De volta ao cotidiano
Uma noite no Andrés Carne de Res
Andrés Carne de Res é o lugar mais fashion da balada de Bogotá.
Tem nome de churrascaria.
Alguma analogia com passado mítico de conquistadores, tipo Alvar Nuñez Cabeza de Vaca.
Come-se lá um ótimo assado.
Por exemplo, um lomo al trapo.
Andrés Carne de Res fica na Zona Rosa da capital colombiana, os jardins deles, a Padre Chagas de Bogotá.
Tem também na periferia, em Chía.
Um espetáculo.
Em quatro andares: Inferno, Terra, Purgatório e Céu.
Ficamos logo no inferno.
É um dos lugares mais malucos que já vi.
Decoração hipermoderna.
Bar bailadero, dizem eles.
Fomos lá em noite de carnaval.
Barranquilla em Bogotá.
Andresito Carnaval.
Uma mistura de gêneros, estilos e ritmos.
Nunca vi tantos garçons.
Todos jovens, guris e gurias, estudantes.
Dois por mesa.
Uma Bogotá estranhamente branca.
Muita fantasia e colorido.
No balcão, um cara e uma gata.
Ele era guapo.
Ela, a gostosa da festa.
Fiquei bebendo vinho e pensando como ele faria para levar aquela rês para a cama.
Rês é machista?
Gata, não?
Bem, é só para ficar no clima do nome do lugar.
O cara queria pegar aquela chica.
Mas como?
Pois, obviamente, esse era o seu objetivo.
Ficaram horas só no lero.
Olho no olho.
Sem pressa.
E a festa rolando em cima, ao lado, embaixo.
E que bailen las muchachas.
Ritmos caribenhos, latinos, rumba, tudo.
E muito néon.
Gente chegando em pencas.
Couvert de 40 mil pesos (menos de 40 reais).
Tudo isso com boa luminosidade.
Se fosse em Porto Alegre, seria no escuro, uma mania que atinge até botecos onde se vai para conversar.
De repente, o cara e a gostosa levantaram.
E começaram a bailar.
Meus Deus, o que dançavam aqueles dois.
Nossa, o que bailava aquele muchacho.
Deslizavam, planavam.
Nem El Juli, na Plaza de Toros, no dia seguinte, faria melhor.
Não tive dúvida, estava no papo.
Até nos lembraram nossos amigos gaúchos Carol e Celso, dois que sambam muito.
Andresito Carne de Res é tão bom quanto a Catedral de Sal, cerca de 40 minutos de Bogotá, obra de arte religiosa e turísitica, contruída, a nova versão, há 16 anos, dentro de uma minal de sal, em Zipaquirá.
Caímos na festa.
Perna de pau, mas trajado a rigor, corajoso e entusiasmado.
O vinho era bom.
De manhã, não me senti com cabeça de rês.
Serviço de utilidade pública:
Receita de Lomo al Trapo
Ingredientes
- 1 lomo de 1kg
- Tres dientes de ajo
- Pimienta al gusto
- Tomillo
- 1kg de sal de mar o sal piedra
- 1 lienzo de cocina
- Agua para empapar el lienzo
Preparación
Condimentar el lomo con pimienta, tomillo y ajo machacado, empapar el lienzo con agua y colocar una capa gruesa de sal de piedra en este, colocar el lomo condimentado sin partir, envolver el lomo con el lienzo, llevarlo a la brasa por cuarenta minutos, rebanar y servir.
Uma tourada em Bogotá
Estivemos viajando.
Fomos à Colômbia.
Cartagena de Índias, Ilha de San Andrés e Bogotá.
País bonito, gente simpática e de bom humor.
Mas, como em todo lugar, a humanidade sempre encontra um jeito de mostrar que não é confiável.
Não estou falando da guerrilha e do narcotráfico, que continuam fazendo estragos na vida dos colombianos.
Estou falando de touradas.
Fomos ver uma corrida na Plaza de Toros de Santa Maria, no centro de Bogotá.

Era domingo. Encerramento da temporada.
Alguém me dissera que um toureiro se despediria.
Leitor de Hemingway, que era apaixonado por touradas, não quis perder a ocasião.
Romantizei a despedida do combatente.
Fomos à luta.
Próximo ao local, muita polícia armada até os dentes.
E uma manifestação de defensores dos animais em favor da proibição das touradas na Colômbia.
O prefeito de Bogotá é um dos defensores da abolição das touradas de morte.
Seguimos em frente.
Primeira surpresa: um grupo de brasileiros sobre as escadas íngremes da Plaza de Toros cantando com humor:
– Ai, assim você me mata…
Era a turma do brasileiro Aloísio Mercadante.
O ministro da Educação, em férias, instalou-se na mesma fileira que nós, a 23, uma das mais baratas.
*
Na arena circular, três matadores: Pepe Manrique, Julián Lópes Escobar, conhecido como El Juli, e Alejandro Talavante.
E seis touros, entre os quais Luchador, Concertista e Sembrador.
Na plateia, velhos, jovens, gurias bonitas, senhoras elegantes, torcedores e autoridades.
Ao meu lado, o reitor de duas universidades.

No setor adequado, Alejandro Maldonado, Procurador-Geral da Nação.
Um espetáculo de cores, gritos, hinos e emoção.
Eu que, quando guri, matei boi a marretada, fiquei chocado com o que vi.
Todo mundo já viu uma tourada no cinema ou na televisão.
Presencial é outra coisa. Assustador.
Nojento, pavoroso, asqueroso, infame.
•
Em Palomas, o resumo seria este: um bando de marmanjos covardes “judiando” de um animal condenado à morte.
O touro não tem ponto de fuga.
Cai na arena circular e dali sai morto, arrastado por cavalos ou mulas.
Para escapar vivo, o que raramente acontece, só se não lutar ou der trabalho demais.
A tourada, segundo o folheto promocional da organização, é um ritual de sacrifício.
Em outras palavras, uma cerimônia de abate.
A Plaza de Touros é um abatedouro, um matadouro.
Produz-se “ludicamente” carne para comer.
Abate-se o animal sob os aplausos dos animais da plateia.
Abate-se o animal submetendo-o à tortura lenta, ritual, festejada e repugnante.
*
O touro entra na arena e enfrenta uma quadrilha (esse é o nome que se dá): o matador e seus assistentes.
A luta é tremendamente desigual.
As chances dos touros são mínimas.
Torci por eles. Mesmo não querendo a morte dos idiotas que os maltratavam.
Os auxiliares, uns poltrões, provocam o touro e correm para se abrigar atrás de barreiras dispostas ao longo do círculo. Um, mais gordo, quase entalou na hora de esconder.
O matador dá alguns dribles no touro ainda inteiro para aquecer o jogo e mostrar-se.
Entra o picador, com uma lança longa, numa montaria coberta com uma saia.
Espetáculo medieval, cena de sessão da tarde com morte real.
O picador enfia a lança, com uma lâmina piramidal na ponta, a puya, no dorso do bicho.
Desesperado, o animal ataca a montaria, que, muitas vezes, sofre graves ferimentos.

A partir daí, ferido, o touro baixa a cabeça e caminha para a morte.
•
O matador traz o animal para o centro do círculo.
El Juli foi fenomenal.
Humilhou o touro até agarrá-lo pelo rabo.
Que façanha! Que inutilidade! Que bravata!
A plateia joga rosas, grita olé a cada finta, exulta.
O toureiro encontra tempo para vir até junto do público exibir-se diante das autoridades.
O bicho só persegue a muleta, o pano vermelho em movimento diante dos seus olhos.
Mesmo quando o homem afasta-se, de costas, ele fica imobilizado.
O toureiro pode aproximar-se e colocar a capa para trás, ficando olho no olho com o touro, que só avança novamente quando a capa é outra vez agitada diante dos seus olhos certamente sombreados pela morte.
•
Os bandarilheiros entram em cena.
Cada homem carrega dois ferros, chamados de farpas, duas lâminas de cinco a sete centímetros com um enfeite de papel de seda, uma espécie de cabo branco ou colorido com um arpão na ponta.
Avançam para o touro na corrida e fincam nos pontos já feridos as tais farpas.
Os músculos do bicho vão sendo rasgados.
A parte branca das bandarilhas fica feito uma bisnaga suja de sangue pendendo do dorso do touro.
Se uma farpa cai, a massa vaia.
O sangue brota.
O touro sofre.

*
A tourada é o prazer humano com o sofrimento do animal.
Um espetáculo bárbaro para gosto de sádicos.
A mitologia da coisa fala em vitória da inteligência sobre a força bruta.
É o triunfo da força organizada contra uma força quase indefesa.
O touro não sabe trapacear.
Poderia fingir um ataque ao pano e, no impulso, desviar-se para o homem.
Não o faz.
Os organizadores garantem que pior é o que acontece nos matadouros industriais.
Pode ser. Mas, ao menos, não vamos lá para aplaudir.
A tourada é um jogo grotesco.
O touro é o bobo da corte.
Sai do corredor da morte para o seu fim em 20 minutos.
Alguém exclamou quando o segundo touro entrou na arena: “Vai morrer!”
Dito e feito.
Alguns minutos depois, o touro era uma enorme posta de carne arrastada para fora da arena.
Deixa rastro de sangue no chão.
Sai sem solenidade nem pompa.

Apenas uma carcaça produzida sob a vibração trabal dos animais irracionais da plateia.
•
Se a plateia gosta muito do desempenho de um toureiro, agita panos brancos.
O juiz pode conceder ao toureiro o direito de cortar uma orelha do touro.
Ou as duas.
Ou as duas e o rabo.
Num caso desses, o triunfo é absoluto.
O toureiro sai carregado nos ombros do público.
Sai como herói.
Matou o touro que dificilmente poderia matá-lo.
Ao menor perigo, entram em cenas os parceiros de quadrilha.
•
Os toureiros, com suas meias rosas, andam empinados, garbosos, orgulhosos, cheios de empáfia.
Sorriem felizes.
Ava Gardner gostava de dar para toureiros.
García Lorca também.
Eles parecem inumanos, monstros de coragem.
São monstros de crueldade.
Domingo, 19 de fevereiro de 2012, conheci três canalhas: Pepe Manrique, El Juli e Alejandro Talavante, que precisou enfiar sua espada três vezes, até que ela desapareceu por inteiro, para matar o seu desafiado.
Um herói da sordidez medieval em tempos hipermodernos.
*
Depois de três touros, batemos em retirada.
Na saída, perguntei ao ministro Mercadante se estava gostando.
Disse que sim, que já tinha visto touradas no Equador, etc.
Não o culpo. Nem o condeno.
Eu também estava lá.
*
Vi a palavra vomitório no alto de um portão.
Em espanhol, indica o local com os assentos para o público.
Cheguei a pensar que era para quem, como eu, estava com nojo.
Ninguém estava com ânsia do vômito.
Queriam mais. Mais sangue, mais tortura, mais sofrimento.
Chega um momento em que o bicho começa a arfar.
Todo o seu ventre treme.
Não ouvi, porém, um só mugido.
Quando cai, um homem enfia-lhe uma faca no pescoço.
O Procurador-Geral da Nação declarou na saída: “As touradas são atos civilizadores”. Uau!
Alegou que se trata de uma tradição cultural e que devem ser preservadas.
É o relativismo antropológico barato que viceja por aí.
Segundo ele, é um combate entre razão e força bruta, com vitória da razão.
Com certeza ele não pensa.
•
A Colômbia não está sozinha. México, Espanha, Portugal, França e outros países gostam dessa maldade.
Nunca vi nada mais hediondo.
Só, talvez, rinha de galo.
O Brasil também tem as suas maldades, da farra do boi aos rodeios.
Uma parte considerável da humanidade adora violência.
E sempre encontra discursos para justificá-la: ritual, disciplina, catarse, o escambau.
É infâmia mesmo.
Pura estupidez.
A infâmia que o fanfarrão do Hemingway tanto gostava.
Artistas afetados adoram um exotismo.
Não sei se algum toureiro se despediu no último domingo, em Bogotá.
Eu, sim.
Pobres touros, tão selvagens, tão pesados, tão brutais.
Nada, porém, que os comparece com seus matadores.
Ainda estou tentando tirar do corpo a sensação de morte.
Uma fábula hipermoderna na Campus Party
Os sinais de um novo tempo precisam ser capturados.
Eles trazem aflição para alguns e alegria para outros.
Normalmente revelam contradições que, com o tempo, dissolvem-se em novos imaginários.
A era da propriedade intelectual e do direito autoral está no fim.
Na Campus Party, em São Paulo, jovens vibram com a nova realidade.
Assistem a uma palestra sobre os perigos da regulamentação da internet.
Ouvem mais um brado em nome da internet livre.
Gritam contra as corporações capitalistas beneficiadas pelo anacronismo da propriedade intelectual.
Alguns, mais entusiasmados, vibram com o prenúncio do fim da maldita propriedade privada.
Os mais exaltados urram contra Sopa, Pipa, Acta e demais tentativas de repressão à liberdade do conhecimento.
Denunciam legisladores e policiais, esses aparatos da classe dominante para manter seus privilégios.
Condenam os reacionários que não compreendem o avanço tecnológico, esses idiotas que não entendem a internet, que não percebem que um mundo ficou para trás, esses homens anacrônicos, esses dinossauros do impresso.
Um slogan se impõe: fazer download não é pirataria.
Outro: falar pirataria é conservadorismo e ignorância.
Ao sairem da palestra, um rebuliço.
Computadores sumiram.
Sumiram?
Foram roubados.
Os jovens gritam: pega ladrão!
A polícia é chamada.
Dois garotos travam um diálogo inverossímil:
– Levaram meu PC, cara. Que sacanagem!
– Isso não pode ficar assim, brother.
– Claro que não. Meu HD de 30 terabytes, cara!
– Cheio?
– Cheinho. Baixei tudo o que deu.
– Legal?
– Pô, cara, tá me zoando? Alguém vem aqui para baixar troço legal com uma internet dessa velocidade?
– Só tava testando você.
A polícia prende um suspeito.
A turma mais radical quer linchá-lo.
O cara tenta enfrentar a galera:
– Vocês não baixam os troços dos outros?
Fecha o pau.
A polícia mal consegue proteger o “criminoso”.
Um carinha com ar de ingênuo resolve explicar:
– Quando a gente baixa um arquivo, o dono dele não o perde. É uma cópia.
– Dã! – exclama o “meliante”.
– Quando você pega o computador, a gente fica sem ele.
– Dã!
– Quando você pega o arquivo de alguém, você fica com o trabalho dele, que não recebe de você nada em troca – explica o totalmente inverossímil ladrão de computadores, representante rasteiro dos defensores da propriedade intelectual, tentando certamente salvar a sua pele com uma desculpa mal bolada.
– Dã! – exclama, por sua vez, o guri do computador roubado.
Fim, para bem ou para mal, de uma época.
*
Resta a realidade.
Na Folha.com:
“Participantes da Campus Party denunciam furto de PCs e gadgets; um suspeito foi preso.”
O que teriam dentro?
*
Insuperável é este lamento do Partido Pirata Brasileiro:
“PartidoPirataBR Partido Pirata #PPBr
Ontem tivemos um episódio lamentável, roubaram a sacola de camistas do #PPBr que precisávamos vender na #cpbr5, nossa única fonte de renda.”
Uau! Chamem a polícia.
A nova ministra e o aborto
Existe questão mais complexa, no momento, que a legalização ou não do aborto no Brasil?
Sim e não.
Há muitos problemas complexos.
Todo dilema é complexo.
A pena de morte é do mesmo nível de complexidade. Há quem veja no aborto o pior exemplo de pena morte, a execução de inocentes.
A nova ministra brasileira, Eleonora Menicucci, é favorável à legalização do aborto.
Ela teve a grandeza de abrir o jogo, rompendo a hipocrisia que obriga qualquer pessoa no minado campo político a desviar-se desse assunto maldito. Em seguida, pressionada, ela já amenizou a sua fala.
A legalização do aborto enfrenta resistência de vários setores, entre os quais, religiosos, contrários à eliminação de vidas humanas.
Mas quando, de fato, começa a vida humana?
Países ditos avançados como a França legalizaram o aborto e aboliram a pena de morte. Outros, mesmo muito religiosos, como Itália, Portugal e Espanha, também aceitam legalmente a interrupção voluntária da gravidez dentro de limites estabelecidos pelas condições e conhecimentos atuais da ciência.
O Brasil tem praticado a política do avestruz e evitado debater abertamente a questão. Enquanto isso, milhares de mulheres pobres fazem abortos em condições deploráveis . As mais aquinhoadas, mesmo que seja ilegal, encontram clínicas clandestinas mais preparadas para recebê-las.
Quem tem razão nisso?
Há quem diga que só as mulheres devem opinar sobre essa espinhosa e sensível questão.
Pode ser. Mesmo assim, é um tema que não deixar ninguém de fora, homens e mulheres, pais e filhos, especialistas e leigos, todos serem humanos. Nesse sentido, nosso deputados e senadores precisam dar a cara para bater.
Até quando vamos tapar o sol com a peneira?
Que cada parte se manifeste. Que vença quem for capaz de apresentar o melhor argumento ou de reunir os votos necessários para bater o martelo.
Só o silêncio atual é mortal.
Ceifa vidas na flor da idade.
Devotos têm razões respeitáveis.
Votos, porém, não podem servir de motivo para empurrar tristemente com a barriga de políticos matreiros um problema de saúde pública.
A sociedade precisa decidir.
Os seus representantes devem ter a coragem de abandonar a clandestinidade do silêncio providencial e colocar o tema em pauta.
Será que o mundo dito desenvolvido está errado?
Será que só o Brasil está certo?
Questões para um país.
Minha homenagem ao grande Wando
Morreu o cantor Wando.
Ele era muito brega.
Eu também sou.
A breguice de Wando era o romantismo meloso.
As calcinhas perfumadas distribuídas nos shows.
Assim como as rosas do rei Roberto Carlos.
Pode haver algo mais brega do que ser o “rei”?
Wando era maravilhosamente brega.
Lembro-me de uma manhã, há 30 anos, quando, estudante errante, acordei na casa de um amigo e, desesperado para saber a hora, liguei o rádio e começou a tocar Wando.
O dono da casa apareceu e me botou para fora:
– Na minha casa ninguém escuta Wando.
Eu podia ter explicado, mas não quis.
Fui embora com Wando no coração.
Eu escutava “Moça” e gostava.
Ainda gosto.
Wando era o Michel Teló com sentimento.
Isso mesmo.
Brega com sentimento eu aprovo.
Sou sensível.
Wando também era.
Todos nós, ouvinte de coisas sofisticadas, ouvimos Wando e outros equivalentes quando estamos descornados ou, então, perdemos a oportunidade de experimentar uma boa fossa.
Wando era do também em que se dizia fossa.
E se toma uísque com guaraná.
Wando era dez.
A breguice autêntica, pura, sentida, sofrida.
Não era apenas a breguice da indústria cultural.
Estou de luto por Wando.
Fica aqui a letra da sua canção maior.
Moça
Moça me espere amanhã levo o meu coração pronto pra te entregar
Moça, moça eu te prometo eu me viro do avesso, só pra te abraçar
Moça eu sei que já não é pura, teu passado é tão forte pode até machucar
Moça, dobre as mangas do tempo jogue o teu sentimento todo em minhas mãos
Eu quero me enrolar nos teus cabelos
abraçar teu corpo inteiro, morrer de amor, de amor me perder
Mariana Ximenes, Rafinha Bastos e o Corcovado
Espaço Tom Jobim.
Dentro do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Temperatura de 25 graus.
Noite de lua quase cheia.
Cheiro de plantas.
O Cristo Redentor lá em cima, iluminado, pertinho, pertinho.
Atmosfera de casa no campo.
No palco, Mariana Ximenes na peça Os altruísta.
Uma droga.
Parecia texto de Rafinha Bastos: piadas sobre deficientes mentais, pobres, homossexuais e por aí vai.
Achados brilhantes como este sobre a Etiópia:
Por que Papai Noel não vai à Etiópia?
Porque criança que não come não ganha presente.
Uau!
E a Mariana lá!
Se ficasse no Jardim, sob a lua, sob os braços do Cristo, estaria perfeita.
Rio de Janeiro X Rio Grande do Sul
A cidade do Rio de Janeiro parece cada vez mais caótica.
Quanto mais confusa, mais linda.
É um lugar especial.
Talvez o único onde o velho malandro enrolador Joel Santana sempre tem emprego em clube de ponto. Ah, tem a Bahia. Mas a Bahia não conta. Não é deste mundo.
Agora, na manha do ganso, Tio Jejão vai ser técnico do Flamengo.
Flamengo que é presidido por uma mulher.
E pelo Ronaldinho Gaúcho.
Em que ano Inter e Grêmio serão presididos por mulheres?
Acho que nunca.
Nosso machismo não deixa.
Governar o Estado, tudo bem, mas, nas coisas mais sérias como a dupla Gre-Nal, nunquinha. Só no ano de São Nunca.
Quando Inter e Grêmio serão presididos por negros?
Vai demorar.
Nosso racismo não deixa.
Salvo se for tudo engano da minha parte.
Não tem racismo nem machismo.
Simplesmente mulheres e negros não se interessam por presidir Grêmio e Inter.
Têm coisas mais importantes a fazer na vida.
Ufa!
Eu já estava dando tratos à bola.
Ditadura cubana mostra a sua cara
O que é uma ditadura?
Um país que impede a saída de pessoas que têm os meios para fazê-los e não têm qualquer condenação a cumprir.
Simples assim.
É Cuba.
Não há novidade nisso.
Mas Cuba faz questão de lembrar que é ditadura.
A negativa de visto à blogueira Yoani Sánchez para vir ao Brasil só escancara o que até os postes sabem: Cuba não preza as liberdades individuais.
Agora é a hora de o governo brasileira se pronunciar.
Agora é o momento da Dona Dilma enfiar o pé na porta e atacar o desrespeito à democracia, à liberdade e aos Direitos Humanos pelos seus amigos cubanos.
O Brasil, neste instante, tem motivo específico para uma crítica direta.
Não fazê-lo significará conivência com a ditadura.
E isso nada tem a ver com o embargo americano.
E dizer que tem gente, que se acha moderna e tecnológica, querendo aplicar na internet o conceito de direitos autorais e de propriedade intelectual de Cuba!
Cuba é uma jaula.
Isso não nos absolve dos nossos podres.
Nem melhora a Arábia Saudita.
Nem faz faz do capitalismo que entrou em crise em 2008 um paraíso.
Mas nos lembra que é hora de atacar os podres cubanos.
Será que Dilma vai pipocar?
Será que o Brasil vai amarelar?



















