Porto Alegre, 28 de Março de 2015

Podemos tirar se achar melhor

Postado por Juremir em 28 de março de 2015 - Uncategorized

Nada como uma frase infeliz para fazer a felicidade dos que esperam um pouquinho de verdade. Um lapso também ajuda. As melhores frases dos últimos tempos foram do deputado gaúcho Jorge Pozzobom (PSDB) e de um editor da agência de notícias Reuters. Numa matéria sobre a corrupção no Brasil, baseada em entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o jornalista referiu-se à declaração do delator Pedro Barusco de que a roubalheira na Petrobras começou na época do governo de FHC. O editor anotou, ao pé da frase, para ser submetida ao entrevistado: “Podemos tirar se achar melhor”. Por esquecimento, a zelosa observação foi publicada. A Reuters pagou mico. Revelou o jornalismo sabujo que blinda alguns e detona outros. Quando se trata de tucanos, esbravejam os petistas, predomina o “podemos tirar se achar melhor”. Nada como ser rei ou amigo dele.

O sempre intenso deputado Jorge Pozzobom envolveu-se num bate-boca, pelo twitter, com petistas. Lá pelas tentas, disse esperar que “alguém que não seja ameaçado de morte ou morto como o Celso Daniel possa trazer por delação a mega lista do PT”. Tomou uma dura. Respondeu assim ao ex-secretário do governo Tarso Genro, Vinicius Wu: “Me processa. Eu entro no Poder judiciário e por não ser petista não corro o risco de ser preso”. Faz sentido. Muito sentido. O mensalão mineiro não foi julgado até hoje. Manchete da Folha de S. Paulo diz: “Mensalão tucano está parada em MG há um ano”. Falta juiz. A titular se aposentou. Fala sério, Judiciário. A primeira denúncia contra o cartel do metrô de São Paulo, envolvendo governos tucanos, foi recusada. Só a segunda foi aceita. Na internet, circula um vídeo com um dos delatores citando Aécio Neves como beneficiário de esquema irregular de financiamento de campanha. O assunto não parece comover a justiça nem a mídia. Será uma invenção? Um fake? Quem sabe! As frases da Reuters e do Pozzobom são legítimas. As intenções, claro, são sempre outras.

A primeira impressão, porém, é que fica valendo.

Fico imaginando que Pozzobom poderia, depois de sua afirmação controvertida, ter dito no twitter: “Falei a verdade, mas podemos tirar se achar melhor”. Virou bordão. Serve para tudo, do noivo arrependido – “colocamos as alianças, mas podemos tirar se achar melhor” – ao treinador que escalou mal um jogador. Serve principalmente para os que querem derrubar a presidente da República com um golpe nos moldes do que foi executado em 1964: “O povo colocou Dilma lá no Planalto pelo voto, mas podemos tirar se achar melhor”. A montagem do golpe é a mesma de 1964: toma a parte, que se manifesta, pelo todo, usa-se a mídia como alavanca, pega-se a corrupção por pretexto e, como meio século atrás, enfrenta-se a ameaça comunista.

Até a teoria do contragolpe voltou. As viúvas da ditadura dizem que não houve golpe em 1964, mas um contragolpe. Essa aberração está sendo disseminada agora. O golpe já teria acontecido, dado pelo PT. A derrubada da presidente seria um contragolpe redentor. Uma moça me explicou: “Dilma é muito ruim, mas podemos tirar se achar melhor”.

Disse que sou contra golpes. Ela me tirou da sua agenda golpista.

Curiosamente essas frases não chamaram a atenção da mídia que não tinha passar qualquer deslize dos agentes públicos.

Por que será?




Reflexões sobre o paradoxo petista

Postado por Juremir em 26 de março de 2015 - Uncategorized

Nunca morri de amores pelo PT. Os marxistas não gostam de anarquistas. Essa sempre foi a leitura que fiz da situação. A bem da verdade, nunca morri de amores por partido algum. A minha tarefa na vida, porém, é trazer contradições e paradoxos à tona. A direita gosta de mim quando me vê como antipetista, mas me detesta quando imagina em mim inclinações esquerdistas e até petistas. Todo partido que se mete em ilícitos deve ser condenado. Nesse sentido, pelo mensalão e pelo petrolão, o PT merece apanhar. Os antipetistas não gostam, contudo, que se fale que o PT não está sozinho. Veem nisso uma manobra para aliviar o petismo. Essa reação revela um sintoma: a corrupção não é o problema maior para quem assim se manifesta, mas o próprio PT. O antipetista, mais do que tudo, combate a corrupção do PT. Deve ter razões para isso. Razões ideológicas.

O paradoxo do PT é que, apesar de tudo que se roubou (alguns dos seus militantes foram condenado pelo mensalão), parece mais odiado por outra coisa: por ter dito, quando surgiu, que os outros roubavam. O problema não seria roubar, mas ter apontado o dedo, na sua origem, para os outros acusando-os de ladroagem. A prova disso é que, volta e meia, alguém fala assim: “O problema do PT é a sua arrogância. Quem não se lembra do tempo em que eles se apresentavam como campeões da ética e da moral?” Esse tempo passado incomoda: foi dessa forma que o PT entrou no clube dos poderosos. E ninguém gosta de ser acusado nem de ter seus negócios atrapalhados. A crítica a esse passado moralista do PT denuncia uma falsidade pretérita, uma hipocrisia evidente e, subliminarmente, um aborrecimento. Fica implícito que se o PT não tivesse apontado o dedo em riste para os outros no passado os seus desmandos de hoje não pareceriam assim tão graves.

O PT arranjou inimigos quando dizia a verdade. Não é odiado por ter-se tornado igual aos que o odeiam, mas por ter, um dia, ousado dizer que era diferente e botado o dedo na face cândida dos oponentes, com os quais, na maioria, se aliaria depois. O pecado do PT está na mitologia da sua fundação. A narrativa fundadora foi eficaz para ganhar adesões e promover uma diferença, mas deixou marcas que não se apagam. Como poderiam os donos do poder perdoar um partido de intelectuais e sindicalistas que entrou em cena de dedo em riste zombando da corrupção da elite, elegeu um operário semianalfabeto presidente da República, investiu em políticas sociais, botou mais gente nas universidades que os doutores que o precederam e, no maior cinismo, meteu, como os demais, a mão na coisa pública? Insisto: a corrupção é horrenda.

Para alguns, no entanto, só choca a corrupção petista. Isso não pode ser atenuante para o PT.

Ninguém me convence, contudo, de que a corrupção é o que está mobilizando o antipetismo. Trata-se de um justo pretexto.

O principal é outra coisa: o velho ressentimento contra o petismo primitivo. O PT incomoda menos por roubar do que por ter dito que os outros roubavam. A única saída é colocar os ladrões de todos os partidos na mesma cadeia para quem acertem suas contas e o Brasil toque em frente. A vingança maligna dos ofendidos é fazer de quem disse que os outros roubavam o maior ladrão de todos os tempos. O rótulo está colando. Os lacerdinhas sonham com a volta do Antigo Regime: corrupção sem denúncia. A mídia não se interessa por roubalheira de direita. Se o PT estiver neutralizado, a vida será tranquila.

Não quero assustar os lacerdinhas, mas sou obrigado a avisar: cuidado com o PSOL.

 




Passado e presente na corrupção brasileira

Postado por Juremir em 25 de março de 2015 - Uncategorized

A lógica é um problema universal. A interpretação de textos é um dilema brasileiro.

Vejamos esta observação: “Depois de roubar por 500 anos, direita exige honestidade do PT”.

O antipetista tende a interpretá-la como um autorização para o PT  “roubar”.

O petista enxerga uma relativização dos seus malfeitos.

Passemos a outra observação não menos ambígua: “Depois de falar em honestidade por 20 anos, PT reclama direito de ser como os outros foram em 500 anos”.

O antipetista tende a ver nisso uma crítica à arrogância petista, mas rejeita a segunda parte da afirmação.

O petista fica apenas com a parte final.

Eis o problema.

Quem pode apontar o dedo para quem?

Quem pode se apresentar como fiador de um futuro honesto para o Brasil?

O DEM – cujo presidente nacional, José Agripino Maia, está sendo investigado pelo STF sob suspeita, conforme denúncia feita em delação premiada, de ter pedido propina – pode se apresentar como perspectiva de um futuro honesto para o Brasil?

Maia foi às manifestações contra a corrupção.

O PSDB, cujos governos paulistas de Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin estão envolvidos nas investigações sobre o cartel de empresas que pagou propina a funcionários públicos para ter privilégios na obras do metrô de São Paulo, pode se apresentar como fiador de um futuro honesto para este Brasil abalado por tantas denúncias de corrupção?

O mesmo PSDB, acusado de ter inventado o mensalão, em Minas Gerais, de ter comprado a emenda para a reeleição de FHC e de ter, através do seu presidente, o falecido Sérgio Guerra, pedido dinheiro para abafar uma CPI, sem contar a tal lista de Furnas, pode realmente se apresentar como uma opção honesta contra a corrupção que domina o país?

O PMDB de Eduardo Cunha e Renan Calheiros, integrantes da lista Janot, pode ser o futuro honesto do Brasil?

O PP, campeão de nomes na lista Janot, pode sonhar em construir o futuro honesto do Brasil?

Trabalhemos com algumas sínteses:

– O presente corrupto do PT não pode servir para absolver o passado corrupto dos seus críticos e muito menos para dar a estes o direito de se apresentarem como os fiadores de um futuro honesto para o Brasil.

Em termos abstratos (lei geral):
– Meu presente corrupto não absolve o teu passado de roubalheiras nem garante que o teu futuro será oposto ao que temos, tu eu eu, sido em algum momento da história.

Esta outra formulação também é verdadeira:

– O passado corrupto da direita não dá à esquerda o direito de roubar no presente nem de fazer isso no futuro.

Não se trata, portanto, de absolver o PT com o passado dos seus oponentes. Tampouco de absolver os oponentes com o presente do PT. A questão é simplesmente esta: quem pode tomar o lugar desses que, no presente ou no passado, fizeram o mesmo?

Existem aqueles que resolvem o problema acreditando que os oponentes do PT não tem um passado comprometido.

Ou que, por ideologia, absolvem esse passado e pronto.

Quem faz isso, mesmo que não perceba, assume que seu problema não é a corrupção, mas a ideologia petista.

É o cara que faz da corrupção um pretexto para atacar, por exemplo, as políticas sociais do petismo.

O petismo, porém, faz o jogo inverso: usa as suas políticas sociais como atenuante para seus ilícitos.

Aquele que se coloca contra a corrupção de todos os partidos só pode assumir uma posição: rejeitar todos os partidos envolvidos em ilícitos. Sobra quem? O PSOL garante que é limpo. Mas o PSOL assusta por ser muito de esquerda e até marxista.

O que fazer para zerar e começar de novo?

Uma reforma política ajudaria. A consciência do eleitor, não reelegendo corruptos, ajudaria mais ainda.

O que temos no momento?

O sujo falando do mal lavado.

Diante dessa constatação, que joga muita gente no mesmo cesto de roupa imunda, o sujo e o mal lavado fazem pose de democratas: “Assim também não, isso é muito perigoso, não se pode jogar fora a criança com a água suja da bacia”.

A política dos partidos brasileiros que exercem o poder tem um denominador comum no momento: o esgoto.

O resto é oportunismo, partidarismo fanático, lacerdismo e falácia.

Uns querem dar um golpe derrubando Dilma.

Outros querem tapar o sol com a peneira para continuar no poder sem mudar.

A faxina precisa ser geral. Mas para frente.

As manifestações de 15 de março mostraram muito desejo de voltar para trás.

Ao contrário do que dizem alguns, a defesa da ditadura foi ampla, visível e variada.

O desafio para o Brasil é encontrar a saída dentro da lei.

Como mostrar isso a partidos que vivem fora da lei?

E a pessoas que elegem malfeitores?




Atestado de óbito do PT, do PP e de outros

Postado por Juremir em 24 de março de 2015 - Uncategorized

O PT acabou. Surgiu como uma utopia no final da ditadura militar. Quando o muro de Berlim caiu, levando com ele o socialismo totalitário do leste europeu, o PT continuou sendo, para os seus militantes, um sonho de socialismo democrático ou até mesmo de volta dos regimes populares autoritários. No surgimento do PT, eu tinha 18 anos e estava mais interessado no anarquismo e nas minhas colegas de faculdade. Quando o muro desabou, eu estava ainda mais interessado no anarquismo e em encontrar um jeito de conhecer Berlim, o que aconteceu com uma bolsa do Instituto Goethe. Tive muitas brigas com petistas, que ajudaram a pedir e conseguir minha cabeça uma vez. O meu horror ao stalinismo me fez desconfiar do PT durante muito anos. O mensalão só me fez ficar com o pé ainda mais atrás. Fui a primeiro a escrever Lulla. Aí percebi que estava jogando para a direita.

O bolsa-família, as cotas e O ProUni, entre outras iniciativas de inclusão da plebe, especialmente a não branca, ganharam o meu aplauso. Veio o petrolão. A lógica petista é algo como “roubamos como todos, mas fazemos algo pelos menos favorecidos”. Jamais a legitimei. Hoje, o PT está reduzido ao “apesar de”. Diante da falência ética do partido e do enterro de todos os seus ideais, com senadores históricos debandando – Marta Suplicy vai para o PSB e Paulo Paim ainda não se decidiu –, só resta ao petismo dizer que apesar de tudo fez mais do que todos pelos que tem menos. A teoria do “apesar de” é um atestado de óbito, uma confissão de culpa, um recibo passado a todos. O PT já era. Pode sobreviver como um simulacro, uma sombra, um fantasma, um rastro do que foi, mas nunca como o original.

Para se reerguer, terá de romper com a teoria do “apesar de”, inventar um ritual de refundação, talvez até mudando de nome para algo como PTR – Partidos dos Trabalhadores Refundado –, e romper com a mitologia que faz de José Dirceu e outros heróis sacrificados pela justiça e pelo aparato repressivo burgueses em luta pela causa proletária. A teoria do “apesar de” é complementada com a tese do “não tem outro jeito”: para ocupar o poder e transferir um pouco de renda para os mais pobre seria preciso jogar o jogo, dançar conforme a música, aceitar as regras da política. O PT achava que era mais esperto do que a raposa. Pode continuar no poder por mais algum tempo e até tentar trazer Lula de volta, mas nunca mais será o mesmo, salvo se aceitar ser outro e começar tudo de novo jogando ao mar a sua parte podre. Só a ruptura pode reinventá-lo. É racha ou implode.

O que diz o petismo para se defender: que para chegar o poder é preciso muito dinheiro. De onde tirá-lo se o financiamento das campanhas é privado e empresas não gastam se não for para ter retorno? Como ter maioria para governar sem fazer coalizões esdrúxulas e pagas? O atestado de óbito do PT é também o registro em cartório da morte das ilusões na política limpa. Fica assim: empresas podem até pagar a conta de partidos conservadores para que conservem seus interesses, mas quem pagaria a conta de um campanha contra esses interesses? O “apesar de” tentar voltar pela porta dos fundos. Deu.

Mas o PT não morre sozinho.

Leva o PP com ele. O atestado de óbito do PP foi lavrado pelo deputado gaúcho Jerônimo Goergen. Depois de aparecer na lista Janot, Goergen declarou o fim do PP. Ex-partido da ditadura, o PP acostumou-se a viver como assombração. Nunca se importou em jogar Maluf ao mar. Saberá continuar como resquício de si mesmo. Se precisar, troca mais uma vez de nome.

Pela troca de nomes os mortos conquistam a vida eterna.

A senadora gaúcha Ana Amélia Lemos já pensa em sair do PP. O ar ficou insuportável.

O PSDB já nasceu morto-vivo. Nega a mulher de César: acha que pode ser honesto sem parecer.

A política brasileira é um enorme cemitério de partidos.

 

 

 


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Artistas e intelectuais com contas secretas na Suíça

Postado por Juremir em 23 de março de 2015 - Uncategorized

As contas secretas na Suíça vão enlamear muita gente.

O jornal O Globo de hoje publica uma lista de celebridades (artistas, escritores e ditos intelectuais) que tiveram continhas discretas no paraíso suíço da proteção ao dinheiro que não gosta de ostentação: Tom Jobim, Jorge Amado, Jô Soares, Francisco Cuoco, Edson Celulari, Claudia Raia, Maitê Proença (a mesma das duas pensões por ter tomado o cuidado de nunca se casar para manter os ganhos do pai e da mãe) e outros que, na maioria, por coincidência, levantaram dinheiro com a Lei Rouanet para bancar suas obras de arte (o Brasil tem lei de incentivo para artista rico e famoso) que, em geral, naufragaram ou não passaram de besteirol de mercado para ganhar dinheiro e aparecer e aparecer na mídia amiga e complacente.

E agora, Jô?

A defesa dos nossos herói culturais vai ser dura.

Até pode sr que tenham obtido legalmente o dinheiro escondido. Mas, justamente, por que estava em contas secretas?

Era para burlar a receita federal?

Era para esconder a grana de algum parente chato mordedor?

Era medo de ser roubado numa conta comum?

Confesso que não entendo o conceito de conta secreta.

Se o dinheiro é legal, por que é colocado numa conta secreta?

Por que gente morando no Brasil – Como Jô, Cuoco e outros – guardou dinheiro em conta secreta na Suíça?

Por que todos negam?

Amanheci com muitas perguntas e nenhuma resposta convincente.




PT, PSDB, PP, PMDB e outros no mesmo saco

Postado por Juremir em 22 de março de 2015 - Uncategorized

A guerra é implacável entre os partidos brasileiros. Um faz, o outro se associa e um terceiro imita.

A corrupção na Petrobras, segundo os delatores, começou no governo FHC. O PT aprimorou com ajuda do PMDB e do PP.

O PSDB inventou o mensalão em Minas Gerais em benefício de Eduardo Azeredo. O PT, com PMDB, PP e outros, aperfeiçoou e tornou federal um esquema que era estadual e ainda razoavelmente discreto, embora eficaz e predador.

A justiça de São Paulo acaba de aceitar denúncia no caso do cartel de empresas do metrô paulistano. Um enorme propinoduto prosperou ao longo dos governos tucanos. José Serra e Geraldo Alckmin tiveram tempo e condições de perceber que estava vazando dinheiro público em horta alheia. A Siemens já confessou ter participado do jogo. Foi grana alta.

Em comum, PT e PSDB tem o mesmo discurso: ninguém sabia de nada. FHC não viu a compra da emenda da sua reeleição nem a corrupção na Petrobras. Azeredo não viu o mensalão que irrigou sua campanha. Lula jamais soube de qualquer coisa. Dilma não sabe de nada. De Mario Covas a Geraldo Alckmin ninguém viu a corrupção em São Paulo. Quanta cegueira!

Nas manifestações de 15 de março, legitimamente contra a corrupção, estranhamente só a corrupção do PT era visada.

Faz algum sentido. O PT tem o poder federal.

Mas nenhum cartazinho, que eu tenha visto, contra Renan Calheiros, Eduardo Cunha, PMDB, PSDB, PP e outros.

No Rio Grande do Sul, nenhuma faixinha sobre os seis do PP presentes na lista Janot.

Dia 12 de abril haverá nova rodada de manifestações no Brasil. Os paulistas vão protestar contra a ladroagem do metrô?

Entre nós, estão todos no mesmo saco, são todos muito parecidos e ainda tentam se livrar com a mesma desculpa: é muito perigoso tratar todos os políticos como farinha do mesmo saco, pois isso põe em risco a democracia.

Tem uma solução para isso: é só os políticos não se comportarem da mesma maneira.

Por enquanto, no atacado, não tem diferença.

Só a ideologia tem feito distinções.

E a justiça. O mensalão mineiro ainda não foi julgado. A emenda da eleição de FHC nem foi investigada.

O PT diz que nos seus governos nada se engaveta e ninguém interfere no trabalho da Polícia Federal.

Os antipetistas dizem que  há nada demais nisso, que esse é o funcionamento normal das instituições, mas, na época de FHC, o Procurador-Geral da República Geraldo Brindeiro arquivava tudo. O STF atual tem maioria indicada por Lula e Dilma. Mesmo assim, botou petistas na cadeia, aliviou a situação de Eduardo Azeredo, mandando seu caso para instâncias inferiores, e segue o seu curso mostrando autonomia, acertos e erros para todos os lados e até legislando quando acha necessário.

Por trás da indignação contra a corrupção corre o ódio ao bolsa-família.

Isso, porém, não absolve o PT, que, de resto, acabou.

A senadora Marta Suplicy já o declarou morto. Vai para o PSB. O senador gaúcho Paulo Paim quer sair.

O PT deu os doces.

Só falta o atestado de óbito. Depois de tanta corrupção, já vai tarde. Pode levar os demais com ele.

Os partidos brasileiros precisam ser refundados de cabo a rabo.

Quem aceita começar?

Precisamos de reforma política radical a ser feitos pelos políticos.

Eles não podem fazê-la.

Não querem se suicidar.




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