Porto Alegre, domingo, 26 de Outubro de 2014

  • 01/05/2014
  • 16:17
  • Atualização: 16:48

Estrangeiros sofrem retaliação em Casa do Estudante da Capital

Segundo um dos estudantes, diretoria não teria sido eleita de acordo com o estatuto da residência

Segundo um dos estudantes, diretoria não teria sido eleita de acordo com o estatuto da residência | Foto: André Ávila

Segundo um dos estudantes, diretoria não teria sido eleita de acordo com o estatuto da residência | Foto: André Ávila

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Residindo na Casa do Estudante Universitário, localizada na rua Riachuelo, no Centro de Porto Alegre, estrangeiros alegam estar vivendo sob constantes atos de discriminação. A maioria dos episódios, segundo os universitários, estaria envolvendo a atual diretoria, formada pelos próprios estudantes. “Só queremos que aqui impere o princípio da isonomia, da igualdade para todos”, desabafa o graduando em Direito pela PUC, Francisco Ialá, natural de Guiné-Bissau, norte da África.

Francisco está em Porto Alegre há sete anos. Com o passar do tempo, considera que as retaliações aos estrangeiros, que hoje são cerca de 20, só têm aumentado, apesar de que instituições como o Ministério Público e Secretaria Estadual da Justiça e dos Direitos Humanos já teriam sido alertadas sobre os problemas. “Eu não consigo gozar de nenhum espaço da casa. Unicamente do meu quarto”, denuncia Francisco.

Nesta semana, mais um fato de racismo teria ocorrido. Com a chegada de novos estrangeiros, um grupo da casa organizaria um churrasco nesta sexta-feira. No entanto, a iniciativa não teria sido acatada pela diretoria, a qual alegou que o evento teria fins lucrativos. “Em nenhum momento visamos lucro. O valor cobrado seria apenas para custear o churrasco. Os demais moradores da casa já fizeram milhares de festa no salão social, por que nós não podemos fazer?”, questiona o nigeriano Ifekayode Isaac Omoniyi, que decidiu cancelar a confraternização para evitar polêmica.

Francisco também cobra prestação de contas da diretoria que, segundo ele, não teria sido eleita de acordo com o estatuto da residência. “É uma diretoria que quer ser perpétua. Já cobrei várias vezes uma prestação de contas, sem nenhum retorno”, conta. Todos os moradores da casa têm que ajudar a bancar os custos com gás da cozinha, eletricidade e água. Outros episódios como expulsão de estrangeiros, depredação e difamação estão entre as queixas. O presidente da diretoria da casa não foi localizado pela reportagem.

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