Correio do Povo

Porto Alegre, 27 de Agosto de 2014


Porto Alegre
Agora
11ºC
Amanhã
18º


Faça sua Busca


Notícias > Polícia

ImprimirImprimir EnviarEnviar por e-mail Fale com a redaçãoFale com a redação Letra Diminuir letra Aumentar Letra

13/05/2014 11:09 - Atualizado em 13/05/2014 13:01

Entregue inquérito da morte do menino Bernardo em Três Passos

Caminhada com mais de 300 pessoas pediu justiça

Caminhada com mais de 300 pessoas pediu justiça nesta terça-feira
Crédito: Tarsila Pereira

A entrega do relatório do inquérito policial sobre a morte do menino Bernardo, prevista para as 13h30min, foi antecipada para a manhã desta terça-feira no Fórum de Três Passos, no Norte do Estado. Por volta das 10h30min, um agente da Polícia Civil chegou ao local com a documentação. A expectativa é de que quatro pessoas sejam indiciadas pelo crime: o pai de Bernardo, Leandro Boldrini; a madrasta do menino, Graciele Uglini; a amiga do casal, Edelvânia Wirganovicz; e o irmão dela, Evandro Wirganovicz.

• Leia mais sobre o caso Bernardo

O Ministério Público (MP) é o orgão responsável por denunciar os suspeitos se considerar que há indícios de autoria. A estimativa é de que o parecer do MP seja dado até sexta-feira. Se houver denúncia, o inquérito é encaminhado à Justiça. 

Os advogados dos suspeitos também terão acesso ao inquérito. O defensor de Leandro Boldrini, Jader Marques, compareu ao Fórum, mas evitou falar com a imprensa. Ele disse apenas que "esse inquérito já iniciou com desfecho concluído".

Às 14h, a titular da Delegacia de Três Passos, Caroline Bamberg Machado, lerá o relatório no auditório da Unijuí, com capacidade para 450 lugares.



Manifestação em Três Passos


Na manhã desta terça-feira ocorreu uma manifestação pedindo justiça no caso Bernardo pelas ruas de Três Passos. Por volta das 9h30min, cerca de 300 pessoas, entre elas crianças, carregaram cartazes em homenagem ao menino. Moradores e lojistas observaram a passagem do grupo. Além de moradores da cidade, também participaram pessoas de Caxias do Sul, Horizontina e Passo Fundo.

Um carro de som acompanhou a caminhada com palavras de ordem. "Calar a boca nunca mais” e "o povo quer muito mais do que desfile pela paz" foram algumas da frases usadas para chamar a atenção para a causa. A caminhada seguiu da praça Reneu Geraldino Mertz até o Fórum da cidade.

A passeata saiu do fórum por volta das 10h e seguiu até o colégio Ipiranga, onde Bernardo estudava. Das janelas, alunos aplaudiram e conforme a caminhada passou pelas ruas de Três Passos, mais pessoas se juntaram à manifestação.

Por fim, o grupo passou em frente à casa dos Boldrini, que fica a dez minutos a pé do colégio. A Brigada Militar acompanhou por todo o percurso, fechou ruas e parou a única sinaleira da cidade. Em frente à residência de Bernardo, os manifestantes rezaram e colaram cartazes nas grades da casa, junto aos que ali já estavam. No encerramento, participantes se abraçaram em frente à casa e gritam por justiça.

O desaparecimento

O corpo do menino Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, natural de Três Passos, foi encontrado na noite de 14 de abril no interior de Frederico Westphalen, no Norte gaúcho. A criança ficou desaparecida por 10 dias. De acordo com informações do pai, o médico Leandro Boldrini, Bernardo teria saído de casa para dormir na casa de um amigo, mas nunca chegou à residência do vizinho. O pai descobriu o desaparecimento apenas no domingo, quando foi buscar o garoto.

A operação para encontrar o menino mobilizou o Corpo de Bombeiros, a Brigada Militar e a Polícia Civil. O cadáver estava dentro de um saco, nu, enterrado em uma área de mato numa propriedade rural. A família vivia em Três Passos, distante cerca de 100 quilômetros do local onde o corpo foi encontrado.

A titular da Delegacia de Três Passos, delegada Caroline Bamberg Machado, cuidou do caso desde o desaparecimento até a entrega do laudo final ao Ministério Público, nesta terça-feira.

Prisões preventivas

O pai de Bernardo, Leandro Boldrini, a madrasta da vítima, Graciele Uglini, e a amiga do casal e assistente social, Edelvânia Wirganovicz, de Frederico Westphalen, foram presos preventivamente suspeitos da morte do garoto. A suspeita é de que o menino tenha sido dopado e assassinado com uma injeção letal.

Uma das hipóteses levantada pela Polícia Civil para explicar o assassinato de Bernardo é a motivação econômica. O menino é herdeiro da parte do capital da família a ser destinada à mãe, morta em 2010.

A madrasta de Bernardo, a enfermeira Graciele, prestou depoimento à polícia no dia 30 de abril na Penitenciária Modulada de Ijuí, no Planalto Médio. Graciele disse aos policiais que a morte do menino foi acidental por ingestão de medicamentos. Ela negou a participação do pai de Bernardo na morte do filho. A madrasta admitiu ter administrado a medicação para acalmar o enteado. Uma das suspeitas é que a dose pode ter sido a causa da morte.

O advogado da assistente social, Demétrius Eugênio Grapiglia, acompanhou o depoimento de Graciele. De acordo com ele, a madrasta de Bernardo disse aos policiais que a cliente não teve participação na morte do menino. Edelvânia Wirganovicz se declarou inocente em relação ao homicídio. O advogado reiterou que a amiga dos pais do garoto participou, pressionada, da ocultação do cadáver. Edelvânia também garantiu que o homicídio foi acidental e que o pai do menino não participou do crime.

Em 2 de maio, o juiz da 1ª Vara Judicial da Comarca de Três Passos, Marcos Luís Agostini, negou o habeas corpus, pedido de revogação da prisão temporária, para o médico Leandro Boldrini. O magistrado ponderou que a segregação temporária foi decretada por 30 dias porque o delito é considerado hediondo e o prazo não havia expirado.

Quarto suspeito

Na tarde de 9 de maio, a Polícia Civil prendeu um quarto suspeito de participação na morte do menino Bernardo: o irmão da assistente social Edelvânia Wirganovicz, Evandro Wirganovicz. De acordo com a polícia, há indícios da participação dele na ocultação do cadáver do menino.

Segundo o magistrado, como o terreno em que foi ocultado o corpo do garoto é de difícil escavação, e exigiria força física para abertura, a presença de um homem na cena do crime seria indiscutível. Além disso, há testemunha que aponta indícios veementes de que Evrandro esteve, um ou dois dias antes do crime, nos arredores do local onde o corpo foi encontrado. No entanto, a assistente social Edelvânia Wirganovicz disse em carta que o irmão é inocente.

Morte da mãe de Bernardo é contestada

O advogado Marlon Taborda, representante da avó materna de Bernardo Boldrini, Jussara Uglione, pediu a de reabertura do inquérito da morte de Odilaine Uglione, mãe do menino. O advogado contestará o laudo de 2010 - ano da morte de Odilaine -, que apontou suicídio. "Achei mais de uma dezena de razões, enumerei-as e juntei à documentação técnica", explicou o advogado. Evandro Wirganovicz

Após o ingresso na Justiça, o requerimento deve ser disponibilizado ao Ministério Público de Três Passos, que poderá determinar novas investigações policiais. Jussara diz ter certeza de que a filha morreu com um tiro, mas afirma não ter certeza se foi ela quem o disparou.

Bookmark and Share


Fonte: Correio do Povo






O que você deseja fazer?

Busca

EDIÇÕES ANTERIORES

Acervo de 09 de Junho de 1997 a 30 de Setembro de 2012. Para visualizar edições a partir de 1 de Outubro de 2012, acesse a Versão Digital do Correio do Povo. No menu, acesse “Opções” e clique em “Edições Anteriores”.