Porto Alegre, 21 de Agosto de 2014

Mistura bem brasileira

Postado por Juremir em 21 de agosto de 2014 - Uncategorized

O antropólogo Roberto DaMatta fala numa sociologia da morte.

No Brasil, a sociologia da morte é uma boa jogada dos vivos, que continuam mais rápidos.

Tudo se articula, mistura, cozinha e costura: Lula e Paulo Maluf, Aécio Neves e a direita Miami, a inimiga do agronegócio e o amigo da Monsanto. Não tem santo nesse monte. Os mortos não governam os vivos. São apenas cabos eleitorais.

Por aqui, roqueiro troca a rebeldia por um discurso de vovó carola com medo dos comunistas.

Se duvidar, porém, tem quem coma criancinha. Mas só pelos 17.

O médico estuprador viaja pelo mundo e se esconde, com nome falso, no Paraguai. Diz que foi ideia da mulher. Pura perda de tempo. Se tivesse se entregado desde o começo possivelmente já estaria em liberdade. No semiaberto.

Aberto é só para aves que escapam do STF.

E Abel, o treinador do Inter, continua acreditando no “vamos pra dentro deles”.  Sempre que enfia atacantes para virar o jogo, toma na cabeça. Mas sai feliz com o que o “time fez”. E o time, claro, não fez nada além de perder em casa.

O horário eleitoral está divertido demais.

Em três dias, ninguém falou a verdade.

É que a verdade é um conceito do século XIX.

Mas também ninguém mentiu.

É que a mentira é uma questão de ponto de vista.


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Roqueiro é um ultraje ao rigor

Postado por Juremir em 20 de agosto de 2014 - Uncategorized

Deu briga na Flip, a festa literária anual dos lacerdinhas em Paraty.

Roger, da banda Ultraje a rigor, engalfinhou-se com Marcelo Rubens Paiva.

Roqueiro reacionário é o que mais aparece depois que o Lobão virou coxinha. Ou coxão.

Rock faz mal para a cabeça. Consuma com moderação.

Afeta os neurônios. Rock pesado acaba com o cérebro.

Quando tem.

Roger soltou esta: “Não sofri na ditadura porque não estava fazendo merda”.

Começou depois.

Musical.

Roger diz que tem alto QI. Resta saber saber o que isso indica.

Segundo ele, o regime militar era melhor “do que essa ditadura disfarçada que vivemos”.

É um gênio.

Que ultraje.

Só falta o rigor.




Dez especulações sobre Marina Silva

Postado por Juremir em 20 de agosto de 2014 - Uncategorized

1) Poderá, se eleita, na medida em que não terá maioria no Congresso Nacional, ser um novo Collor.

2) Poderá ser um ponto fora da curva confrontando, de algum modo, a visão tradicional da política.

3) Dependerá do PMDB para governar. No RS, há um PMDB com Dilma, outro com Aécio e, por fim, outro com Marina. Em qualquer situação, o PMDB estará no poder. Essa é a grande novidade da eleição de 2014.

4) Terá de adaptar o seu discurso para não ser bloqueada pelo agronegócio.

5) Precisará, em poucos dias, mostrar que tem bala na agulha e que não se beneficiou apenas da comoção provocada pela morte de Eduardo Campos. As pesquisas no começo de setembro apresentação uma fotografia mais realista do quadro eleitoral.

6) Terá de provar que não é adiantada em termos de proposta política e atrasada em termos comportamentais.

7) Encontrará em Beto Albuquerque o complemento de solidez política que lhe falta.

8) Terá de superar a sua falta de experiência administrativa. FHC e Lula também não tinham qualquer experiência administrativa quando chegaram à presidência da República. Dilma nunca tinha sido eleita para qualquer coisa.

9) Precisará mostrar que sua rede é mais do que um discurso “sonhático”.

10) Entrou no jogo para ficar, o que está apavorando petistas e tucanos.




As entrevistas dos presidenciáveis no JN

Postado por Juremir em 19 de agosto de 2014 - Uncategorized

Vi as três entrevistas feitas por William Bonner e Patrícia Poeta com os três principais candidatos à presidência da República.

Na primeira, com Aécio Neves, o tom foi ameno, com momentos de bom jornalismo. O candidato tucano foi apertado em relação ao aeroporto que mandou construir em terras da família e também no que se refere ao mensalão mineiro e ao propinoduto paulista. Aécio defendeu-se dizendo que no PT houve condenações. No PSDB, não. O STF passou a bola para a frente.

Ao mesmo tempo, os empolados apresentadores do Jornal Nacional, da Rede Globo, lançaram quase um manifesto em favor do aumento das tarifas públicas e em defesa de cortes de gastos em políticas sociais.

As perguntas serviram para passar essa mensagem.

Na entrevista com o agora falecido Eduardo Campos o tom foi o mesmo. O candidato foi apertado em relação ao esforço filial em favor da escolha da mãe para o Tribunal de Contas da União. O manifesto em favor do corte de gastos persistiu.

Na entrevista com Dilma Rousseff o tom subiu. Os entrevistadores, de dedo em riste, adotaram o tom de interrogatório.

As perguntas não foram descabidas, mas inquisitoriais.

Feitas as entrevistas, o eleitor pode tirar esta conclusão: os candidatos não passaram no teste.

Eduardo se foi. Marina vem aí. Terá de passar na sabatina.

Dilma se recusou a opinar sobre as ações dos mensaleiros petistas.

Aécio não foi questionado quanto a isso de maneira frontal.

Muito blablablá e pouca substância nas respostas, os males dos candidatos são.

Ou foram.

Sem contar alguns erros de português.

Menores, claro, quando comparados com os de matemática.

O tamanho das promessas nunca cabe no orçamento disponível.




Marina, Mona Lisa e as tonalidades do novo

Postado por Juremir em 18 de agosto de 2014 - Uncategorized

O velório e o enterro de Eduardo Campos foram transformados em ato político mesmo com os caciques do PSB dizendo o contrário. Os filhos do morto usaram uma camiseta amarela com os dizeres “nós não vamos desistir do Brasil”, frase do candidato no Jornal Nacional, da Rede Globo, que servirá de mote para a campanha de Marina Silva. Não é possível parar o mundo para um verdadeiro recolhimento em meio às paixões de uma disputa eleitoral. Resta saber ser houve oportunismo de parte de quem, sem o choque da família, possa ter aproveitado a situação para faturar eleitoralmente.

E cinismo.

Nas redes sociais, os adversários de Marina, demonstrando certa preocupação com a possibilidade de ela ir ao segundo turno – em lugar de quem? – ou até vir a ganhar as eleições, acusaram-na de oportunismo e até de ter sorrido debruçada no caixão.

Numa foto, Marina aparece com ar de Mona Lisa. É um sorriso aquilo? Um esgar? Um tique? Se sorriu, por que o fez? Atrás dela, um homem ri. O que terão dito para Marina sorrir se, de fato, ela sorriu? A ideia é que ela comemorava a morte de Campos que lhe permitirá disputar a cadeira presidencial. É difícil acreditar que alguém se debruce sobre um caixão para fazer pose com sorrisos para a câmera. No mínimo, o bom senso diria que poderia pegar mal. Há algo mais nisso tudo. O quê?

O sorriso de Marina permanecerá como o da Mona Lisa. Um enigma. Se não for só uma boa montagem.

Eu acredito em tudo em tempos de internet, até em montagens instantâneas.

Marina passou a ser atacada por suas vinculações com a Natura e com a Itaú.

Qual candidato e qual partido com chances de eleição pode se gabar de não ter vínculos com empreiteiras e bancos?

O Banco Rural, por exemplo, não faz parte da vida dos dois partidos que mais se engalfinham pelo poder?

A questão é: Marina representa o novo? O novo absoluto? Algum grau de novidade? O novo total não existe no momento. Marina vem sendo acusando de fundamentalismo religioso, de homofobia, de conservadorismo em termos de questões de sexualidade e comportamento. Até que ponto tudo isso é verdade absoluta ou parte de uma desconstrução sintomática determinada pelo medo? PT e PSDB, em se tratando de certos temas, pouco fizeram. O Uruguai é a prova disso.

O que poderia ser o novo? Marina, segundo seus oponentes, não o seria por ter vindo do PT, por ter sido ministra, por isto e aquilo. O novo, nesse caso, só poderia ser quem nunca fez política? O novo seria Sílvio Santos ou Luciano Huck? Ou mesmo um velho do jogo com um jeito mais ou menos novo ou algum ponto, por menor que seja, fora da curva?

Especulações, apostas, artimanhas, estratégias, discursos…

Uma análise de quem não se move pela escolha de candidato, mas pelo desejo de perceber os contornos do jogo, mostra, individualmente falando, três bons candidatos na disputa real pela presidência da República. Cada qual com seu projeto.

Um liberal privatista, um intervencionista clássico e um intervencionista com novas tonalidades.

A entrada de Marina no jogo representa uma certeza: a polarização dançou.

O resto é provocação, sofisma e exaltação.

Já deu para ver que, nas redes sociais, a baixaria vai predominar.

A sofisticação dos militantes internautas segue um lema: do pescoço para cima tudo é canela.




Marina, a inimiga a abater

Postado por Juremir em 17 de agosto de 2014 - Uncategorized

Petistas já estão em campo para abater Marina. Os insultos já são metralhados freneticamente contra qualquer observador que lhe dê alguma chance nessa corrida reaberta. Há petistas de todos os tipos, entre os quais aqueles que aplaudem toda opinião que coincida com as deles, especialmente se não for verdade, mas for útil. O petista puro e duro, aquele que já não caracteriza o melhor do partido, mas faz barulho e bate queixo, garante que não existe neutralidade jornalística, salvo quando a favor do PT, mas a exige quando se sente prejudicado. Uma ala do PMDB gaúcha está entusiasmada. É aquela que não se sente conservadora o suficiente para apostar em Aécio Neves nem esquerdista a ponto de ir com Dilma. Marina desponta como salvação.

Os tucanos puros e duros fazem o mesmo que os petistas. Querem pulverizar Marina e os marineiros.

Quem não faz? Quem não tem partido.

Marina Silva vai tirar votos de Aécio e de Dilma? Se tirar muito de Dilma, poderá produzir um inédito segundo turno contra Aécio. O mais provável é que tire o suficiente de Dilma para sangrar Aécio e deixá-lo fora do segundo turno.

Seria um crime em dois turnos. No primeiro, mata-se um tucano. No segundo, uma petista.

Isso vai acontecer? Não é impossível.

Mas ainda é improvável. Dilma terá um latifúndio de televisão para detonar Marina.

Marina vai se beneficiar do voto-emoção e do seu papel de candidata das ruas, dos cansados da velha política, contra os candidatos da politicagem e dos mensalões, cada um com o seu, cada um dizendo que não sabia e que nada houve.

Quem não encontrava alternativa e já tinha jogado a toalha por não ver em Eduardo Campos um verdadeiro outsider, certinho demais para romper o cerco dos coronéis, ligado demais a Lula para ser seu inimigo, está de voto na mão para apostar em Marina, que pode não decolar, mas reacendeu expectativas em que não as tinha mais. O jogo voltou a ficar aberto.

Nada mais excitante do que um jogo com placar incerto e times ofensivos.

No caso, dispostos a ofender o quanto for necessário.


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