Porto Alegre, sábado, 25 de Outubro de 2014

  • 30/04/2014
  • 16:56
  • Atualização: 19:20

Morte de agricultores em Faxinalzinho são fruto de omissão, diz procurador

Ricardo Gralha Massia pediu celeridade nos processos de demarcação de terra no Norte gaúcho

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  • Lucas Rivas / Rádio Guaíba

O procurador da República Ricardo Gralha Massia não se mostrou surpreso com o confronto entre índios e agricultores que terminou com dois mortos em Faxinalzinho, no Norte do Estado, na noite dessa segunda-feira. Conforme ele, a omissão do Ministério da Justiça em resolver o impasse sobre as demarcações de terra culminou com a morte dos dois agricultores. Massia disse que o fato entristece a comunidade e, apesar de chocar o Ministério Público, não surpreende. Segundo ele, confrontos eram previsíveis e evitáveis e a causa é a “omissão do Ministério da Justiça em apresentar soluções concretas na questão”.

Ricardo Gralha Massia lembrou que o processo de demarcação de terras daquela região tramita há dez anos e está há pelo menos um parado no Ministério da Justiça. O procurador acrescentou que, enquanto não houver uma solução definitiva que possa contemplar índios e agricultores, o conflito vai perdurar no campo, principalmente na parte Norte do Estado. “Enquanto não se resolver a questão de fundo que é: resposta para agricultor e resposta para os indígenas esse clima de conflito, infelizmente, vai perdurar”, declarou.

O procurador da República também desmentiu as informações de que 50% do território gaúcho possa se transformar em terra indígena caso haja uma demarcação profunda e correta de terras no Estado. Devido ao clima de insegurança instalado na cidade, o prefeito de Faxinalzinho, Selso Pelin, decretou situação de calamidade pública. Além da rede de ensino, serviços de saúde e comércio sofreram reflexos pelo conflito. Na última segunda-feira, os irmãos Alcemar de Souza e Anderson morreram depois de tentarem furar um bloqueio formado por índios em uma estrada da cidade.

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