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05/06/2014 08:09 - Atualizado em 05/06/2014 08:39

Drenagem de banhados modifica vazão de rios e gera secas

Tecnologia de ponta pode auxiliar na preservação

Drenagem de banhados modifica vazão de rios e gera secas<br /><b>Crédito: </b> Vinícius Roratto / CP Memória
Drenagem de banhados modifica vazão de rios e gera secas
Crédito: Vinícius Roratto / CP Memória
Drenagem de banhados modifica vazão de rios e gera secas
Crédito: Vinícius Roratto / CP Memória

O desenvolvimento só ocorre com o respeito ao meio ambiente como um todo. E se esse ambiente pode ser melhor cuidado e aproveitado com o uso de tecnologia de ponta. A falta de água, ou a abundância dela em inundações provoca problemas semelhantes em todo o planeta, mas a maneira como lidar com as adversidades depende de aspectos culturais, segundo o engenheiro civil, professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Carlos André Mendes.

“No contexto brasileiro, se criou esse mote de que o meio ambiente é inimigo do desenvolvimento por causa do licenciamento ambiental”, afirma. Ele lembra que o Rio Grande do Sul é um estado riquíssimo em água, porém, quando chove demais, ocorre enchente e, em outros outros períodos, a seca. “É medieval. Temos soluções técnicas para lidar com isso”, destaca. O impedimento é a má gestão pública. “Hoje o sistema de abastecimento público em São Paulo, por exemplo, está um caos por falta de administração”, salienta.

A irrigação em Israel, na Espanha e em alguns estados norte-americanos são modelos para o mundo. As alternativas desenvolvidas poderiam, muito bem, ser adaptadas às regiões de seca no Brasil, mas pouco se empregou até agora do tipo de tecnologia usada naqueles países. Até mesmo a falta de instrução e qualificação da mão de obra são entraves para a implantação. “A tecnologia ajuda, mas quem ajuda mesmo são as pessoas. A principal tecnologia que falta não é química, física, engenharia, ou robótica, mas a gestão”, ressalta.

Gestão da água 

A drenagem de banhados para plantar nas regiões dos rios do Sinos e Gravataí mudou a vazão natural e a tendência, agora, é de que eles encham e esvaziem com muito mais rapidez. Essa mudança reflete por um lado nas cheias e inundações e por outro na seca. Portanto, o que deveria gerar um benefício econômico, gera um prejuízo inestimável para toda a população. O desafio passou a ser a resiliência tanto para suportar os problemas criados pelo homem, como para lidar com a sazonalidade do tempo e da disponibilidade de recursos.

Uma das formas é a observação para gerir melhor a água. O diretor do Departamento de Recursos Hídricos (DRH) da Secretaria Estadual Meio Ambiente (Sema), Marco Mendonça, informa que o Estado está adquirindo 18 estações de monitoramento hidrometeorológico e até o final de 2014, os equipamentos devem chegar a 30 e, no próximo ano, o número deverá ser cem. Dessa maneira, o governo espera ter informações para planejar melhor a administração da água. “O Estado ainda é vulnerável à estiagem. Precisamos de uma política para armazenar e não depender tanto da captação de rios”, declara.

A falta de água é agravada pela poluição. Três rios no Estado estão entre os mais sujos do Brasil, conforme um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado ano passado. Sinos, Gravataí e Caí são o quarto, o quinto e o oitavo no ranking nacional. Mendonça observa que a região Metropolitana concentra os problemas principalmente por conta do saneamento e dos resíduos industriais. Planos para melhorar a situação dos rios estão em andamento, com um conjunto de medidas, como o tratamento de esgoto, recomposição da mata ciliar e ações de educação.

No Rio Grande do Sul interior, somente 15% do esgoto é tratado. Conforme Mendonça, a Corsan está investindo recursos próprios e federais para passar o percentual para 40% até 2017. Na região Metropolitana, deve chegar a 80%. “Se identificou que para universalizar o tratamento seriam necessários R$ 12 bilhões, mas o estado está avançando neste sentido”, ressalta.

A suinocultura também tem peso na poluição dos mananciais, assim como a avicultura e contaminantes subterrâneos. Dados do Censo, apontam que há 405 mil poços residenciais no Estado e, apenas uma pequena parte (15 mil) têm outorga. O restante precisa ser cadastrado. “Faremos um programa de regularização”, declara. “Pela lei federal de saneamento, onde tem rede de saneamento, não se deve usar poço pelo risco de contaminação.” Gravataí é a cidade que mais possui poços: 19 mil. Novo Hamburgo fica em segundo lugar: 17 mil.


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Fonte: Karina Reif / Correio do Povo






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