Porto Alegre, 01 de Setembro de 2014

Marina representa quem?

Postado por Juremir em 1 de setembro de 2014 - Uncategorized

O quadro virou. A eleição que estava ganha para o PT entrou em parafuso. A derrota de Dilma Rousseff surge no horizonte como um bólido. Nada parece ser capaz de parar o furacão que se avizinha. O que aconteceu? Quem Marina Silva representa?

Em princípio, a terceira via, a novidade, uma tal nova forma de fazer política. Mas, lembrando muito a velha forma da politicagem, ela já alterou o seu programa – o programa do PSB – para atender a demandas de grupos de pressão.

A direita está excitada e começa a abandonar Aécio Neves. Vê em Marina a oportunidade tão sonhada de tirar o PT do poder. Marina está sendo apropriada pelo conservadorismo? Ou está usando o antipetismo para chegar ao poder e implantar o seu projeto, um plano capaz de frustrar os conservadores que odeiam as qualidades do PT, suas políticas sociais, embora, não podendo dizer isso, finjam que lutam apenas contra a corrupção e contra a ineficiência dos petistas no governo?

Quando colunistas antipetistas passam a abrir voto para Marina é que o bicho pegou. Há perigo na esquina.

Marina será o PT sem o mensalão? Ou o PSDB sem o mensalão?

Só ela e o tempo podem dizer.

Isso se Lula não voltar. Consta que ele teria pedido 72 horas para pensar.

O PT não quer cometer o erro do Felipão, que, tomando 5 a 0 da Alemanha no primeiro tempo, não mudou para não culpar qualquer jogador. Mudar seria torrar Dilma, mas, quem sabe, salvar o projeto. Ficaria feio? Seria eficaz?

Se nada for feito, pode tomar 7 a 1.

No mínimo, terá de mudar o esquema, estratégia, de campanha.

O marqueteiro João Santana perdeu a mão.




Marina, racismo e o voto nem nem

Postado por Juremir em 30 de agosto de 2014 - Uncategorized

Marina Silva vem atropelando.

Já empata com Dilma no primeiro turno. Ganha no segundo.

Aécio Neves não para de encolher. Está sendo cristianizado. Em 1950, o PSD teve Cristiano Machado como candidato a presidente da República. O PTB escolheu um nome certeiro, um tal Getúlio Vargas. Os eleitores do PSD votaram em Getúlio.

Criou-se o verbo cristianizar.

A esperança dos tucanos é que Dilma encolha tanto a ponto de não ir ao segundo turno.

Vã ilusão. Mais fácil é Marina ganhar no primeiro com Aécio morrendo de inanição.

Marina está sendo empurrada pelo voto “nem nem”

Nem PT nem PSDB. Nem petistas nem tucanos. Nem mensalão petista nem mensalão tucano. Nem Pasadena nem Alstom. Nem Lula nem FHC. O voto “nem nem” faz o eleitor saturado pensar: vou me livrar de dois incômodos com um voto só.

O vice-presidente Michel Temer, em Porto Alegre, mandou recado para Marina: é perigoso governar sem partido.

Temer é o último a saber. Marina governará com o seu partido.

O partido de Temer. O PMDB.

Bola nas costas.

*

O Brasil se move.

O jogo entre Grêmio e Santos está suspenso por causa dos atos racistas acontecidos na Arena na última quinta-feira.

Já era tempo.

Os torcedores fanáticos haviam encontrado um álibi para dissimular a infâmia: não se pode generalizar.

Bastava alguém denunciar atos racistas no  meio de uma torcida para que surgisse o alerta:

– Cuidado. Generalizar é preconceito. A instituição X ou Y não pode ser atingida.

Punir o clube seria comprometer a instituição X ou Y. Não há clube institucionalmente racista no Brasil. Mas nenhum clube pode passar a mão na cabeça de torcedor que pratica racismo. Parabéns ao Grêmio que está punindo os seus torcedores que praticaram racismo. Parabéns à torcida jovem do Grêmio que resolveu abolir a palavra “macacada” dos seus cânticos.

Parabéns ao goleiro Aranha que não deixou por menos.

Os tempos são outros. Não há mais espaço para insultos racistas como “brincadeira”.

Esse tipo de brincadeira é pura mediocridade.

É por isso que boa parte do humorismo brasileiro é medíocre.

Um novo tempo começa: o da criatividade respeitosa.

Viva o politicamente correto.

Não há mais lugar para o falso perseguido, aquele que se lamenta:

– Não dá mais para ser heterossexual neste país.

Conversa fiada. Não dá mais é para ser preconceituoso impunemente.




Médico denuncia privatização dos hospitais gaúchos

Postado por Juremir em 29 de agosto de 2014 - Uncategorized

Hospital da Restinga – Construído com recursos Federais.

Não vi e não ouvi nenhuma menção ao fato de que o Hospital da Restinga foi construído com uma “doação” de recursos (R$ 65 milhões) feita pelo Ministério da Saúde ao Hospital Moinhos de Vento (a alegação é de que o Hospital Moinhos de Vento é uma entidade filantrópica – não sei em que mundo – nenhum paciente do SUS jamais passou pela porta do HMV – e se passou deve ter sido barrado em seu interior). O Hospital Moinhos de Vento, assim como o Hospital Mãe de Deus, é tão filantrópico como a Santa Casa de Misericórdia que declara para a imprensa que atende 62% de Planos Privados e mais 5 a 10% de privados puros – quando deveria atender 60% pelo SUS. E o terreno, pelo que sei, foi doado pela prefeitura de Porto Alegre ao HMV. Essa é a nossa “Saúde Pública”. Já comentei em outro artigo que 84% dos leitos hospitalares do Rio Grande do Sul são privados. E que o setor privado detêm de 7 a 10 vezes mais equipamentos para exames complementares do que o SUS. Deveriam ser 84% públicos e o restante privado. Nesta conta não estão incluídos os 120 leitos do Hospital de Clínicas que ficam à disposição de quem tem Plano Privado ou pode despender o dinheiro necessário para ser internado de forma privada no H. Clínicas.

O que é uma pouca vergonha.

E aí aparece na imprensa uma história declarando que os leitos do Hospital da Restinga não são utilizados por falta de profissionais médicos!!!!!

Faltam médicos em Porto Alegre? Desde quando?

Porto Alegre tem uma das maiores taxas de médicos por habitante do país.

O que existe é uma vergonhosa política de privatização e subsídio ao setor privado, transformando o “setor público’ em um setor desqualificado e de dificílimo acesso. Filas e mais filas, meses para ser atendido por um especialista e assim vai.

É uma desfaçatez. Em 2013 a arrecadação de impostos pelos governos foi de 1 trilhão e 700 bilhões. Desse total, 1 trilhão fica com o governo Federal. Não daria para disponibilizar os 160 bilhões para a saúde e fazer uma saúde decente para o povo.

Falta de dinheiro não é. É falta de vergonha.

E ainda temos, como também já comentei, um Laboratório de Fabricação de Medicamentos – LAFERG S – que há 15 anos não produz nenhum tipo de medicamento. Também não é falta de recursos financeiros. É uma política deliberada de beneficiar os setores privados que vendem medicamentos.

Espero que nas próximas eleições o povo eleja um governo comprometido com os interesses da população e não de um punhado de setores privados – se é que existe algum candidato com esse perfil. Eu particularmente, penso que não.

Nem no Estado e nem em nível Federal.

 




Racismo em estádio gaúcho é rotina

Postado por Juremir em 29 de agosto de 2014 - Uncategorized

O goleiro Aranha, do Santos, foi vítima de racismo na Arena do Grêmio.

O racismo em estádio de futebol no Rio Grande do Sul é uma rotina.

Durante muito tempo a mídia fingiu não ver.

As direções de clube fazem de conta que é pura brincadeira.

Tapa-se o sol com a peneira.

Só duras punições a clubes mudarão essa rotina lamentável.

Muita gente continua achando melhor criticar o politicamente correto.

É o racismo dissimulado, o racismo do cara que se acha esperto.

Aranha escancarou o que todo mundo sabe.

Vai rolar alguma punição ou, mais uma vez, ficar por isso mesmo?




Fim da Avenida da Ditadura

Postado por Juremir em 28 de agosto de 2014 - Uncategorized

A Câmara de Porto Alegre, por iniciativa dos vereadores Pedro Ruas e Fernanda Melchiona (PSOL), aprovou a mudança do nome da Avenida Castelo Branco, principal via de acesso a Porto Alegre, para Avenida da Legalidade e da Democracia.

Foi a segunda tentativa. Na primeira, os conservadores sofismaram bastante e bloquearam a alteração.

Desta vez, não conseguiram impedir que Porto Alegre venha a se livrar de uma aberração.

Avenida Castelo Branco é sinônimo de Avenida da Ditadura.

Por uma incrível coincidência, os defensores da manutenção do nome de Castelo Branco costumam ter saudades do regime militar e das suas façanhas consideradas estupendas e salvacionistas como torturar, matar e impedir eleições.

Agora só falta o prefeito José Fortunati sancionar a lei.

Se não o fizer, rasgará a sua biografia.




Passando a língua nas normas gramaticais

Postado por Juremir em 26 de agosto de 2014 - Uncategorized

Tem um projeto de simplificação da ortografia da língua portuguesa usada no Brasil tramitando no Senado. Eu sou a favor. Por uma simples razão: por que não? Língua é convenção. Não é uma verdade natural. Já escrevemos “paiz”. Há quem fique horrorizado. É só uma questão de hábito. Os argumentos dos que rejeitam essa reforma não são racionais. Não passam de exclamações subjetivas: que horror! Vai ficar muito feio! O que pretendem fazer com nossa língua! Lembra o apego de alguns ao papel. Falam assim: nada pode substituir o papel. Claro que pode. O papel é só um suporte. Não afeta as ideias. A paixão pelo papel é puro hábito geracional. Apareceu um suporte melhor, mais barato e mais eficaz. O papel pode dançar. Sinto muito.

O acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa acabou com o trema. Ninguém morreu. O trema era útil. Eu gostava do trema. Indicava a maneira de pronunciar certas palavras. Por que não mudar outras coisas? Para que ter quatro maneiras de escrever “porque”, “por que”, “porquê” e “por quê”? Qual é mesmo a diferença entre “por que” e “por quê”? Eu sou a favor de escrever “omem”. Sou a favor de que se escreva como se fala. A escrita existe para representar a língua falada. Para que escrever letras que não são pronunciadas? Apenas para manter um rastro da origem da palavra? Para que escrever com “s” algo que soa como “z”? Abaixo “ch”, “ss” e “ç”!

Essas sutilezas só servem para decidir vaga em concurso e como sistema de hierarquia social. Não vejo qualquer problema em escrever “qero” em lugar de “quero”. Tem gente indignada com a galera que escreve “vc” em vez de “você”. Ora, você é o “vc” de vossa mercê. A nova reforma acabaria com o hífen. Beleza. Chega de tracinho para acolherar certas palavras. Nem o Evanildo Bechara, guru dos gramáticos brasileiros, deve conhecer a regra do hífen completa. Exame passaria a ser “ezame”. Faz sentido. A escrita é um registro do falado. Deve comunicar. Asa voltaria a ser “aza”. A sabedoria popular simplifica e dá lógica a essas grafias há muito tempo. Os doutos não gostam disso, pois lhes tira o poder de dizer o que é certo e errado. Os “cultos” detestam isso, pois a língua serve-lhes de distinção.

– Ora, como tudo cança, esta monotonia acabou por exhaurir-me tambem. Quiz variar, e lembrou-me escrever um livro. Jurisprudencia, philosophia e política acudiram-me (…) Póde ser minha senhora. Oxalá tenham razão; mas creia que não fallei senão depois de…

Quem foi o analfabeto que escreveu isso? Machado de Assis no “original” de Dom Casmurro. Esse era o correto da sua época. É correto, em francês, dizer “mais grande” e não pronunciar o “s” do plural (essas casa bonita). Em português, não pode. Tudo convenção, história, invenções humanas ao saber dos tempos e das circunstâncias. A língua passa. Diminuiu-se a população carcerária acabando com certos crimes. Reduz-se o analfabetismo acabando com certas regras.

– Cinismo?

Apenas um roçar de língua nas asperezas do poder simbólico.

 

 

 




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