Porto Alegre, segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

  • 17/05/2014
  • 00:16
  • Atualização: 00:29

Promotora do caso Bernardo lembra de contatos com o menino

Dinamárcia Maciel deixará comarca de Três Passos após denunciar pai e madrasta pelo assassinato

Promotora do caso Bernardo lembra de contatos com o menino | Foto: Samuel Maciel / CP

Promotora do caso Bernardo lembra de contatos com o menino | Foto: Samuel Maciel / CP

  • Comentários
  • Fernanda Pugliero / Correio do Povo

Ela ainda tem na memória a imagem da última vez em que viu Bernardo Boldrini. No dia 1º de abril, ele passou pela calçada do Foro de Três Passos de mãos dadas com Juçara Petry uma amiga, enquanto a promotora Dinamárcia Maciel estacionava o carro. Os dois se olharam brevemente. “Eu acenei, de forma a perguntar se estava tudo bem”, recorda a promotora. O menino sorriu e disse algo para Juçara.

Semanas depois, após a Polícia ter localizado o corpo de Bernardo, ela soube o que ele havia cochichado no ouvido de Juçara naquele dia. “Aquela mulher é minha amiga e ela vai mudar a minha vida.” A promotora não conseguiu. Dinamárcia e Bernardo criaram um vínculo. Eles se conheciam desde o final de 2013, quando o menino foi sozinho ao Foro da cidade denunciar o desamor do pai.

A primeira audiência de conciliação entre o pai, o menino, o juiz e a promotora ocorreu no dia 11 de fevereiro. Leandro Boldrini prometeu que iria mudar. Bernardo quis dar uma nova chance ao pai. “O que a gente fez foi o máximo que o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê”, afirmou. “As mesmas pessoas que ficam chocadas porque ele não foi tirado do pai são aquelas que se chocariam se fosse tirado o filho de um médico jovem para entregá-lo a uma avó idosa.” A promotora sugere mudanças no estatuto. “Deveria haver uma revisão na questão de sempre ser tentada a permanência na família biológica. A colocação na família substituta é exceção”, avalia.

Um segundo encontro entre Bernardo, Leandro e a promotora, para verificar a situação da família, foi agendado para 13 de maio. Tarde demais. Neste dia, no mesmo horário em que ocorreria a audiência, a Polícia indiciava os então suspeitos pelo assassinato do menino. “Eu não consegui sair da promotoria e ir até o Foro”, lembra. “Seria o dia da audiência do Bernardo para verificar se a situação dele com a família havia melhorado”, assinala.

Com a mesma firmeza com a qual denunciou as quatro pessoas pela morte do menino, na quinta-feira, Dinamárcia revela sua opinião sobre Leandro. “O teatro dele me enganou uma vez, mas agora ele não me engana mais”, garante. O último ato dela como promotora de Três Passos foi denunciar o pai, a madrasta e outras duas pessoas pelo crime. A partir da próxima semana, Dinamárcia estará em São Luiz Gonzaga. “Eu tinha me comprometido com a minha família de voltar para lá”, conta.

Dinamárcia atuou em Três Passos de julho de 2009 a dezembro de 2010. Em agosto do ano passado, retornou de Esteio também para ficar mais perto da família. Na mala, além da lembrança do menino, ela leva o título de cidadã três-passense nunca antes conferido a um promotor do município pelo trabalho que desenvolveu com crianças e adolescentes.

Bookmark and Share