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10/05/2014 16:17 - Atualizado em 10/05/2014 16:21

Boko Haram: de seita extremista a grupo armado

De acordo com diplomatas, membros do Boko Haram foram treinados pela Al-Qaeda

De acordo com diplomatas, membros do Boko Haram foram treinados pela Al-Qaeda<br /><b>Crédito: </b> STR / AFP / CP
De acordo com diplomatas, membros do Boko Haram foram treinados pela Al-Qaeda
Crédito: STR / AFP / CP
De acordo com diplomatas, membros do Boko Haram foram treinados pela Al-Qaeda
Crédito: STR / AFP / CP

“A educação ocidental é pecaminosa”, preconiza o grupo extremista Boko Haram. O grupo radical instensificou seus ataques nas últimas semanas na Nigéria e reivindicou o recente sequestro de mais de 200 estudantes, nasceu de uma seita que atraiu a juventude do norte do país com um discurso crítico em relação ao regime nigeriano corrupto.

Pregando um Islã radical e rigoroso, Mohammed Yusuf, o fundador do Boko Haram, que nasceu, de fato, em 2002, quando começou a atrair a atenção das autoridades, acusa os valores ocidentais, instaurados pelos colonizadores britânicos, de serem a fonte todos os males sofridos pelo país.

Também atraiu a juventude de Maiduguri, capital do estado de Borno, com um discurso agressivo contra o governo. De acordo com Mohammed Yusuf, “um Estado laico não pode implementar corretamente a lei islâmica. O objetivo, portanto, é estabelecer uma república islâmica”, segundo o pesquisador francês Marc-Antoine Pérouse de Montclos.

O grupo recruta novos membros principalmente entre os “almajirai”, os estudantes corânicos itinerantes, que não tiveram acesso a uma educação de qualidade. Também recebe apoio de intelectuais que consideram que a educação ocidental corrompe o Islã tradicional.

As pregações de Yusuf na mesquita de Maiduguri começaram a atrair cada vez mais seguidores a partir da década de 1990, de acordo com um recente relatório do International Crisis Group.

Início da violência extremada

Em 2009, eclodiram confrontos entre a Polícia e o Boko Haram em Maiduguri. Em uma grande operação, o Exército matou 700 pessoas e capturou Mohamed Yusuf, que depois foi executado. O movimento passou a agir na ilegalidade. Alguns de seus integrantes fugiram para o exterior. “É neste momento que eles são influenciados por um movimento jihadista internacional que os convence da inutilidade do protesto pacífico”, indica o pesquisador francês Marc-Antoine Pérouse de Montclos.

Os líderes do grupo, então, passaram a um nível superior. Não trata-se apenas de impor a lei islâmica na Nigéria, mas desestabilizar o Estado com uma estratégia terrorista de medo e pânico. Abubakar Shekau, que era o braço direito do líder executado, assumiu o comando. O que se seguiu foi uma escalada da violência contra escolas, igrejas, mesquitas e símbolos do Estado, deixando milhares de mortos. Entre os atos terroristas, está o ataque à sede da ONU que matou 23 pessoas na capital, Abuja, em agosto de 2011. Recentemente, dois ataques atingiram a cidade em menos de três semanas, causando 90 mortes.

Laços no exterior

De acordo com diplomatas, membros do Boko Haram foram treinados pela AQMI (Al-Qaeda no Magrebe Islâmico) no Norte do Mali entre 2012 e 2013. Washington também acredita que existam ligações entre as duas organizações. Além disso, a presença do Boko Haram em Níger, Chade e Camarões não é uma novidade. Mas as ações do Boko Haram, que nunca reivindicou sequestros de estrangeiros, permanecem bastante focadas na Nigéria. A única exceção foi o sequestro da família francesa Moulin-Fournier, em fevereiro de 2013. As vítimas foram libertadas dois meses depois. Em termos de financiamento, o Boko Haram recebe o apoio de fiéis nas mesquitas e organiza assaltos a bancos. Não há evidência de movimentações de recursos do exterior.

A violência que atinge tanto muçulmanos como cristãos aumentou vertiginosamente nos três estados do Nordeste do país desde o estabelecimento do estado de emergência, em maio de 2013, e da brutal ofensiva do Exército, considerado responsável por massacres em aldeias suspeitas de abrigar o Boko Haram. Em resposta, a seita destrói aldeias inteiras suspeitas de colaborar com o Exército.

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Fonte: Correio do Povo






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