Porto Alegre, 25 de Outubro de 2014

sabedoria centenária em época de eleição

Postado por Juremir em 25 de outubro de 2014 - Uncategorized

Um comentarista político encontrou um ancião no alto de um morro. O sábio colocou um livro do Paulo Coelho de lado para atender o peregrino, que ficou um pouco chocado com a leitura do mestre. Como já tinha andado até o monte (morro não soa bem na retórica da magia e do esoterismo), embora tenha feito uma parte do caminho de ônibus, resolveu ouvir as palavras do velho. Detestava perder as viagens.

– Aproxime-se, filho.

– Mestre Santiago, estou em dúvida…

– Entre Aécio e Dilma?

– Não, não…

– Então me diga em quem votar, filho.

Que droga de mestre, pedindo conselho. Ficou paralisado. Um gato veio se roçar nas pernas magras do anfitrião, que o acariciou:

– É o Mujica – disse, enlevado, antes de rir com gosto.

– Mestre, eu queria saber se devo…

– Votar em Tarso ou em Sartori…

– Não, não…

– Então, filho, me diga, que eu ainda não sei. Gosto dos dois. Também gosto da Dilma e do Aécio. Sou liberal de manhã, neoliberal de tarde e intervencionista de noite. É a minha veia complexa que me domina.

Estava difícil de falar. O mestre parecia ter mais dúvidas do que o discípulo e só estar interessado na disputa eleitoral. Para se livrar do assunto e abrir caminho ao que lhe interessava, sugeriu:

– Vote nulo, mestre. É o que eu vou fazer.

– Isso é uma ironia?

– O mestre não sabe identificar uma ironia?

– Sou péssimo em jogos de linguagem.

Ficaram em silêncio durante longos segundos. O mestre parecia atônito. O discípulo aguardava que o veterano digerisse a informação. Por fim, falando pausadamente, o velho sábio começou a ponderar.

– A ironia, filho, é muito perigosa. Ela faz pensar. Dá muito trabalho. Há quem, como eu, não entenda e até se confunda. O máximo de ironia que consigo compreender é o que diz o Felipão. Ou o Dunga. O bom de votar nulo é que assim não se precisa esconder o voto.

– A sua simplicidade me comove, mestre.

– Tenho aprendido muito lendo o Paulo Coelho.

– O senhor?

– Sim. Tenho aprendido a ser humilde. Depois, vou ler José Sarney.

– Sarney?

– Não devemos ter preconceitos.

O discípulo começou a se preparar para o retorno. Sentia-se de mãos vazias. O seu amado mestre não passava de um idiota. Como não percebera antes? Ficava no alto de um morro lendo porcaria. Não conseguia nem sequer escolher sozinho um candidato em quem votar. Começou a andar. Nem se despediu. O velho ficou alisando o dorso do seu gato Mujica, que contemplava o céu como se fosse de porcelana. Depois de quatro passos, estacou. Uma ideia iluminou-lhe o rosto.

– Mestre, o senhor estava sendo irônico?

 




Mídia e política no Brasil desde 1950: tudo se repete?

Postado por Juremir em 24 de outubro de 2014 - Uncategorized

Afirmação do jornalista Carlos Lacerda, em 1950: “Vargas não deve ser candidato. Se for candidato, não deve ser eleito. Se for eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar. Se tentar governar, deve ser deposto”.

A mídia brasileira não aprendeu muito desde lá?

Lacerda, em 1954, cavando o túmulo de Vargas:

“Somos um povo honrado governado por ladrões”.

O Diário Carioca, em 1954, pedindo a saída de Getúlio:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jornal do Brasil, em 1954, anunciando o que jamais aconteceu:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Correio da Manhã, em 1964, chafurdando no golpismo:

“Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!”

Revista Veja, antecipando sua edição, em 2014.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E agora?

Verdade esclarecedora ou mais uma tentativa de golpe midiático?




O Brasil mostrou sua cara nas eleições 2014

Postado por Juremir em 24 de outubro de 2014 - Uncategorized

A hora da urna chegou.

O Brasil mostrou-se dividido como sempre esteve.

A máscara caiu. A luta de classes ressurgiu das cinzas.

The Economist falou em “direita cashmere”.

É uma variante da direita Miami mais sofisticada.

Mas teve também a esquerda delirante.

Ricos e pobres engalfinharam-se.

Categorias profissionais fardaram-se para a disputa eleitoral.

Nunca se falou tanto em política.

A mídia tomou partido.

Veja antecipou a sua edição desta semana para tentar influenciar o resultado.

Ainda tem um debate.

A tendência é que seja uma carnificina.

Nunca o nível foi tão baixo.

Poucas vezes tantas verdades foram jogadas na cara dos candidatos sem a menor delicadeza.

Será que os institutos de pesquisa vão errar mais uma vez?

Os dados estão quase lançados.

Aécio bateu com as duas mãos.

Dilma aprendeu no tranco a gaguejar menos e a dar o troco com mais firmeza.

No Rio Grande do Sul, na reta final, o pau comeu.

Não existe campanha política feita só de amabilidades.

Tudo depende das estratégias de marketing.




Sartori e Tarso debatem na Guaíba

Postado por Juremir em 22 de outubro de 2014 - Uncategorized

Nos últimos dias da campanha, o tom entre Sartori e Tarso subiu.

O candidato petista atacou o que tem rotulado de falta de proposta do peemedebista.

Sartori deixou o lado paz e amor e disparou contra o que chamou de mentiras da “tropa de choque” petista.

Tudo é explorado e criticado.

O debate da Rádio Guaíba, a partir das 13h30 desta quarta-feira, tem tudo para pegar fogo.

 


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Duelo em OK. Brasil eleitoral: quem é mais ladrão?

Postado por Juremir em 21 de outubro de 2014 - Uncategorized

Quem roubou mais?

– Você é ladrão.

– Você também.

– Mas você roubou mais.

– Eu? Não roubei um décimo do que você roubou.

O Brasil chega ao final da corrida eleitoral de 2014 mergulhado numa triste competição: quem roubou mais? O grande eleitor nacional chama-se Paulo Roberto Costa é só não está mais na cadeia porque aceitou se transformar no delator mais temido da nação. Costa, no primeiro lance, fulminou PT, PMDB e PP, acusados de transformar negócios da Petrobrás em propinas combinadas com empreiteiras amigas para abastecer campanhas. Um mensalão dois. O colunismo lacerdinha, com toda razão, vibrou e destacou a nova falcatrua capaz de levar o PT à lona na eleições presidenciais. Aí Costa empatou o jogo e denunciou o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, por ter cobrado R$ 10 milhões, que teriam sido pagos pela construtora Queirós Galvão, para abafar uma CPI que pretendia fuçar nos negócios da Petrobrás.

– Empatou uma ova – berra um militante tucano. – E a Gleisi?

A repercussão em certos de órgãos de imprensa não foi a mesma. A tropa de choque do colunismo antiPT não se emocionou com a notícia. A eleição está sendo jogada entre petistas e antipetistas igualmente fundamentalistas e xiitas. Tem eleitor que vota num poste desde que o poste seja contra o PT. Tem eleitor que surta ao pensar em tucanos. A verdade é que colou no PT a pecha de corrupto. O noticiário não desmente essa ideia constrangedora, mas insiste em igualar os contendores, o que parece não ser levado em conta pela claque de cada um. Dilma fingia não tomar em consideração as denúncias de Paulo Roberto Costa contra o PT e seus aliados. Passou rapidamente a dar crédito ao delator quando ele citou o tucano, já falecido, Guerra. Aécio Neves fez o caminho contrário. Acreditou na primeira parte do que Costa disse e finge não ter ouvido a parte sobre Sérgio Guerra.

 

– Somos a mudança – dizem os tucanos.

¬– Vocês são o retrocesso – rebatem os petistas.

Em matéria de Petrobras, se Paulo Roberto Costa for o juiz da pendenga, nunca se sairá do empate técnico. O eleitor desapaixonado fica aturdido: em quem acreditar? Melhor ver as propostas. Elas só aparecem sob a forma de insultos ou de acusações pessoais:

– Aécio, com 17 anos, foi assessor do pai, deputado da Arena. Pegou uma boquinha no Rio, onde morava com a família, sem trabalhar.

– Dilma foi guerrilheira. Participou de assaltos e da luta armada.

– Aécio vai melhorar a economia contra a estagnação do Mantega.

– Não me faz rir? Com o Armínio Fraga e seu pacote recessivo para encantar a especulação internacional e dar dinheiro aos ricos?

A eleição virou uma disputa entre as revistas Veja e CartaCapital ou entre um pretenso Robin Hood e um xerife de cuecas. Os debates têm sido sangrentos e assustadores. A mídia adora, mas faz pose e discursa contra a baixaria quando sente que o seu candidato pode ter levado um soco capaz de fazê-lo beijar a lona do ringue.

– Virou a casa da mãe joana – reclama uma dona de bordel.

 




Dilma e Aécio na Record: executivo e investigações

Postado por Juremir em 20 de outubro de 2014 - Uncategorized

O debate da Record entre os candidatos à presidência foi de bom nível.

A mídia agora faz seu jogo duplo de sempre. Primeiro, criticou a “baixaria”, que, na verdade, era a exposição de problemas envolvendo os candidatos como cidadãos – caso do bafômetro – ou como políticos – casos de nepotismo. Agora, com o TSE coibindo a exploração desses tópicos, indevidamente, pois ajudam os eleitores a conhecer o caráter e as atitudes dos candidatos, e os próprios interessados baixando o tom, a mídia acha que ficou mais tediosa a discussão.

Foi um excelente debate.

Aécio manteve o sorriso debochado que o torna arrogante e indigesto para muitos.

Dilma manteve-se enrolada, o que  torna confusa e indigesta para outros tantos.

A tônica do debate foi um jogando na cara do outro os malfeitos dos seus partidos e governos.

No popular, quem roubou mais.

Aécio foi malandro ao dizer que no seu partido não tem condenados. Não foram julgados.

Dilma rebateu que não arquivou nem impediu investigações.

Aécio disse que o executivo não tem poder para impedir investigações.

Tem. E muito. O executivo pode mobilizar tropas para impedir CPIs. Acontece toda hora. O delator Paulo Roberto Costa, que, de maneira equânime, acusa PT, PMDB e PP de receber propinas em negócios da Petrobrás, acusa também o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, já falecido, de ter recebido R$ 10 milhões para abafar justamente uma CPI da Petrobrás.

De quebra, o temível Costa mandou bala também contra a ex-ministra Gleisi Hoffmann, que teria recebido R$ 1 milhão para sua campanha ao Senado pelo Paraná. A moça, como todos, nega e se mostra surpresa e indignada.

O executivo controla o principal organismo de investigação: a Polícia Federal.

Por fim, o executivo escolhe o Procurador-Geral da República, responsável pela apresentação de denúncias. Alguns, como Roberto Gurgel, são mais independentes e disparam sem constrangimentos contra quem os nomeou. Outros, como o famoso Geraldo Brindeiro, engavetam tudo de acordo com suas inclinações políticas ou conforme o humor do dia.

Nas contas de malfeitos dos últimos 20 anos, PT e PSDB empatam. Para quem acha que não, Dilma repetiu os cinco probleminhas tucanos – Sivam, Pasta Rosa, emenda da reeleição de FHC, mensalão mineiro e propinoduto de São Paulo.

O PT leva de goleada em investigações e julgamentos. Casos como o da emenda da reeleição ficaram pelo caminho. Outros, como o mensalão tucano, continuam na fila para, quem sabe, se não prescrever, chegar a julgamento algum dia.

Por quê?

Ninguém sabe.

O Brasil precisa de um choque de investigação e de um choque de julgamentos.

O mensalão mineiro deveria ser julgado pelo STF como aconteceu como o mensalão petista.

O debate foi bom. Uma análise desapaixonada, fria e sem comprometimentos, como manda a cartilha do bom comentarista, indica o caminho da conclusão. Não teve ganhador. Cada candidato teve altos e baixos.

Até propostas apareceram.

Incrível.

 




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