Porto Alegre, sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

  • 05/06/2014
  • 08:13
  • Atualização: 09:16

Reúso de materiais também é forma de preservar

Processo também garante economia para diversos setores

Este ano, acaba prazo para adequação à lei dos resíduos sólidos  | Foto: Mauro Schaefer

Este ano, acaba prazo para adequação à lei dos resíduos sólidos | Foto: Mauro Schaefer

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  • Karina Reif / Correio do Povo

O reúso dos materiais é outro processo que garante economia para diversos setores e ainda garante a preservação do meio ambiente. “Tem que mudar os paradigmas e a maneira de encarar a natureza como uma coisa simplesmente para o desfrute. O desfrute deve ser compensado e regenerado”, ressalta o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Alfredo Gui Ferreira. Os objetos descartados aumentam a poluição dos lençóis freáticos e diminuem a qualidade de vida das pessoas e ainda freiam o progresso a longo prazo.

“A indústria de transformação aproveita incompletamente a matéria que usa. Extrai da cana, um exemplo, o poder que ela tem como açúcar, mas no passar da moenda, nem todo açúcar sai, ele poderia ser reaproveitado. Se perde muita coisa, se fosse hidrolisado ainda teria mais. Outra destinação seria o álcool”, afirma. O benefício seria a diminuição de resíduo.

Este ano, acaba o prazo de adequação à lei federal de resíduos sólidos e sete municípios ainda mantém lixões. Ipiranga do Sul, Novo Machado, Santa Margarida do Sul, São Gabriel, Tupanciretã, Uruguaiana e Viamão ainda não tem local adequado para destinar os resíduos. Ijuí, que tem uma população de 79,3 mil habitantes, já tem autorização para transbordo emergencial para encaminhar o lixo para um aterro sanitário licenciado.

Cerca de 70% do Estado têm aterros sanitários, que é a forma correta de manejo. O restante conserva os locais de depósito de lixo direto no solo ou utiliza aterros controlados, que é um meio termo entre um modelo e outro. O Plano Estadual de Resíduos Sólidos deve ser concluído até a metade deste ano e orientará a atuação das prefeituras. Em 2011, a prefeitura de Porto Alegre lançou a proposta de criação de uma Central de Tratamento de Resíduos Sólidos para dar destinação correta ao lixo e para transformá-lo em energia. Porém, a ideia ainda não avançou.

Exemplo de reaproveitamento

Uma empresa encontrou uma oportunidade de transformar o que seria descartado em renda para a comunidade onde está inserida. Na parada de manutenção de uma das plantas no polo petroquímico de Triunfo, a Braskem entregou diariamente duas cargas de resíduos para a Associação Ecológica de Recicladores da Ponte Seca (AECO).

Devido ao sucesso do projeto, a empresa resolveu dar continuidade e reunir mensalmente todos os materiais gerados pelas unidades operacionais e administrativas das plantas de Insumos Básicos (UNIB 2 RS). A média mensal de doação é de 10 toneladas, entre plásticos e papel. “Durante a parada, tivemos que dobrar nossa carga horária de trabalho para dar conta de fazer toda a triagem dos materiais. Na associação, mais trabalho significa mais renda para os recicladores”, afirma a coordenadora-geral da AECO, Elenara dos Santos.

A renda do galpão dobrou com a doação de mais de 32 toneladas de resíduos, entre plásticos (15,5 t) e papel (17,4 t). Desse total, menos de 10% foi rejeitado. Segundo Patrícia Corrêa, da área de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Braskem, os resultados demonstraram a qualidade do projeto-piloto. Por isso, ele foi mantido.


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TAGS » Meio Ambiente, Geral