Porto Alegre, domingo, 26 de Outubro de 2014

  • 15/05/2014
  • 14:49
  • Atualização: 16:15

MP formaliza denúncia contra quarto suspeito no caso Bernardo

Irmão de Edelvânia responderá por ocultação de cadáver

Promotora de Justiça formalizou denúncia contra Evandro Wirganovicz | Foto: Tarsila Pereira

Promotora de Justiça formalizou denúncia contra Evandro Wirganovicz | Foto: Tarsila Pereira

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  • Correio do Povo

O Ministério Público, na figura da promotora de Justiça Dinamárcia Maciel, formalizou na tarde desta quinta-feira, em entrevista coletiva, denúncia contra Evandro Wirganovicz,  irmão de Edelvânia por ocultação de cadáverno caso da morte do menino Bernardo Boldrini. Segundo a promotora, o veículo do irmão de Edelvânia foi visto no dia de 2 abril (o garoto foi morto no dia 4) a cerca de 50 metros do local da cova.

Leia mais sobre o caso Bernardo

Ainda conforme investigação do MP, logo após o desaparecimento de Bernardo, Evandro começa a quitar dívidas no comércio de Frederico Westphalen. "Desse modo, formalizamos a denúncia do irmão de Edelvânia por ocultação de cadáver e esperamos o prosseguimento da investigação da Polícia sobre Evandro.

Além de Evandro, o médico Leandro Boldrini, a enfermeira Graciele Ugulini e a assistente social Edelvânia Wirganovicz também foram denunciados por ocultação de cadáver.

A promotora explicitou os critérios para denunciar Leandro, Graciele e Edelvânia como autores de um crime hediondo. Para a magistrada, o motivo torpe foi a promessa de recompensa feita para Edelvânia feita pelo casal e pelo viés do interesse patrimonial (Bernardo era herdeiro de Leandro). Outro qualificador, o motivo fútil: "foi um barbárie, exterminar a vida de uma criançar simplesmente pelo fato de não gostar dela", declarou Dinamárcia. Além disso, Bernardo representaria a continuidade da mãe Odilaine (Uglione, que teria cometido suicídio em 2010). "Eles tinham medo que Bernardo fosse dilapidar o patrimônio que Leandro e Odilaine tinham conseguido até fevereiro de 2010".

O terceiro item apresentado pelo MP foi o uso de veneno. A promotora explicou que a superdosagem de qualquer medicamento é considerado veneno e foi constatado, após perícia, que Bernardo recebeu uma alta dose de
midazolam. Por último, a magistrada disse que houve dissimulação, especificamente no caso de Graciele e Edelvânia, em função das artimanhas e dos pretextos utilizados para a aplicação da medição. "Elas prometeram ao Bernardo, na hora da injenção, que era preciso uma picadinha no braço para ir até a benzedeira".

O desaparecimento

O corpo do menino Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, natural de Três Passos, foi encontrado na noite de 14 de abril no interior de Frederico Westphalen, no Norte gaúcho. A criança ficou desaparecida por 10 dias. De acordo com informações do pai, o médico Leandro Boldrini, Bernardo teria saído de casa para dormir na casa de um amigo, mas nunca chegou à residência do vizinho. O pai descobriu o desaparecimento apenas no domingo, quando foi buscar o garoto.

A operação para encontrar o menino mobilizou o Corpo de Bombeiros, a Brigada Militar e a Polícia Civil. O cadáver estava dentro de um saco, nu, enterrado em uma área de mato numa propriedade rural. A família vivia em Três Passos, distante cerca de 100 quilômetros do local onde o corpo foi encontrado.

A titular da Delegacia de Três Passos, delegada Caroline Bamberg Machado, cuidou do caso desde o desaparecimento até a entrega do laudo final ao Ministério Público, nesta terça-feira.


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