Porto Alegre, 23 de Outubro de 2014

Sartori e Tarso debatem na Guaíba

Postado por Juremir em 22 de outubro de 2014 - Uncategorized

Nos últimos dias da campanha, o tom entre Sartori e Tarso subiu.

O candidato petista atacou o que tem rotulado de falta de proposta do peemedebista.

Sartori deixou o lado paz e amor e disparou contra o que chamou de mentiras da “tropa de choque” petista.

Tudo é explorado e criticado.

O debate da Rádio Guaíba, a partir das 13h30 desta quarta-feira, tem tudo para pegar fogo.

 


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Duelo em OK. Brasil eleitoral: quem é mais ladrão?

Postado por Juremir em 21 de outubro de 2014 - Uncategorized

Quem roubou mais?

– Você é ladrão.

– Você também.

– Mas você roubou mais.

– Eu? Não roubei um décimo do que você roubou.

O Brasil chega ao final da corrida eleitoral de 2014 mergulhado numa triste competição: quem roubou mais? O grande eleitor nacional chama-se Paulo Roberto Costa é só não está mais na cadeia porque aceitou se transformar no delator mais temido da nação. Costa, no primeiro lance, fulminou PT, PMDB e PP, acusados de transformar negócios da Petrobrás em propinas combinadas com empreiteiras amigas para abastecer campanhas. Um mensalão dois. O colunismo lacerdinha, com toda razão, vibrou e destacou a nova falcatrua capaz de levar o PT à lona na eleições presidenciais. Aí Costa empatou o jogo e denunciou o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, por ter cobrado R$ 10 milhões, que teriam sido pagos pela construtora Queirós Galvão, para abafar uma CPI que pretendia fuçar nos negócios da Petrobrás.

– Empatou uma ova – berra um militante tucano. – E a Gleisi?

A repercussão em certos de órgãos de imprensa não foi a mesma. A tropa de choque do colunismo antiPT não se emocionou com a notícia. A eleição está sendo jogada entre petistas e antipetistas igualmente fundamentalistas e xiitas. Tem eleitor que vota num poste desde que o poste seja contra o PT. Tem eleitor que surta ao pensar em tucanos. A verdade é que colou no PT a pecha de corrupto. O noticiário não desmente essa ideia constrangedora, mas insiste em igualar os contendores, o que parece não ser levado em conta pela claque de cada um. Dilma fingia não tomar em consideração as denúncias de Paulo Roberto Costa contra o PT e seus aliados. Passou rapidamente a dar crédito ao delator quando ele citou o tucano, já falecido, Guerra. Aécio Neves fez o caminho contrário. Acreditou na primeira parte do que Costa disse e finge não ter ouvido a parte sobre Sérgio Guerra.

 

– Somos a mudança – dizem os tucanos.

¬– Vocês são o retrocesso – rebatem os petistas.

Em matéria de Petrobras, se Paulo Roberto Costa for o juiz da pendenga, nunca se sairá do empate técnico. O eleitor desapaixonado fica aturdido: em quem acreditar? Melhor ver as propostas. Elas só aparecem sob a forma de insultos ou de acusações pessoais:

– Aécio, com 17 anos, foi assessor do pai, deputado da Arena. Pegou uma boquinha no Rio, onde morava com a família, sem trabalhar.

– Dilma foi guerrilheira. Participou de assaltos e da luta armada.

– Aécio vai melhorar a economia contra a estagnação do Mantega.

– Não me faz rir? Com o Armínio Fraga e seu pacote recessivo para encantar a especulação internacional e dar dinheiro aos ricos?

A eleição virou uma disputa entre as revistas Veja e CartaCapital ou entre um pretenso Robin Hood e um xerife de cuecas. Os debates têm sido sangrentos e assustadores. A mídia adora, mas faz pose e discursa contra a baixaria quando sente que o seu candidato pode ter levado um soco capaz de fazê-lo beijar a lona do ringue.

– Virou a casa da mãe joana – reclama uma dona de bordel.

 




Dilma e Aécio na Record: executivo e investigações

Postado por Juremir em 20 de outubro de 2014 - Uncategorized

O debate da Record entre os candidatos à presidência foi de bom nível.

A mídia agora faz seu jogo duplo de sempre. Primeiro, criticou a “baixaria”, que, na verdade, era a exposição de problemas envolvendo os candidatos como cidadãos – caso do bafômetro – ou como políticos – casos de nepotismo. Agora, com o TSE coibindo a exploração desses tópicos, indevidamente, pois ajudam os eleitores a conhecer o caráter e as atitudes dos candidatos, e os próprios interessados baixando o tom, a mídia acha que ficou mais tediosa a discussão.

Foi um excelente debate.

Aécio manteve o sorriso debochado que o torna arrogante e indigesto para muitos.

Dilma manteve-se enrolada, o que  torna confusa e indigesta para outros tantos.

A tônica do debate foi um jogando na cara do outro os malfeitos dos seus partidos e governos.

No popular, quem roubou mais.

Aécio foi malandro ao dizer que no seu partido não tem condenados. Não foram julgados.

Dilma rebateu que não arquivou nem impediu investigações.

Aécio disse que o executivo não tem poder para impedir investigações.

Tem. E muito. O executivo pode mobilizar tropas para impedir CPIs. Acontece toda hora. O delator Paulo Roberto Costa, que, de maneira equânime, acusa PT, PMDB e PP de receber propinas em negócios da Petrobrás, acusa também o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, já falecido, de ter recebido R$ 10 milhões para abafar justamente uma CPI da Petrobrás.

De quebra, o temível Costa mandou bala também contra a ex-ministra Gleisi Hoffmann, que teria recebido R$ 1 milhão para sua campanha ao Senado pelo Paraná. A moça, como todos, nega e se mostra surpresa e indignada.

O executivo controla o principal organismo de investigação: a Polícia Federal.

Por fim, o executivo escolhe o Procurador-Geral da República, responsável pela apresentação de denúncias. Alguns, como Roberto Gurgel, são mais independentes e disparam sem constrangimentos contra quem os nomeou. Outros, como o famoso Geraldo Brindeiro, engavetam tudo de acordo com suas inclinações políticas ou conforme o humor do dia.

Nas contas de malfeitos dos últimos 20 anos, PT e PSDB empatam. Para quem acha que não, Dilma repetiu os cinco probleminhas tucanos – Sivam, Pasta Rosa, emenda da reeleição de FHC, mensalão mineiro e propinoduto de São Paulo.

O PT leva de goleada em investigações e julgamentos. Casos como o da emenda da reeleição ficaram pelo caminho. Outros, como o mensalão tucano, continuam na fila para, quem sabe, se não prescrever, chegar a julgamento algum dia.

Por quê?

Ninguém sabe.

O Brasil precisa de um choque de investigação e de um choque de julgamentos.

O mensalão mineiro deveria ser julgado pelo STF como aconteceu como o mensalão petista.

O debate foi bom. Uma análise desapaixonada, fria e sem comprometimentos, como manda a cartilha do bom comentarista, indica o caminho da conclusão. Não teve ganhador. Cada candidato teve altos e baixos.

Até propostas apareceram.

Incrível.

 




Tarso e Sartori na Record-RS

Postado por Juremir em 19 de outubro de 2014 - Uncategorized

Tarso e Sartori debateram na Record-RS.

Mantiveram o nível bem elevado.

O Rio Grande do Sul não tem praticado o pugilato nacional.

Foi um confronto de pequenas ironias, de algumas provocações e de firmeza de parte a parte.

Tarso mostrou dominar bem todos os assuntos em pauta.

Sartori foi incisivo nas críticas que vem repetindo.

A impressão que fica é que falam para quem já se decidiu.

Entre eles, não há espaço para dúvidas.

Apesar de só querer olhar para o futuro, Sartori falou do passado. Criticou o PT por ter perdido a Ford.

Defendeu a renegociação da dívida do RS com a União, feita no governo de Antonio Britto, como tendo sido benéfica.

Pena que nas redes sociais o nível dos partidários dos dois candidatos não é o mesmo.


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Costa empata o jogo da corrupção entre PT e PSDB

Postado por Juremir em 18 de outubro de 2014 - Uncategorized

O delator Paulo Roberto Costa levou o Brasil à lona.

Depois de afundar PT, PMDB e PP na lama das propinas pagas com negócios entre empreiteiras e a Petrobrás, fazendo a alegria dos tucanos, Costa resolveu empatar o jogo e denunciou o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, por ter pedido, segundo ele, R$ 10 milhões para abafar uma CPI que se propunha a investigar a sujeira sob o tapete da petroleira brasileira.

E agora?

Em terra de gatos políticos todos são pardos na longa noite da corrupção?

O que dirão disso os colunistas tucanos Merval Pereira, Lobão, Arnaldo Jabor e Reinaldo Azevedo?

O que dirá sobre isso a capa da revista Veja?

Nada? Tudo? Um pouco? O que dirá o Jornal Nacional?

Um analista distanciado diz: pobre Brasil, tantos negócios, tantos negociantes.

Todos iguais.

Petistas acreditarão na segunda parte do depoimento de Costa.

Tucanos ficarão com a primeira.

Peemedebistas não comentarão.




O princípio hologramático na propaganda de Sartori

Postado por Juremir em 17 de outubro de 2014 - Uncategorized

José Ivo Sartori e Tarso Genro são dois excelentes candidatos.

Admiro os dois e penso que o RS ficará bem com qualquer um deles.

Representam visões opostas de gestão da res publica.

Ambas legítimas e democráticas.

Dito isso, um pequeno ensaio…

A propaganda política de José Ivo Sartori foi a que mais me chamou a atenção. Tecnicamente perfeita, apostou na transformação do político num ser apolítico, “acima de qualquer briga, acima de qualquer sigla, acima da esquerda, acima da direita”…

O princípio hologramático, concebido por Edgar Morin, diz que a  parte está no todo, que está na parte, como estamos em cada uma das nossas células. Um partido político é a parte que busca o poder para representar o todo. A propaganda de Sartori sugere que o partido do seu oponente é a parte pela parte, sem o todo. É uma crítica plausível e dentro das regras do jogo.

Em contrapartida, a propaganda de Sartori sugere que ele será o todo sem a parte, o PMDB. Se houvesse um Procon da propaganda eleitoral, o eleitor poderia reclamar de propaganda enganosa. Como estaria acima de qualquer sigla aquele que representa um partido? Como estaria acima de qualquer briga aquele que disputa uma eleição? Como pode estar acima da esquerda e da direita aquele que tem posição no espectro político?

Sartori é um candidato. Por que a sua propaganda tenta situá-lo, ao contrário do que ele mesmo sempre defende, como o que ele não é? Colocá-lo fora de tudo não é uma forma de desinformar o eleitor? Por que o Rio Grande do Sul valoriza uma forma de dissimulação pela qual já se elegeram dois candidatos, que se apresentaram como estando fora da polarização, embora um fosse do PMDB e outro, Yeda Crusius, tenha contado com o apoio do PMDB? Que eleitor é esse que prefere acreditar na propaganda a encarar a realidade da política como partes em disputa pelo direito de governar para o todo?

Por que a mídia costuma se mostrar cansada de polarização quando o próprio da política em qualquer lugar é a oposição persistente de projetos e de visões de mundo, ainda mais quando esses projetos têm conteúdo?

A propaganda de Sartori busca um eleitor que parece ter problemas com crítica – quem bate, perde -, como se a crítica fosse algo negativo em si e não pela pertinência ou impertinência dos conteúdos. Não seria mais verdadeiro, ética e sincero assumir-se como parte contra parte em nome do todo? Guy Debord diz que o “espetáculo se apresenta como uma enorme positividade”, não diz “nada além de o que é bom aparece, o que aparece é bom”. O que significa enorme positividade? A ideia de que toda crítica, por ser negação, é ilegítima, ressentimento, inveja, ódio e incapacidade de aceitar que o bom aparece e que o que aparece é bom.

A propaganda de Sartori faz a política do espetáculo: o candidato aparece porque é bom e é bom porque aparece. Toda crítica a ele é rejeitada previamente como negatividade, briga, parte, partidarismo, saturação, ataque. Em vez de buscar o contraponto, a estratégia de Sartori busca fixá-lo fora do ponto, situá-lo alhures, num não lugar ideológico impossível, inexistente.

Que eleitor é esse que se deixar seduzir por um efeito inverossímil de pacificação, uma jogada de marketing repetida, uma embalagem bege? O mesmo que impede os candidatos nacionais de falarem em aborto, LGBT e legalização das drogas?

Qual o limite da propaganda? Em linguagem publicitária, a propaganda de Sartori anuncia uma coisa e terá de entregar outra.

Se eleito, Sartori governará o todo a partir de uma sigla, o PMDB, parte que já comprou muitas brigas e que olhará para o passado, pois, quando fala de propostas, insere-se numa série histórica começada com Antonio Britto, o que se vê em questões como pedágios, tamanho do Estado, participação de empresas privadas nas ações governamentais e por aí vai.

Absolutamente legítimo. A propaganda de Sartori, contudo, passa a ideia de que estrategicamente não dá para ser claro com o eleitor agora sobre essa visão de gestão. Daí certamente a estratégia de não olhar para trás. Essa opção está pagando. Sartori lidera nas pesquisas e poderá ser eleito. Mas é uma estratégia ética? Não flerta com a despolitização? Não é uma forma de enganar o “consumidor” – tratando o candidato como um produto total – ou seja, o eleitor, fazendo-o crer que vota numa terceira via quando se trata de uma das vias da eterna polarização dominante no Rio Grande do Sul?

Ou se trata de dar ao eleitor o que ele quer, ser enganado com a promessa de paz e amor?

Alguns verão, como sempre, nesta reflexão uma simpatia por um polo. Ledo engano.

São dois ótimos candidatos, sérios, respeitáveis e dignos.

Mas Sartori não pode se colocar acima daquilo que é, o candidato de uma parte.

Abre a guarda para que Tarso o acuse de dissimulação.

Em linguagem vulgar, essa estratégia pode ser vista como uma espécie de trapaça.

Em se tratando de lógica, um sofisma.

O outro poderia gritar: “Não vale˜.

É um lance argumentativo astucioso que ludibria o destinatário.

Pode isso, Arnaldo?

Não deveria poder.

É quando o marketing se torna excessivo e o slogan toma o lugar do argumento.




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