Correio do Povo

Porto Alegre, 23 de Julho de 2014


Porto Alegre
Agora
17ºC
Amanhã
14º 24º


Faça sua Busca


Notícias > Geral

ImprimirImprimir EnviarEnviar por e-mail Fale com a redaçãoFale com a redação Letra Diminuir letra Aumentar Letra

22/05/2014 11:28 - Atualizado em 22/05/2014 12:30

Ex-segurança afirma que "brincaram" com extintor antes da tragédia

Homem contou que equipamento foi usado em festa de aniversário na Kiss

Está em andamento, no fórum de Santa Maria, a retomada dos depoimentos das testemunhas indicadas pela acusação no processo criminal que investiga a tragédia da boate Kiss, na região central do Estado. Prestou depoimento como informante na manhã desta quinta-feira o ex-segurança do local, Azarias do Nascimento. Ele afirmou que, na quinta-feira que antecedeu a tragédia, ocorreu um aniversário na casa noturna. Ao término do evento, um convidado, não identificado, brincou com um dos extintores de incêndio, dando rajadas com o artefato. O segurança abordou o homem, mas ele relatou que só carregaria o equipamento na próxima semana (ficou na obrigação de repor a carga).

O ex-segurança e ex-militar foi convocado primeiramente como testemunha de acusação do Ministério Público, no entanto, durante a audiência, o funcionário afirmou ter perdido um ex-enteado na tragédia, causando uma divergência entre os advogados de defesa, que acabaram colocando que ele não poderia ser testemunha de acusação, por ter ligação com uma vítima que morreu do incêndio, passando assim a ser informante.

Nascimento afirmou que no dia da tragédia estava de folga e que atuou como voluntário no recolhimento dos corpos no centro desportivo municipal. O juiz, no entanto, ao ler o depoimento do segurança à Polícia Civil e ouvir o relato dele, percebeu divergências nas informações. Nascimento teria afirmado que nunca tinha visto shows pirotécnicos na casa, e no depoimento na polícia, afirma ter assistido. Quando questionado sobre as informações, o segurança afirmou não se lembrar de ter dito algo diferente à polícia e completou que tudo pode ter sido um erro de interpretação.

Os depoimentos se estendem durante toda a quinta-feira. Mais três pessoas serão ouvidas hoje, três na sexta-feira, três no dia 30 de maio e cinco no dia 10 de maio. Acompanham os depoimentos familiares das vítimas, representantes da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria e integrantes no Movimento Santa Maria do Luto à Luta.

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro de 2013. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.

Segundo testemunhas, o incêndio teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.

*Com informações do repórter Renato Oliveira

Bookmark and Share


Fonte: Correio do Povo






O que você deseja fazer?

Busca

EDIÇÕES ANTERIORES

Acervo de 09 de Junho de 1997 a 30 de Setembro de 2012. Para visualizar edições a partir de 1 de Outubro de 2012, acesse a Versão Digital do Correio do Povo. No menu, acesse “Opções” e clique em “Edições Anteriores”.