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05/06/2014 08:05 - Atualizado em 05/06/2014 08:33

Manejo rural preserva técnicas antigas

Uso sustentável dos recursos naturais no campo também é rentável

Feira de orgânicos da Redenção é referência<br /><b>Crédito: </b> Ricardo Giusti
Feira de orgânicos da Redenção é referência
Crédito: Ricardo Giusti
Feira de orgânicos da Redenção é referência
Crédito: Ricardo Giusti

 A polaridade entre técnicas tradicionais do manejo no campo versus as práticas modernas é também fruto de um debate político e ideológico. “Estão em jogo interesses específicos em favor de uma tecnologia, ou de outra”, declara o professor da UFRGS, mestre em Sociologia Rural e doutor em Sociologia, Jalcione Almeida.

Existem formas de produção tidas como rudimentares que podem garantir ganhos de produtividade. “Não precisa ser um modelo único e generalizado. Por que não pensar em agricultura e desenvolvimento no plural?”, questiona. A visão de que cultivos sustentáveis são mais mais caros muitas vezes é equivocada. Pois, a redução de insumos externos, como adubos e outros produtos químicos pode compensar tanto ecologicamente, como financeiramente. Esses agroquímicos podem ser substituídos em algumas vezes por insumos produzidos na própria propriedade, como esterco animal e a adubação verde, por exemplo. A rotação de cultivos também pode evitar ou minimizar o uso de componentes químicos.

De acordo com Almeida, que é professor do programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural e de Sociologia, ambos da Ufrgs, tudo depende da maneira como se encaram a redução dos custos de produção. O agricultor pode economizar na compra de sementes, por exemplo. “Quando se produz a própria semente, se reduz o custo. As sementes transgênicas forçam o agricultor a comprá-las”, observa. Outro retorno que ele pode ter ao produzir a semente é a possibilidade de escolher a melhor planta, que melhor se adaptou àquela região em que está se produzindo. “Há redução significativa dos custos de produção, aliado a isso tem também o ganho de sustentabilidade e conservação ambiental, agredindo menos o solo, com técnicas de manejo mais adaptadas ao ambiente”, ressalta.

O que ocorre é que os ganhos de produtividade às vezes são de médio prazo e para se trabalhar dessa forma é necessário maior emprego da força de trabalho humana. Na academia, estão sendo pesquisadas diferentes formas de aprimorar o trabalho no campo, aliado à tecnologia. “A Faculdade de Agronomia tem pesquisadores há bastante tempo inseridos no desafio da sustentabilidade, propondo tecnologias menos intensivas e degradantes”, informa. Esses especialistas vêm testando e recuperando práticas agrícolas mais conservacionistas. Porém, outros ainda avaliam tecnologias mais intensivas para reduzir custos, mas não necessariamente para reduzir o impacto ambiental e garantir a sustentabilidade dos agricultores.

Mudança de lógica

O esforço para mudar a lógica de produção e construção é enorme, porque a maior parte das pessoas não passou por um processo de aprendizado do trabalho de desenvolvimento sustentável. Apesar disso, muitas pessoas e organizações estão trilhando um novo caminho nesse sentido. Essa mudança teria implicação nas formas de pensar a relação entre a produção e o consumo. “Quando se trabalha com o conceito da sustentabilidade, significa que não podemos ter concentração de renda. A distribuição dos recursos naturais deveria ser mais justa”, afirma a professora da Escola de Administração da Ufrgs, Tania Nunes da Silva.

Ela esclarece que existem experiências que trazem retorno financeiro e econômico e muitas empresas têm utilizado alternativas para evitar desperdício. “No passado, não se importavam com isso e agora podem ver os resultados”, diz. A preocupação inclusive serve de apelo comercial e de distinção em alguns nichos de mercado.

O equilíbrio está relacionado com o pensamento sustentável. A feira de orgânicos no Parque da Redenção, que ocorre todos os sábados, é um exemplo de organização com uma visão de mundo diferente. “Teve origem num movimento que começou há mais de 30 anos e hoje é um sucesso e serve de referência nacional”, descreve a professora.

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Fonte: Karina Reif / Correio do Povo






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