Porto Alegre, 04 de Setembro de 2015

O triunfo da barb√°rie globalizada

Postado por Juremir em 3 de setembro de 2015 - Uncategorized

A foto do menino afogado, que corre o mundo, revela o triunfo da barb√°rie globalizada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Ocidente enfrenta novamente uma invas√£o “b√°rbara”.

Como sempre, os b√°rbaros s√£o humanos.

Os bárbaros também são crianças.

B√°rbaros que carregam bichinhos de pel√ļcia.

O capitalismo ocidental¬† constru√≠ra o seu para√≠so √† prova de contamina√ß√Ķes externas.

N√£o contava com esses b√°rbaros dispostos a morrer no caminho em busca de uma vida melhor.

Nunca houve tanta ciência e tanta tecnologia.

Nada que consiga salvar o mundo da sua barb√°rie milenar.

O inferno é aqui.

Enquanto isso, bilion√°rios bebem sangue de canudinho.

A direita mundial s√≥ pensa em fechar os port√Ķes da Europa para impedir a entrada das hordas de b√°rbaros.

N√£o adianta.

Os b√°rbaros j√° est√£o dentro das cidadelas ocidentais.

Que far√£o os ocidentais?

V√£o jogar os miser√°veis ao mar?

Não é de duvidar.




Os vadios da base do Sartori e os agiotas da Dilma

Postado por Juremir em 1 de setembro de 2015 - Uncategorized

Eu acredito na boa fé do governador José Ivo Sartori. Sinto que ele é um homem profundamente honesto. Noto isso na sua permanente inclinação para a brincadeira. Sartori é um sujeito simples que costuma deixar escapar o que pensa.

A bonomia de Sartori salta pelos olhos. √Č gente de bem.

Mas aprendeu a cultivar certo gosto por estrat√©gias t√≠picas da pol√≠tica tradicional. √Č um Felip√£o sem arrog√Ęncia. Para ganhar, faz que vai para um lado, mas vai para outro. O perigo dessa esperteza toda √© tomar 7 a 1 em casa e nem saber explicar a raz√£o.

Tenho certeza de que Sartori pretende sanear as finanças do Rio Grande do Sul. Para isso, adota certas malandragens. Primeiro, absurdamente, recusou-se a pedir à Assembleia Legislativa a ampliação do uso dos depósitos judiciais. Ficou, como continua, negociando com os deputados para fazer avançar os seus projetos mais dolorosos como o do aumento do imposto.

Depois, diante da violência dos fatos, aceitou usar os depósitos judiciais. Tudo lentamente.

Por que o projeto n√£o foi protocolado ontem?

Por que n√£o foi publicado meia horas depois?

Por que não está pautado para votação na quinta-feira?

Por que os deputados deram-se três dias de folga na Expointer?

O l√≠der do PMDB na Assembleia, deputado √Ālvaro Boessio, saiu do anonimato local para a fama nacional infamante ao chamar os funcion√°rios p√ļblicos, “n√£o todos, mas boa parte”, de “vadios”. Ser√° por isso que podem ficar sem receber?

O honesto Sartori est√° errando na estrat√©gia. √Č f√°cil cortar o baixo sal√°rio de um professor ou de um brigadiano. Dif√≠cil mesmo √© peitar a falsa independ√™ncia do judici√°rio e do legislativo em quest√Ķes or√ßament√°rias e levar ao parcelamento dos altos ganhos dos poderes canibais. O judici√°rio aceitou perder metade dos juros dos dep√≥sitos judiciais.

N√£o deveria receber nada. √Ȭ† s√≥ um intermedi√°rio.

Essa matéria deveria ser decidida exclusivamente pelo parlamento.

Expor quem ganha menos de dois mil reais √† humilha√ß√£o de ficar sem dinheiro para comer, pagar aluguel e pegar √īnibus, enquanto os nababos de outros poderes embolsam seus gordos aux√≠lios e seus polpudos sal√°rios, √© covardia.

Quase metade dos secret√°rios de Sartori ganha de outras fontes.

O deles, como se diz no popular, est√° entrando integralmente.

Fica mais f√°cil cortar o dos outros.

As medidas de Sartori perdem a legitimidade na medida em que a turma dos camarotes não é atingida pelos cortes.

√Č ilegal n√£o repassar a parte do judici√°rio? Tamb√©m √© ilegal n√£o pagar os funcion√°rios do executivo. O argumento usado para calar o funcionalismo ‚Äď n√£o tem dinheiro, portanto n√£o tem como cumprir a lei ‚Äď pode ser aplicado aos demais poderes.

O Rio Grande do Sul está sendo vítima da agiotagem da União com seus juros escorchantes para pagar banqueiro estrangeiro.

O Rio Grande do Sul está sendo objeto de uma estratégia errada que penaliza os mais fracos.

Chamar os funcion√°rios de vadios n√£o representa quebra de decoro?

Representa, com certeza, uma baita falta de educação, de sensibilidade e de sentimento de humanidade.

N√£o h√° vadios em parte alguma. Nem no funcionalismo. Nem na base do governo.

H√°, por√©m, estrat√©gias desastrosas. Parar a Assembleia quando a popula√ß√£o precisa de vota√ß√Ķes t√£o urgentes quando oxig√™nio numa UTI √© uma atitude lament√°vel, uma atitude temer√°ria, um deboche, um menosprezo pelo desespero dos outros.

A sociedade está entregue a si na maior parte das ruas. Dado que os políticos da base aliada do governo não tem clemência, achando que dá para esperar mais uma semana ou dez dias, temos de pedir clemência aos bandidos.

Por favor, bandidos, fiquem em casa. Respeitem a impotência dos que, sem salário, não podem trabalhar nem se opor a vocês.

E os professores, esses bravos professores, mulheres, na maioria, que fazem dupla jornada de trabalho, esfalfam-se, lutam, não recebem o piso nacional legal, domam alunos cada vez mais indisciplinados, ganham pouco, pois o maior salário de um professor não faz cócegas nos ganhos de um deputado, de um secretário, de um magistrado (ah, de uma magistrado!), pobres professores, sempre convidados a esperar, a resignar-se, a aceitar, a vergar-se, a receber precatórios de antigamente.

Professores, brigadianos, policiais civis, profissionais da sa√ļde, brava gente ga√ļcha, verdadeiros her√≥is do cotidiano.

São esses que devem esperar sem poupança, sem rede de segurança, sem margem de manobra.

Caros bandidos, tenham pena desse povo. O governo j√° lhes tirou tudo.

Poupem-lhes, ao menos, a vida.

Exagero retórico?

Pensem numa família esperando uma semana sem dinheiro para nada.

Tudo também porque o governo da petista Dilma Rousseff não dá mole: primeiro a grana dos seus agiotas!




Sérgio Moro x Lênio Streck: confronto de titãs

Postado por Juremir em 1 de setembro de 2015 - Uncategorized

Fui a S√£o Paulo, na sexta-feira passada, participar como palestrante do 21¬ļ Semin√°rio Internacional do Instituto Brasileiro de Ci√™ncias Criminais (IBCCRIM). Falei na mesa sobre ‚ÄúMovimentos populares na mira do sistema penal‚ÄĚ. Depois, aproveitei para assistir ao embate argumentativo entre o juiz S√©rgio Moro e o procurador ga√ļcho aposentado e professor L√™nio Streck sobre a Lava-Jato. Um duelo de tit√£s. L√™nio citou Shakespeare, Medida por medida, a com√©dia em que o genial dramaturgo fala de corrup√ß√£o, imp√©rio da lei e subjetividade dos ju√≠zes. Moro respondeu com Charles Dickens e a met√°fora dos tr√™s natais (passado, presente e futuro), que poderiam, talvez, explicar a decis√£o de um criminoso de virar colaborador.

L√™nio atacou o subjetivismo dominante que leva o direito a ser aquilo que o juiz decide. Cobrou crit√©rios claros que possam ser aplicados por qualquer juiz da mesma forma. Condenou o ativismo jur√≠dico e o excesso de liberdade interpretativa. Defendeu que se deve julgar por princ√≠pios e n√£o de olho nas consequ√™ncias. N√£o se deve condenar por que a sociedade est√° pressionando, mas para cumprir a lei. Brilhante como sempre, Streck enfrentou um dogma jur√≠dico: a livre aprecia√ß√£o da prova pelo juiz. Para ele, essa aprecia√ß√£o deve estar delimitada por crit√©rios rigorosos de an√°lise. Entregar tudo √† convic√ß√£o do julgador, valoriza o subjetivismo. √Č o famoso ‚Äúentendimento‚ÄĚ, que muda com a cabe√ßa de cada juiz. Abordando um caso da Lava-Jato, L√™nio Streck criticou o uso da pris√£o cautelar como instrumento para for√ßar dela√ß√Ķes e tamb√©m a manuten√ß√£o de algu√©m preso por mais de 500 dias sem condena√ß√£o para horror da defesa.

S√©rgio Moro, recebido friamente, arrancou aplausos finais. Oito patrocinadores‚Äď advogados irritados com os m√©todos da Lava-Jato ‚Äď boicotaram o evento. Moro situou a colabora√ß√£o premiada a partir do caso do assaltante americano de trens Frank James, no s√©culo XIX. Na ocasi√£o, Dick Liddil, comparsa de James, foi usado como testemunha contra seus comparsas em troca de benef√≠cios de pena. Depois, amparou-se em Dickens. Um delator talvez se motive pela nostalgia de um Natal passado com a fam√≠lia, ou pelo fantasma de um Natal presente perdido por causa de uma pris√£o cautela, ou pelo medo de uma condena√ß√£o que o arranque do conv√≠vio familiar num Natal futuro. Moro recusou qualquer atropelo ao direito de defesa, insistiu que a maioria das dela√ß√Ķes foi obtida com pessoas em liberdade, lembrou dos processos por corrup√ß√£o que nunca tinham fim nem condena√ß√Ķes e rotulou os argumentos de muitos advogados como preconceito em rela√ß√£o ao instituto da dela√ß√£o ou colabora√ß√£o premiada. Rebateu quase tudo.

At√© a cr√≠tica a uma pris√£o cautela de 500 dias. Afirmou que o pris√£o seguiu o princ√≠pio legal da razoabilidade e que a pessoa continuou presa por ter sido objeto de tr√™s processos e j√° ter sido condenada em dois. L√™nio condenou o ‚Äúrealismo‚ÄĚ jur√≠dico, esse pragmatismo para dar resposta ao clamor das ruas. Moro, sem o mesmo brilho, rejeitou as argumenta√ß√Ķes ret√≥ricas.

Um duelo emocionante.

 

 




Uma radiografia do poder canibal, o judici√°rio

Postado por Juremir em 31 de agosto de 2015 - Uncategorized

N√£o deixe de clicar.

√Č instrutivo, avassalador e constrangedor.

Fica-se sabendo quanto ganham nababos da magistratura.

Toma-se conhecimento dos novos pixulecos propostos para melhorar a vida dos olimpianos como não contar os feriados acontecidos durante as férias como parte do descanso legal, aumento os dias de repouso só para a turma dos camarotes.

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Minha plataforma para tudo em tempos de crise

Postado por Juremir em 31 de agosto de 2015 - Uncategorized

1 ) Pagamento em dia do funcionalismo usando imediatamente os depósitos judiciais

2) Revis√£o das isen√ß√Ķes fiscais para transnacionais

3) Fim da aposentadoria para governadores

4) Fim das aposentadorias especiais para deputados

5) Fim dos auxílios para magistrados

6) Idade mínima para aposentadoria aos 60 anos para todo mundo

7) Fim de pixulecos como licença-prêmio

8) Regime √ļnico de aposentadoria para setor privado e p√ļblico

9) Só aprovar aumentos para deputados, secretários e governadores se os mesmos forem concedidos aos demais

10) Impostos maiores sobre heranças e impostos sobre grandes fortunas

11) Diminuir para cinco vezes a diferen√ßa m√°xima entre o maior e o menor sal√°rio do servi√ßo p√ļblico em todos os poderes.

* Direitos adquiridos ser√£o preservados.


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Cronologia da pol√≠tica ga√ļcha recente

Postado por Juremir em 30 de agosto de 2015 - Uncategorized

2014: deputados aprovam-se uma aposentadoria especial para escapar das agruras do INSS como o resto da plebe (nós).

2014: Assembleia Legislativa adota uma medida esquisita que estabiliza um grupo de assessores não concursados. Diz-se que não é um trenzinho da alegria e que os beneficiados podem ser demitidos, mas não se compreende muito bem como.

2014: José Ivo Sartori é eleito governador do RS.

2014: elite do judici√°rio ga√ļcho garante-se, por isonomia com a magistratura nacional, o “direito” de receber aux√≠lio-moradia de R$ 4.700 reais. A medida generosa √© extensiva ao Minist√©rio P√ļblico.

2014: deputados aprovam aumento para parlamentares da legislatura seguinte.

2015: Sartori assume o governo diz que Estado est√° quebrado. Noticia-se que poder√° haver atraso de sal√°rios.

2015: Sartori sanciona aumento de sal√°rios para si, para o vice-governador e para os seus secret√°rios.

2015: criticado, Sartori abre m√£o do seu aumento. A boiada j√° passou.

2015: Sartori recusa-se a ir à justiça para pedir aplicação imediata da lei que renegociou a dívida com a União.

2015: Sartori parcela sal√°rios do funcionalismo. Linha de corte: R$ 2 mil.

2015: enquanto a crise se alastra, sai no Diário Oficial lista de nomeação de novos CCs e de FGs.

2015: Oposição oferece a Sartori a possibilidade de aumentar o uso dos depósitos judiciais para pagar funcionalismo em dia.

2015: Sartori recusa pelo silêncio a oferta da oposição na Assembleia.

2015: aliados de Sartori na Assembleia, como o PP, pedem que o governador use os depósitos judiciais. Silêncio.

2015: judiciário abre mão de parte dos juros que lhe cabem sobre o uso dos depósitos judiciais e aceita enviar projeto à Assembleia Legislativa para sacramentar as mudanças. Sartori permanece em silêncio apesar da falta de dinheiro.

2015: Sartori envia à Assembleia projeto propondo aumento da alíquota do ICMS.

2015: Sartori vai ao STF contra o bloqueio das contas do Estado pelo não pagamento da parcela da dívida com a União.

2015: Sartori parcela sal√°rios pela segunda vez. Linha de corte: R$ 500.

2015: a população pergunta-se: por que Sartori, tendo os depósitos judiciais, não quer usá-los?

2015: Sartori tem um problema de curto prazo: pagar o funcionalismo em dia; um problema de m√©dio e longo prazo: mudar a estrutura do Estado. Solu√ß√£o de curto prazo: usar os dep√≥sitos judiciais. Sartori n√£o quer. Solu√ß√£o de m√©dio prazo: aumentar impostos. A popula√ß√£o e at√© os aliados de Sartori, como o PP, n√£o querem. Solu√ß√£o de longo prazo: reformas estruturais, mexer na previd√™ncia (tem quem se aposente sem contribuir e tem que se aposente cedo demais). Sartori quer. O funcionalismo, n√£o. Privatiza√ß√Ķes: Sartori quer, a tal Agenda 2o20 quer, a RBS quer. Ser√° que a popula√ß√£o quer? Precisa de plebiscito.

2015: Sartori usa a questão de curto prazo (não usar os depósitos judiciais e deixar o funcionalismo à míngua) como método para jogar a população contra os funcionários, na medida em que haverá paralisação de serviços, e forçar os deputados a aprovarem aumento de impostos. O Rio Grande do Sul pega fogo. As labaredas não param de crescer.

2015: Sartori faz a aposta da sua vida: vai mudar radicalmente o Rio Grande do Sul ou tornar-se o governador mais rapidamente odiado em todos os tempos pela população, inclusive parte da população que votou nele.

Tudo est√° em aberto.


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