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Dispensável mesmo

Mercenários é o tipo de produção totalmente desnecessária<br /><b>Crédito: </b> Califórnia Filmes / Divulgação / CP
Mercenários é o tipo de produção totalmente desnecessária
Crédito: Califórnia Filmes / Divulgação / CP
Mercenários é o tipo de produção totalmente desnecessária
Crédito: Califórnia Filmes / Divulgação / CP

Existem coisas que não devem ser feitas. E uma delas é Os Mercenários, dirigido e estrelado por Sylvester Stallone, já com seus 60 e poucos anos e repleto de botox pelo rosto. Como todo mundo já está careca de saber, o filme provocou enorme polêmica, por ele ter feito comentários preconceituosos em relação ao Brasil, que serviu de palco para algumas das gravações.

E a história é de doer. Um grupo de mercenários, ora bolas, é contratado pela CIA, representada por Bruce Willis, que parece ser o ator mais inteiro do filme, para derrubar um fraco ditador de uma ilhota sul-americana, Vilhena. Que na realidade é controlada por um ganancioso traficante de drogas vivido por Eric Roberts, o irmão da Julia. O grupo, liderado por Stallone, e que tem entre os integrantes Jet Li, Jason Stratham e Terry Crews (o pai de Chris, da série Everybody Hate Chris), consegue derrotar um exército inteirinho, em que cenas beiram o ridículo e claro, inverossímeis.

Evidente que não dá para levar a sério este filme, que traz ainda Mickey Rourke, cada vez mais deformado, e uma rápida participação de Arnold Schwarzenneger.
O que se salva em Os Mercenários? A beleza estonteante de Giselle Itié, como a filha rebelde do patético e caricato ditador General Garza (David Zayas).

Por Chico Izidro Postado por CineCP - 29/08/2010 18:45 - Atualizado em 29/08/2010 18:56

Coco com bocejos

O filme se torna repetitivo e tedioso em alguns momentos<br /><b>Crédito: </b> Imovisión / Divulgação / CP
O filme se torna repetitivo e tedioso em alguns momentos
Crédito: Imovisión / Divulgação / CP
O filme se torna repetitivo e tedioso em alguns momentos
Crédito: Imovisión / Divulgação / CP

A estilista Coco Chanel já tinha tido sua vida lembrada no fraco Coco Antes de Chanel, com Audrey Taotou, que contava os seus primeiros anos, ainda na orfandade e na pobreza. Em Coco Chanel e Igor Stravinsky, de Jan Kounen, ela já está estabelecida, é famosa e rica.

O filme começa impactante, com a primeira exibição da obra Sagração da Primavera, de Stravinsky, no Teatro des Champs-Elisée, em Paris, em 1913, e que causou tremendo protesto do público que não entendeu a obra.
Logo pulamos para 1920, com o compositor vivendo em um pulguento hotel parisiense, ao lado da mulher, dos 4 filhos e de uma empregada. Voltar para a Rússia é uma impossibilidade, visto que os comunistas estão no poder. Então Coco convida o músico e a família para morar em sua casa, nos arredores de Paris. No local, a estilista e o compositor irão manter um relacionamento amoroso.

A história é baseada em romance de Chris Greenhalgh, mas não se sabe se ocorreu realmente, apesar de Coco Chanel ter sido uma devoradora de homens. Anna Mouglalis está à vontade no papel da estilista, inclusive com o tradicional jeito de ela segurar o cigarro - superando a atuação de Taotou, muito bonita, aliás, para interpretar Chanel. Igor Stravinsky é vivido por Mads Mikkelsen (de Fúria de Titãs) e que se restringe a fazer um ar sério e tedioso. Tedioso, inclusive, é Coco Chanel e Igor Stravinsky, que após um início promissor, tem uma queda brusca, se tornando repetitivo e causando bocejos involuntários.
Por Chico Izidro Postado por CineCP - 29/08/2010 18:19 - Atualizado em 29/08/2010 18:49

Shayamalan de última

Filme não consegue empolgar, com um 3D muito aquém do que se já viu nas telas<br /><b>Crédito: </b> Paramount Pictures do Brasil / Divuglação / CP
Filme não consegue empolgar, com um 3D muito aquém do que se já viu nas telas
Crédito: Paramount Pictures do Brasil / Divuglação / CP
Filme não consegue empolgar, com um 3D muito aquém do que se já viu nas telas
Crédito: Paramount Pictures do Brasil / Divuglação / CP

O mais recente filme do cineasta M. Night Shyamalan, "O Último Mestre do Ar" fica muito longe do que se espera de um diretor que já fez algo tão cinematográfico como "O Sexto Sentido"... A história, ao lado dos efeitos visuais assinados pelo argentino Pablo Helman, é uma adaptação da série animada "Avatar: The Last Airbender", transmitida pelo canal infantil Nickelodeon.
 
E fica entre o infanto juvenil e o dispensável. Shyamalan tenta com o filme recriar em formato 3D a história de Aang, um menino cuja promessa é salvar o seu mundo da guerra. Num mundo dividido entre quatro tribos, cada uma com um poder sobre um elemento da natureza: o ar, a terra, o fogo e a água, a trama é repleta de sofríveis cenas de lutas com artes marciais e vários efeitos com os "quatro elementos", além de animais alados e outras invenções que tentam tornar o universo do filme em um contexto repleto de fantasia. Mas não encanta, nem com a fantasia que poderia render uma viagem onírica e deliciosa.

Um desperdício ver as cenas foram rodadas na Groenlândia, com tomadas aéreas sobre as montanhas de gelo e os icebergs, ao lado do que nos impõe o sofrimento decorrente das atuações do elenco jovem que traz Noah Ringer, Nicola Peltz e Jackson Rathbone, e derruba até o crescido Dev Patel, o herói do filme "Quem Quer Ser um Milionário?".


Por Marcos Santuario Postado por CineCP - 28/08/2010 13:01 - Atualizado em 29/08/2010 18:42

Nada de novo, mas bonito

Mademoiselle Chambon tem um pedreiro se vê envolvido com a professora de seu filho <br /><b>Crédito: </b> Imovision / Divulgação / CP
Mademoiselle Chambon tem um pedreiro se vê envolvido com a professora de seu filho
Crédito: Imovision / Divulgação / CP
Mademoiselle Chambon tem um pedreiro se vê envolvido com a professora de seu filho
Crédito: Imovision / Divulgação / CP

Os filmes franceses costumam fugir do convencional. Além de não sofrermos com as tradicionais explosões, correrias e efeitos especiais, o cinema franco geralmente nos traz reflexão ou vontade de tomar um belo vinho. Em Mademoiselle Chambon, de Stéphane Brizé, um pedreiro se vê envolvido com a professora de seu filho.
 
O romance de Jean (Vincente Lindon, o professor de natação de Bem-Vindo) começa após ele consertar a janela da casa de Veronique Chambon (Sandrine Kiberlain, desprovida de qualquer atrativo físico e talvez por isso instigante). Encanta a Jean a habilidade, mesmo que meio tosca, de ela tocar violino e seu jeito tímido. O primeiro beijo dos dois é singelo, simples, um leve pegar de mãos, um toque no rosto e um beijo culpado e carente.

Aliás, a culpa permeia a conciência de Jean, que passa a se irritar com qualquer palavra ou gesto da esposa, a paciente Anne-Marie (Aure Atika). A história não traz nada de novo, mas é bonita. Pena que, vide o início do texto, acabe sendo traída pelo conservadorismo.

Por Chico Izidro Postado por CineCP - 29/08/2010 14:20 - Atualizado em 29/08/2010 18:16

Versão atualizada e de sucesso

Muito boa a nova versão do Karatê Kid...<br /><b>Crédito: </b> Sony Pictures / Divulgação / CP
Muito boa a nova versão do Karatê Kid...
Crédito: Sony Pictures / Divulgação / CP
Muito boa a nova versão do Karatê Kid...
Crédito: Sony Pictures / Divulgação / CP

O filme "Karate Kid", com direção de Harald Zwart e com 2 horas e 20 minutos de duração, é uma versão atualizada do sucesso de mesmo título lançado em 1984 e que teve três continuações. Agora, o filme é estrelado por Jaden Smith, filho dos atores Will Smith e Jada Pinkett Smith, que também são produtores deste longa-metragem.

Enquanto no primeiro filme, nos anos 80, o protagonista mudava de cidade dentro dos EUA, agora a diferença cultural é bem maior: o garoto troca de país. Para acompanhar a mãe (Taraji P. Henson), que conseguiu um emprego na China, Dre (Jaden Smith), de 12 anos, vai morar em Pequim. Dre precisa se adaptar a uma realidade totalmente nova, com a língua, os costumes e a geografia do lugar. Enquanto ele seria um menino popular na sua cidade natal, Detroit, agora se vê como um peixe fora d''água.

Após chegar na China e entrar em seu novo colégio, Dre simpatiza com uma garota que toca violino e é correspondido. Mas a turma dos valentões da escola não gosta nenhum um pouco do novato. Dre acaba levando uma surra do grupo e começa a andar com medo pelo colégio e pelas ruas. O tema é bastante atual porque trata de uma das questões mais debatidas ultimamente, o bullying.

Num outro momento em que Dre é atacado pelos colegas, ele é defendido por um zelador, o senhor Han (Jackie Chan), que usa golpes certeiros de kung fu. Encantado com a performance do zelador, Dre consegue convencer o senhor Han a treiná-lo. O objetivo será enfrentar, em um torneio da arte marcial, o líder do bando que o atacou.

E aí começa a fase do treinamento. O filme fala de uma temática que há tempo agrada no cinema, a superação. Dre supera a si mesmo, submetendo-se a uma intensa preparação física e mental para a luta. Começa a enfrentar seus medos, com a ajuda de seu mestre.

Um dos trunfos do filme está justamente no ator mirim Jaden Smith. Ele mostra que não é apenas o filho de atores talentosos e famosos. Tem sua própria estrela. Além do carisma pessoal, suas habilidades físicas ficam destacadas nas cenas de luta, que ele mesmo enfrentou. Sua carreira já conta com os filmes "À Procura da Felicidade", no qual contracenou com o pai, Will Smith, e "O Dia em que A Terra Parou", com Keanu Reeves.

Jaden aprendeu kung fu com Wu Gang, o coordenador de cenas de ação da equipe de Jackie Chan. O mestre Wu treinou Jaden durante três meses em Los Angeles, antes do início da produção em Pequim, e continuou a treiná-lo ao longo dos quatro meses de filmagem. Jaden gostou tanto da experiência que pediu para continuar o treinamento após o final da rodagem. "É, eu quero ficar musculoso. Se o Taylor Lautner (da série ''Crepúsculo'') precisar de um dublê, vou estar pronto para a ação", brincou Jaden numa entrevista.

Outro ponto positivo é a ambientação. A equipe filmou realmente na China, e com isso obteve uma atmosfera especial na estética, que teve a direção de Fotografia de Roger Pratt. As cenas em que Dre treina com seu mestre e corre pela Grande Muralha, com tomadas aéreas, são deslumbrantes. Outro lugar extraordinário que aparece no filme são as Montanhas Wudang, local de peregrinação espiritual localizado na China central e que tem a fama de ser um dos locais de origem do kung fu. Na história, o senhor Han leva o seu aprendiz para conhecer o lugar e beber da água do "poço do kung fu".

Outras paisagens interessantes incluem o Portão da Paz Celestial e a Cidade Proibida em Pequim. A equipe de "Karate Kid" foi a primeira estrangeira a conseguir permissão para filmar ali em 20 anos. O anterior foi o cineasta Bertolucci, com "O Último Imperador".

"Karate Kid" deixa aquela clássica mensagem de que, com esforço e disciplina, se pode atingir os objetivos planejados. Algumas sequências lembram outros títulos do cinema que mostraram atletas suando a camiseta para se preparar para uma competição, ao estilo de "Rocky". Quem aprecia expressões corporais em geral poderá apreciar os movimentos e exercícios de artes marciais que às vezes se assemelham a uma dança, visto que os praticantes apresentam uma flexibilidade fora do comum. As lutas são todas coreografadas. Jaden aprendeu a arte marcial do wushu, um kung fu fisicamente desafiador e ativo que é ensinado e praticado na China.

Manter o título do filme, que traz em si uma contradição em relação à história, na qual se luta kung fu e não caratê, foi questionado pela própria equipe e motivo de boatos pela Internet. Por fim, prevaleceu a proposta de manter o título "Karate Kid" como uma forma de homenagem ao filme que o antecedeu. É um trabalho que deve agradar ao grande público e obter uma boa bilheteria.


Por Adriana Androvandi Postado por CineCP - 27/08/2010 16:34 - Atualizado em 28/08/2010 12:56

Um contra todos

A criação e o desenvolvimento do Comando Vermelho não convence como trama cinematográfica no filme<br /><b>Crédito: </b> Playarte / Divulgação / CP
A criação e o desenvolvimento do Comando Vermelho não convence como trama cinematográfica no filme
Crédito: Playarte / Divulgação / CP
A criação e o desenvolvimento do Comando Vermelho não convence como trama cinematográfica no filme
Crédito: Playarte / Divulgação / CP

O filme  “400 Contra 1 — Uma História do Crime Organizado” é a tentativa cinematográfica de Caco Souza de contar a história do surgimento do Comando Vermelho (CV), a organização criminosa que nasceu no Rio de Janeiro. Na tela, William da Silva (vivido por Daniel de Oliveira) surge como um dos grandes articuladores daquilo que viria a se tornar o grupo CV. Capturado, o rapaz vai parar no presídio de Ilha Grande, onde presos “comuns” eram colocados lado a lado com presos políticos.

O filme é repleto de cenas que remetem à sequência de fugas consecutivas, assaltos e enfrentamentos com os policiais locais. Surgem em cena os laços de amizade, gerando dívidas que faziam com que foragidos retornassem à ilha para libertar seus companheiros. Atrapalha um pouco a opção do roteiro em intercalar tempos indo do passado ao presente da trama e vice e versa, muitas e excessivas vezes. A tentativa de não linearidade complica mais do que ajuda...

A inspiração do filme vem do livro autobiográfico do próprio William da Silva Lima, um dos principais articuladores da organização. Assaltante de bancos que, numa ação fracassada, é preso nos anos 1970, William é conhecido pela bandidagem como “professor”. Entre seus comparsas estão militantes políticos que encaram a vida de assaltos para garantir o seu sustento. Depois de capturados, um a um, os presos são levados para a Ilha Grande. Lá, vivem situações totalmente incomuns e inesperadas. Confinados junto com o grupo estão presos políticos que compartilham o espaço criminal. A situação gera revolta ao deixar explícito o desejo dos militantes intelectualizados, em não ocupar os mesmos espaços dos presos comuns. Ainda que separados por algumas grades entre as alas, os presos políticos e os comuns desenvolvem contatos esporádicos, mas que acabam abastecendo o mundo intramuros com literatura “subversiva” e técnicas de guerrilha.

Primeiro longa-metragem do diretor, o filme visto em Paulínia apostou em um roteiro cuja temporalidade dos atos perfilou-se na tela entre passado e presente, num balé confuso. E o lado romântico da trama, que promete acontecer com o surgimento da namorada de William, vivida pela atriz Daniela Escobar, não se concretiza e se dilui na teia das relações e das idas e vindas do tempo na tela. E o título se explica no meio do filme, mas não remete ao personagem principal da trama, mas a um secundário que, a la Rambo, enfrenta o sistema armado vigente. Poderia ter dado certo...
Por Marcos Santuario Postado por CineCP - 27/08/2010 10:45 - Atualizado em 27/08/2010 10:53

O bem atualizado

Novo O Bem Amado mantém vínculo com original de Dias Gomes<br /><b>Crédito: </b> Natasha Filmes / Divuglação / CP
Novo O Bem Amado mantém vínculo com original de Dias Gomes
Crédito: Natasha Filmes / Divuglação / CP
Novo O Bem Amado mantém vínculo com original de Dias Gomes
Crédito: Natasha Filmes / Divuglação / CP

Para ver a versão cinematográfica de O BEM AMADO em 2010 é bom ir munido das referências históricas e socias do contexto em que Dias Gomes escreveu brilhantemente a peça de teatro que ganhou as telas de tevês nos anos 1970 e 1980. As figuras de linguagem, os neologismos e as metáforas pessoais, sociais e políticas estão reverenciadas novamente, agora sob a batuta do competente e atualizado Guel Arraes.

Com as apropriações da linguagem e da narrativa televisivas, o novo Bem Amado atualiza a trama tecnológica e historicamente. O tecnológico vem por conta do uso de enquadramentos e suportes que constróem imagens belíssimas em paisagens, dentro e fora das cenografias montadas para tal. O histórico se impõe na narração em off do personagem de Caio Blat, o jornalista que se apaixona pela filha "descolada" do prefeito...

Os personagens se mantém fortes, mas poderia haver mais justiça com o justiceiro Zeca Diabo. Outrora na pele do eterno Lima Duarte, ganhou o talento de José Wilker na versão 2010. Ganhou... não perdeu... mas poderia ter mais espaço para aproveitar o competente universo de atuação de Wilker, que ganha a cena e compõe o clima certo, dando à presença de Zeca Diabo, o tom especial que o personagem exige... quando ele surge em cena a trama ganha força, se desloca o eixo do centro da atenção do prefeito Odorico (Marco Nanini) Paraguassú.

O filme vira documento histórico, se atualiza e reverencia um universo político e social que, novamente, pode ser a metáfora da sociedade atual... "Apenasmente isso...", como diria Odorico...
Por Marcos Santuario Postado por CineCP - 22/08/2010 11:15 - Atualizado em 23/08/2010 11:37




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