Porto Alegre, quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

  • 15/05/2014
  • 07:50
  • Atualização: 08:12

Fiscalização integral do leite será feita dentro da indústria

Intenção é implantar melhorias após quinta fase da operação do Leite Compen$ado

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  • Patricia Meira / Correio do Povo

O governo do Estado concluiu nessa quarta-feira o estudo técnico para a implementação do projeto-piloto de fiscalização permanente dentro dos três maiores laticínios com inspeção estadual no Rio Grande do Sul. A proposta será enviada nesta quinta-feira à Secretaria da Fazenda para cálculo do impacto financeiro. As indústrias que participarão da experiência são Santa Rita Laticínios (Estrela), Laticínios Frizzo (Planalto) e Laticínios Seberi (Seberi).

As indústrias selecionadas produzem acima de 1,5 milhão de litros de leite fluído ao mês. Nessa quarta-feira, na inauguração da Fenasul/Expoleite, em Esteio, o secretário-adjunto da Seapa, Áureo Mesquita, disse que se tudo der certo a intenção é estender esse sistema. "Uma coisa é a vontade, outra serão as condições de ampliação do projeto." A intenção do governo é verificar se a fiscalização de forma integral melhoria aos controles no Estado após a quinta fase da Operação Leite Compen$ado ter revelado fraude no setor industrial.

O presidente do Sindilat, Wilson Zanatta, considera positivo o aperfeiçoamento da fiscalização e frisou que as duas indústrias flagradas pelo Ministério Público são inexpressivas. O executivo, que está deixando a LBR, disse que o setor industrial fez diversas colaborações para modificações técnicas como as relativas à IN 62 e até agora nada aconteceu. Cobrou maior controle sobre transportadores, o que não saiu do papel. "Por causa de uma minoria estamos pagando um preço alto."

A definição de medidas para recuperar a confiança do consumidor será a primeira tarefa da Câmara Temática do Instituto Gaúcho do Leite (IGL) que se reúne amanhã. Nessa quarta, pouco antes da abertura da Fenasul, foi assinado ofício do qual irá derivar o convênio que permitirá iniciar a arrecadação do fundo que será mantido com repasse do governo e de indústrias. O texto será submetido à Cage e à Casa Civil antes de sacramentado, o que deve ocorrer em duas semanas. A expectativa do consultor do IGL Oreno Ardêmio Heineck é que a arrecadação comece em junho. O recolhimento anual previsto é de R$ 2,7 milhões.

Em clima de pré-campanha, a abertura da Fenasul/Expoleite, nessa quarta, no Parque Assis Brasil, em Esteio, reuniu muitos políticos, foi curta e expôs dificuldades na captação de recursos para cobrir as despesas. Durante a solenidade, no Pavilhão do Gado Leiteiro, o presidente da Gadolando, Marcos Tang, salientou a importância da exposição para pequenos e médios pecuaristas e cobrou o governador Tarso Genro. Disse que é preciso estimular o crescimento da mostra e que teme pela arrecadação. "Eu gosto de ver as contas pagas no final da feira. Temos de acreditar nesta feira, ela é pequena, mas vale a pena investir." Para atrair mais animais que acabam participando de outras exposições, como a Fenovinos, Tang antecipou que a Fenasul mudará o calendário em 2015, voltando para o final de maio como na época em que só havia a Expoleite. Esta será a terceira alteração na data em dez anos de estrada.

A feira deste ano deve custar R$ 150 mil. Tang não quis revelar quanto já estaria garantido, mas disse que a maioria dos recursos estão apenas empenhados. Ao discursar logo após Tang, o governador foi diplomático, não falou em investimentos, mas ressaltou a importância do leite para uma cadeia produtiva importante para o desenvolvimento econômico do Estado. "Nós não consideramos a feira efetivamente um evento pequeno. Este evento compartilha a riqueza da produção, espero para que o setor contribua cada vez mais para o PIB gaúcho", disse. Já o secretário da Agricultura, Claudio Fioreze, garantiu: se faltar dinheiro, o governo irá cobrir. A Fenasul vai até este domingo.


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