheres que visitariam detentos do Presídio Central. Outro cinco investigados, que receberam os mandados judiciais, são apenados desse estabelecimento prisional. Cerca de 150 policiais militares participaram da ação em apoio ao MP. Houve a apreensão de R$ 35 mil em dinheiro, cerca de 20 quilos de drogas, armas e munições, além de anotações de contabilidade.

Durante as investigações, iniciadas há um ano, foram presos outros oito indivíduos por tráfico de drogas. Uma garota de apenas 13 anos também foi flagrada com 40 quilos de maconha e 11 quilos de cocaína. Ao longo do trabalho investigativo foram apreendidos ainda um fuzil AR-15, comercializado por um apenado, e três veículos de luxo.

Segundo o promotor de Justiça Ricardo Herbstrith, os investigados estão envolvidos em um esquema de extorsão, ameaça, roubo, receptação, tráfico de drogas, homicídio e lavagem de dinheiro. Integrantes da facção recolhidos no Presídio Central davam as ordens. A movimentação financeira ficaria em R$ 70 mil por mês com os “negócios”.

Para o MP, a força da facção está ligada principalmente ao tráfico de drogas, dentro e fora das casas prisionais. Já uma das formas de lavagem de dinheiro do narcotráfico é a aquisição de veículos sinistrados pelos apenados. Automóveis de idêntico modelo eram então roubados e “esquentados” com a documentação dos carros roubados.

Nome da operação

Em latim, Praefectus, nome da operação do MP, significa prefeito, apelido dado aos chefes de galerias do Presídio Central de Porto Alegre. As investigações do MP giraram em torno da liderança dos “prefeitos” das 2ª e 3ª galerias do pavilhão B, controladas pela facção Os Manos que teria em torno de 400 integrantes dentro do estabelecimento prisional. Com a retirada das celas de dentro das galerias do Presídio Central, decorrente da superlotação, os próprios detentos administram o espaço interno, o que facilita a atuação dos grupos criminosos. Conforme o MP, os policiais militares apenas cuidam dos corredores.

Privilégio dos "prefeitos"

O “prefeito”, que exerce a função de líder na galeria, é responsável pelo controle dos conflitos entre os detentos, impondo pela regras, transferindo seus subordinados de uma cela para outra e até sendo porta-voz das reivindicações encaminhadas à direção da casa prisional. Segundo o MP, os apenados criam “suas próprias relações de poder e convivência”. Para o MP, a força da facção está ligada principalmente ao tráfico de drogas, dentro e fora do presídio. Quem controla as galerias, também domina uma região fora do presídio ligada ao tráfico e fornece drogas para os pontos de tráfico administrados pelos integrantes da galeria.

O MP apurou ainda que a contribuição dos integrantes da facção é realizada por meio de depósitos bancários, aquisição de cartões telefônicos, utilização da cantina e exploração do tráfico de drogas no interior das galerias e nas regiões dominadas por integrantes da facção. Os bares adjacentes ao Presídio Central são os que concentram a maior parte dos pagamentos. As investigações revelaram ainda que, nos dias de visitas, pessoas próximas aos apenados realizam o pagamento de valores já especificados para cada apenado nos estabelecimentos comerciais pré-determinados pelos próprios presos.

A prática comum de ingresso prioritário e facilitado das companheiras de apenados que exercem funções de “prefeitos” das galerias, bem como de primeiro e segundo auxiliares, também foi constatada. Nos dias de visitas elas não necessitam aguardar em uma fila de espera para o ingresso, segundo o MP. Ao chegarem, as mulheres desses integrantes da facção se dirigem diretamente ao início da fila e ingressam juntamente com outras visitantes prioritárias, como gestantes e mulheres idosas acima de 70 anos. Esse privilégio acaba sendo amplamente aceito pelos demais detentos e seus familiares.

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