Porto Alegre, 01 de Março de 2015

Joaquim Levy, uma brincadeira da Dilma

Postado por Juremir em 28 de fevereiro de 2015 - Uncategorized

O ministro da Fazenda, o insosso Joaquim Levy, disse que a desoneração da folha de pagamentos, política adotada até agora pelo governo Dilma para dar uma força aos patrões, foi uma brincadeira ineficiente.

O petismo não gostou. Quem aprovou o projeto no parlamento também detestou.

Levy até agora só deu entrevistas desastradas.

Como diria o Tite, “fala muito”.

Levy é a maior brincadeira, até agora ineficiente, do novo governo Dilma.

Um economista de direita num governo pretensamente de esquerda.

Até agora, porém, Levy vinha atirando contra os direitos trabalhistas, encantando mídia lacerdinha e empresários. De repente, acertou seu estilingue contra o lado que o incensava. Começou a azedar,

O pós-eleições 2014 vem sendo o maior estelionato eleitoral já visto.

Dilma rasgou tudo o que disse durante a campanha.

O tucano Geraldo Alckmin, em São Paulo, admitiu o racionamento de água que negou até ganhar a eleição.

Outro tucano, o paranaense Beto Richa, afundou o seu Estado e vem fazendo tudo que prometeu não fazer.

O Brasil 2015 é 171.

Na cabeça.




O país dos casuísmos e das tetas

Postado por Juremir em 27 de fevereiro de 2015 - Uncategorized

Tudo muda. Tudo, no Brasil, permanece igual.

Quem pode, mama. Quem não pode, quer mamar.

Houve um tempo em que era comum se falar na dignidade de certas funções. A justiça tinha pompa em qualquer circunstância. A política elevava o sujeito. Nos tempos que correm – melhor, voam –, a política rebaixa e a justiça se rebaixa. Volta e meia, porém, políticos e magistrados queixam-se da desmoralização da justiça e da política pelo tratamento desrespeitoso da mídia, o que seria péssimo para a democracia e corrosivo para a política. Agora, entre nós, pode alguém levar, de fato, a sério a política e a justiça no Brasil?

A culpa é da mídia? Só um ingênuo compraria essa tese cada vez mais capenga.

A decisão da Câmara dos Deputados de voltar a pagar passagens para cônjuges de parlamentares é um escândalo que não se esconde da luz do dia. No caso, o saque aos cofres públicos não exige um esquema clandestino nem operadores secretos. O presidente da casa, deputado Eduardo Cunha, na caça aos votos dos colegas para chegar ao topo e derrotar o governo, comprometeu-se com as esposas dos potenciais eleitores a bancar-lhes voos para Brasília. As senhoras trataram de seduzir os seus esposos. Cunha deu um banho na concorrência. A legalidade da medida não existe. O que importa a legalidade quando se tem o poder da caneta e a cara-de-pau para assumir o ato como legítimo? A mídia jamais conseguiria fazer tanto pela desmoralização dos políticos quanto Eduardo Cunha e seus coleguinhas de chupeta.

O juiz que mandou recolher e leiloar bens do empresário Eike Batista é do time de Cunha. Encontrou um jeito de passear de Porsche. Quem garante que não pretendia arrematar, por meio de um testa de ferro, os seus objetos de desejo no leilão que fixou a toque de caixa? Qual será a punição para ele? O afastamento do processo de Eike é só um puxão de orelha. Depois do auxílio-moradia para juízes que possuem várias residências próprias, a dignidade da função ficou abalada.

A mídia nunca seria capaz de prejudicar mais a imagem da justiça do que o auxílio-moradia e o juiz do Rio de Janeiro dando uma voltinha no brinquedo de luxo do empresário falido e fanfarrão.

Eduardo Cunha afunda a Câmara de Deputados num momento em que já falta buraco para terminar de enterrá-la. O juiz Flávio Roberto de Souza enlameia a sua categoria quando ela mais precisa dar bons exemplos. O Brasil semeia casuísmos. O governo federal estimulava a criação de novos partidos para enfraquecer o PMDB, seu aliado no poder. A Câmara de Deputados de Eduardo Cunha bloqueou a estratégia não por virtude, mas para evitar o surgimento de concorrentes e frustrar a jogadinha de Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, pretende-se aprovar uma emenda constitucional, chamada de “PEC da bengala”, adiando a compulsória dos ministros de STF dos 70 para os 75 anos de idade. A ideia é impedir que Dilma Rousseff possa indicar mais quatro ministros até o final do seu mandato. Dá para acreditar nessa gente?

A pompa foi para o brejo. A dignidade manda lembranças. As circunstâncias imperam.

A ordem é chegar primeiro ao pote. Quer dizer, ao úbere.

Corram.

 




A política é uma ação entre amigos

Postado por Juremir em 26 de fevereiro de 2015 - Uncategorized

Não se pode negar que o Brasil tem a sua originalidade. Em quantos países convencionais uma empresa pode financiar a campanha de um candidato e depois fechar contratos com o Estado comandado pelo patrocinado eleito? As empreiteiras são o câncer do Brasil. Pagam as campanhas políticas, recebem a melhor parte do bolo e, quando dá rolo, alegam que foram extorquidas. A CPI da Petrobras, que deve ser instalada hoje na Câmara de Deputados, é mais um primor de originalidade: o presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB), teve 60% dos seus gastos de campanha bancados por empreiteiras que vai investigar. O relator, Luiz Sérgio (PT), ganhou das empresas que deve esquadrinhar em torno de 40% do que gastou para obter seu mandato.

Não interessa se essas doações foram legais. Quem paga a conta, cobra. Quem deve, não pode ser investigador isento. O Brasil é tão original que inventou a “propina legal”. Para abocanhar um contrato, a empresa se compromete a fazer doação de campanha pelas vias legais. O detalhe é que o dinheiro não sai do seu caixa, mas do valor superfaturado em comum acordo do serviço a ser prestado. Trocando em graúdos, o dinheiro ilegalmente saído dos cofres públicos vai para a bolsa dos partidos por caminhos eleitoralmente legalizados. Quando o bicho pega, monta-se uma Comissão Parlamentar de Inquérito controlada pelos amigos que receberam doações legais e não se sentem impedidos de investigar, opinar e trabalhar com pretensa isenção. Bacana. Não? É mundo interessante que não cabe na ficção por não ser verossímil, embora exista.

Enquanto isso, na cadeia, em Curitiba, executivos de empreiteiras choram as pitangas por terem de usar uma privada comum para suas necessidades fisiológicas antes acostumadas à pompa do mármore. Dá uma pena. Não? Todos aqueles anjinho acostumados a formar cartel para mamar nas tetas estatais tendo de comer com a mão e lavar vaso sanitário. Depois dessa, o juiz Moro é o meu herói. O capitalismo brasileiro não se constrange em pagar propina nem em se financiar com dinheiro do BNDES. O seu consolo é que a propina é uma instituição do capitalismo internacional como demonstram empresas do tipo Siemens e Alstom.

Quando a coisa aperta, faz-se um acordo com a justiça, paga-se uma multa elevada e toca-se o barco com as barbas de molho por algum tempo. Depois, a roda da fortuna gira e começa tudo de novo.

O capitalismo da propina é uma rentável ação entre amigos.

O governo brasileiro de esquerda, patrocinado por amigos banqueiros e empreiteiras, vai dar um talho nas pensões, no seguro-desemprego e em outros “privilégios” da insaciável classe trabalhadora. Outra saída seria, como recomendam o prêmio Nobel de economia Paul Krugman e a nova estrela internacional do assunto, o francês Thomas Piketty, taxar as grandes fortunas aumentando as alíquotas de impostos de quem ganha muito mais. O empresário Jacob Barata, o rei dos ônibus do Rio de Janeiro, poderia contribuir com o dinheiro que guarda no exterior graças aos bons serviços secretos do HSBC. Todo ano, porém, ele pede novos aumentos nas passagens, sem que os números reais dos seus lucros sejam mostrados.

O Brasil é original: o governo eleito pelos pobres quer governar para os ricos.

 




O perigo de venezuelização do Brasil pela direita

Postado por Juremir em 25 de fevereiro de 2015 - Uncategorized

Jamais a América do Sul se põe ao abrigo de quatro males: um golpe de Estado, uma ditadura de esquerda, uma ditadura de direita e uma goleada de uma seleção europeia. Há pouco, dizia-se que o Brasil corria o risco de uma venezuelização pela esquerda. O chavismo rondava o país. Agora, com a Venezuela dando mostras de que pode se tornar, de fato, uma ditadura, o Brasil corre o risco de uma venezuelização pela direita. Lá como cá o desejo da direita é de golpe de Estado pelas vias brandas, pero no mucho, do impeachment, de novas eleições ou de uma transição. Lá, pelo que parece, Maduro está caindo de podre. Aqui, Dilma está verdinha no segundo mandato. A oposição, porém, passadinha de lacerdismo não quer esperar mais longos quatro anos.

O lacerdismo é o mal do Brasil. Carlos Lacerda sonhava com golpes de Estado. Apoiou os que deram errado e foi cassado pelo golpe que ajudou a dar “certo”. A oposição brasileira que pede o impeachment de Dilma quer provas contra o prefeito de Caracas, preso por Maduro por suposta conspiração contra o governo. Por que não quer provas contra Dilma? Estou naquela fase em que não ponho a mão no fogo, pois sempre queima, claro, independentemente da honestidade ou desonestidade dos envolvidos. Maduro tem tudo para ser ditador. O prefeito de Caracas tem tudo para ser golpista tanto que já foi. O governo Dilma pode estar atolado no petrolão. Por que, num caso desses, o presidente do DEM, o pretenso moralizador José Agripino Maia, não estaria atoladinho no escândalo do Detran do Rio Grande do Norte? Não sei. Continuo acreditando em provas.

Sou bobo velho. Sei que, dependendo dos casos ou envolvidos, elas são um mero detalhe.

Maduro vai cair cedo ou tarde. Quando o vejo com aquele abrigo de treinador de futebol de quinta divisão com as cores da bandeira da Venezuela, torço que caia logo. Canastrão. Assim a Venezuela deixará de ser pauta. Os 90% de miseráveis retornarão às suas periferias, a democracia formal será restabelecida e ninguém mais se interessará por um país fulminado pela queda do preço do petróleo, que voltará a financiar apenas os ricos. Alguém fala do Haiti? A Coreia do Norte não sai da boca do povo. É uma ditadura nojenta dominada por um ditador maluco. A Arábia Saudita, outra ditadura nojenta, não atrai tanta atenção. Por que será? Deve ser pela mesma razão que o caso HSBC não dá tantas manchetes. Ou isso já é teoria da conspiração?

Por mim, derrubava todos. Ando louco da vida. A passagem do ônibus aumenta quase o dobro da inflação. A correção da tabela de imposto de renda, pouco mais da metade. O governo de esquerda quer engolir direitos trabalhistas, que a direita finge defender. É muito para a minha cabeça oca. Quero bola no chão. Quando será que direita e esquerda no Brasil vão se acostumar com a regra do jogo: perde, espera quatro anos, tenta de novo. O PSDB se parece cada vez mais com a UDN. Só falta um Carlos Lacerda.

O Corvo era um inescrupuloso brilhante. A turma de hoje só cabe no primeiro qualificativo.

Os interesses são os mesmos: tirar o “trababalhismo” do poder, mesmo que seja pelo golpe, e privatizar a Petrobras. A diferença é o tamanho dos escândalos. As cifras de hoje constrangem às de ontem.

 

 




Almoço com o governador Sartori

Postado por Juremir em 24 de fevereiro de 2015 - Uncategorized

No primeiro dia da volta das férias, estive no almoço do governador José Ivo Sartori, no Palácio Piratini, com jornalistas. Bom momento para rever um time dos chamados formadores de opinião de primeira linha e aquecer a máquina para o recomeço das atividades. O secretário da Comunicação Cleber Bevegnu começa a imprimir o seu jeito suave de pavimentação da relação do governador com a mídia. Tendo à sua direita na mesa o secretário Márcio Biolchi, Sartori mostrou-se descontraído, falante e bom anfitrião.

Se o poder pesa, como se diz, Sartori parecia com a musculatura bastante relaxada.

O estilo é importante para o governador. Ele fez questão de salientar esse aspecto. Disse que não gosta de espetacularização, de foguetório e de anúncios prematuros que possam não se converter em realizações. Procurou deixar claro que tem o seu jeito, respeita o dos outros e pretende continuar sendo quem sempre foi. Questionado, garantiu que não há previsão de atraso de salários do funcionalismo.

Diante do quadro de crise, porém, falar desse assunto parece cumprir três funções: salientar que a crise não é ficção, lidar com a vida como ela é – “Se não tiver dinheiro para pagar, o que vai se fazer?” – e revelar uma postura transparente, pragmática e sem maquilagem.

Ao longo da conversa, surgiram algumas esperanças: o governo gaúcho espera que a lei resultante da renegociação da dívida dos Estados com a União seja regulamentada até o final de março. Não é uma estimativa utópica, mas uma informação recebida de Brasília. Por aí poderá vir, quem sabe, algum fôlego para obter dinheiro fresco com novos empréstimos. Sartori foi mais enfático quanto ao papel das Parcerias Público-Privadas. Segundo ele, esse deve ser o caminho para o crescimento.

Existem empresas querendo vir para o Rio Grande do Sul. Será preciso produzir exceções no decreto de austeridade para dar incentivos em caso de boas oportunidades. Dialogar é a ordem.

Essa ordem se aplica ao caso do Imposto de Fronteira – diferença de alíquota de ICMS em relação a outros Estados –, derrubado pela Assembleia Legislativa durante o governo Tarso Genro, mas ainda não extinto efetivamente e recolado na mesa de debate na medida em que não se pode abrir mão de receita em tempos de vacas magras. Aquilo que pode ser bom para o comércio, como se sabe, pode ser ruim para a indústria local. O governador quer enxergar melhor no buraco da bala. Bem no seu estilo, observou que na mesa de negociações ninguém quer perder. Como fazer para que todos ganhem? Aperitivo: o agronegócio vai bem.

O setor industrial pena. Salada: o decreto de austeridade está garantindo tocar o barco até a casa ser arrumada. Prato principal: agilidade. Licenças ambientais precisam ser concedidas ou negadas com rapidez. Se não pode ser, nega logo. Educação, saúde e segurança são essenciais e, mesmo que tenham de sofrer medidas de gestão, não podem ser sacrificadas. É crucial.

Sobremesa: problemas de segurança, como o da lotação dos presídios, só serão resolvidos quando o governo federal adotar uma política penitenciária nacional. Cafezinho: nenhuma obra deixará de ser concluída por ter sido começada pelo governo anterior. Abraços.

 

 

 

 

 




As fórmulas esgotadas do Oscar

Postado por Juremir em 23 de fevereiro de 2015 - Uncategorized

Não sou fã de filmes que ganham Oscar.

Vez ou outra, claro, tem alguma obra-prima.

A cerimônia de entrega do Oscar é quase tão emocionante quanto um jogo do Inter com o São Paulo de Rio Grande ou uma formatura de 350 alunos com discursos de cada formando e declarações de júbilo.

Vi quase todos os concorrentes deste ano.

É uma das safras mais fracas.

Birdman é apenas mais um filme esquisito de um mexicano que adora esquisitices.

Grande Hotel Budapeste é um monumento ao tédio.

A Teoria de tudo repete uma fórmula explorada com frequência.

Fórmula, eis a palavra: o Oscar é uma fórmula.

Depois de decorada, só resta o tédio.

O cinema ainda precisando de uma sacudida.

Quem sabe uma nouvelle vague?

Um Cinema Novo?

Qualquer coisa.

Menos mais do mesmo.

Que tédio!


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