Arte & Agenda

Chega às telas a esperada cinebiografia de Michael

Marcos Santuario comenta as produções aguardadas que podem ser conferidas a partir desta quinta-feira, dia 23 de abril

Crítico de cinema Marcos Santuario comenta as produções
Crítico de cinema Marcos Santuario comenta as produções Foto : YouTube / Reprodução / CP

A estreia de “Michael” nesta quinta, 23, não é apenas mais um lançamento aguardado. É um convite a revisitar um dos personagens mais complexos, revolucionários e contraditórios da cultura contemporânea. Falar de Michael Jackson não é simplesmente falar de música. É tocar em um fenômeno histórico que redesenhou a indústria fonográfica, a estética dos videoclipes e a própria ideia de celebridade global.

Desde os primeiros passos como líder do Jackson Five até a ascensão como “Rei do Pop”, Michael não apenas acompanhou seu tempo, ele o desafiou. E isso está no filme. Sua obra ajudou a quebrar barreiras raciais na televisão, redefiniu o espetáculo musical e elevou o videoclipe à categoria de arte. Obras como "Thriller" não são apenas sucessos comerciais. São marcos culturais que atravessam gerações, moldando o imaginário coletivo até hoje. E isso também está na tela.

Mas o que torna “Michael”, com direção do realizador norte-americano Antoine Fuqua, um projeto provocador não é apenas a celebração do mito, mas sim o confronto com o homem por trás dele. A cinebiografia é estrelada por Jaafar Jackson, filho de Jermaine Jackson e Alejandra Genevieve, sobrinho de Michael e Janet Jackson. Parte da premissa ousada de que uma vida como a de Michael Jackson não cabe em único filme. E isso, por si só, já é declaração. Em tempos de narrativas rápidas e simplificadas, assume que a complexidade é quase um ato de resistência.

A trajetória de Michael foi construída sobre extremos. De um lado, o talento precoce lapidado sob pressão intensa. De outro, a busca incessante por controle artístico e identidade própria. Sua infância, marcada por disciplina rígida e exposição precoce à fama, não foi apenas pano de fundo. Foi motor de muitas de suas escolhas futuras. Isso também está na produção. A obsessão pela perfeição, o isolamento progressivo e a constante reinvenção estética dialogam direto com esse início turbulento.

E há, claro, as zonas de sombra. As controvérsias, os processos, as acusações. Elementos que não apenas afetaram sua imagem pública, mas também moldaram decisões criativas e estratégicas ao longo da carreira. O próprio filme enfrentou esse dilema ao precisar reformular seu desfecho por questões jurídicas, evidenciando como a figura de Michael Jackson ainda é cercada por tensões não resolvidas. É justamente nesse ponto que “Michael” se posiciona como algo maior do que uma cinebiografia tradicional.

A ideia de expansão, mencionada por Jaafar, sugere um projeto contínuo, quase como se a vida do artista exigisse múltiplos capítulos para ser compreendida. Não se trata apenas de contar uma história, mas de construir um mosaico, fragmentado, contraditório, humano.

Ao manter-se imerso no papel, Jaafar Jackson sinaliza um compromisso que vai além da performance. Há uma tentativa de capturar não só os gestos e a voz, mas a tensão interna de um artista que viveu entre a genialidade e o conflito permanente consigo mesmo e com o mundo. Estão ali Quincy Jones, Diana Roos, Gladys Knight e outros.

Veja Também

Confira o vídeo:

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta quinta-feira, dia 15 de outubro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio