Porto Alegre, 25 de Maio de 2013

A ditadura canibal e as terras dos índios

Postado por Juremir em 24 de maio de 2013 - Uncategorized

“Relatório Figueiredo”

Jango foi derrubado por ter decidido fazer a reforma agrária. Esse foi o estopim da sua queda. Os militares que tomaram o poder, contudo, permitiram uma redistribuição de terras bastante original: a ferro e fogo. A Comissão Nacional da Verdade, que completou um ano de trabalho, redescobriu o chamado “relatório Figueiredo”, um dossiê de mais de sete mil páginas, desaparecido por quase quatro décadas, organizado pelo procurador Jáder de Figueiredo Correia no final dos anos 1960. O material mostra como fazendeiros, empresários e amigos do regime espoliaram índios, exterminaram tribos e apropriaram-se das suas terras torturando e saqueando.

Entre as técnicas sofisticadas de “reforma agrária” usadas por esses “desbravadores” constam a trituração de tornozelos de índios, divertidas caçadas a indígenas com azeitadas metralhadoras e distribuição de açúcar envenenado. As práticas do Velho Oeste americano parecem inocentes quando comparadas às nossas. De quebra, segundo o balanço da Comissão Nacional da Verdade, houve “desvio de verbas, negociatas e negligência com populações em extinção”. Tudo isso na suposta ditadura sem corrupção. O pau comeu desde o primeiro dia. Como se sabe, só em 1964, em torno de 50 mil pessoas foram presas por “subversão”. Quarenta e quatro resistentes foram “suicidados”.

Aos que ainda falam na bobagem do tal “julgamento dos dois lados”, vale ainda citar o historiador Carlos Fico: “Não menos de 20 mil foram submetidas à violência da tortura. Nos cerca de oitocentos processos por crimes contra a segurança nacional, e encaminhados à Justiça Militar, figuraram 11 mil indiciados e 8 mil acusados, resultando em alguns milhares de condenações”. Aí está.

Segundo a Comissão da Verdade já foram identificados 223 casos de violações a direitos de camponeses “com participação direta ou indireta de agentes da ditadura no período 1961-1988”. Isso inclui tortura, assassinatos de padres e freiras, invasão de terras e “organização de movimentos armados de proprietários de terras”. Pelo menos 17 povos indígenas foram vítimas da sanha “reformista” dos “pacatos” representantes do progresso.  A Comissão Nacional da Verdade botou a mão em cima de 300 documentos ultrassecretos e 600 documentos secretos.

Volto a Carlos Fico: entre 1968 e 1973, a CGI analisou 1.153 processos de corrupção: “Mais de 41% dos atingidos eram políticos (prefeitos e parlamentares) e aproximadamente 36% eram funcionários públicos. Num único ato, em 1973, chegaram ao Sistema CGI cerca de 400 representações ou denúncias”. Fico pergunta: “Por que, então, fracassou a iniciativa de ‘combate à corrupção’ do regime militar pós- AI-5?”. A resposta é desconcertante: “Em primeiro lugar, a impossibilidade de manter os militares num compartimento estanque, imunes à corrupção, notadamente quando já ocupavam tantos cargos importantes da estrutura administrativa federal. Não terão sido pouco os casos de processos interrompidos por causa da identificação de envolvimento de afiliados ao regime”.

 




O canibalismo comunista da Veja

Postado por Juremir em 24 de maio de 2013 - Uncategorized

Praticamente nenhuma pessoa séria leva a revista Veja a sério. Sabe-se que é uma publicação humorística. Faz um humor meio sem graça, apelativo, rasteiro, como é o humor dominante na mídia brasileira atual. Mas há um traço de original nesse humor: ele é ideológico. Nesta semana, porém, Veja caprichou no ridículo. O texto “Os ossos do socialismo” é uma obra-prima de charlatanismo, de reacionarismo delirante e de besteirol histórico. Segundo o repórter, que assina a matéria, há uma relação direta entre canibalismo e comunismo. Em 1609, os primeiros colonos ingleses instalados em Jamestown, na América, loucos de fome, comeram os seus semelhantes.

Arqueólogos descobriram os ossos de Jane, vítima do canibalismo dos seus parceiros de aventura no Novo Mundo. A revista Veja não tem a menor dúvida: “Jane foi devorada por seus pares como consequência do fracasso do modelo de produção coletiva implantado nos primeiros anos da colonização dos Estados Unidos. A propriedade era comunitária, e o fruto do trabalho era dividido igualmente entre todos. Era, portanto, uma experiência que antecipava os princípios básicos do comunismo. Deu no que deu”. Uau! A cadeia estabelecida é imperativa: o coletivismo levou à preguiça, que levou à improdutividade, que levou à fome, que levou ao canibalismo. A saída viria com a propriedade privada. É reportagem para prêmio Esso de estupidez. Longe de mim defender o comunismo. O buraco é mais embaixo. Vejamos.

O autor tem a segurança dos tolos encantados com o lugar que ocupam na escala social: “Se não fosse o sistema fracassado, a situação dificilmente teria chegado a esse ponto”. Todos os demais aspectos de adaptação e de conjuntura são desconsiderados. O reducionismo ideológico surge como uma iluminação. A solução chega com um novo administrador, que impõe à propriedade privada: “A decisão despertou os traços hoje bem conhecidos do capitalismo americano: o empreendedorismo e a aptidão para a competição”. Disso teria decorrido que, em 1775, os americanos “já eram mais altos que os ingleses”. Tem gente batendo os dentes nos consultórios de dentista, onde Veja é campeã de leitura, de tanto rir. É um riso nervoso.

Nem os primatas do Pânico fariam melhor.

Para a pragmática revista Veja, no coletivismo, entre trabalhar e comer seus semelhantes, as pessoas escolhem a segunda opção. Um colono comeu a esposa grávida. Veja, enfim, descobriu a origem da expressão “comunista comedor de criancinha”. Na verdade, encontrou algo mais grave, o comunista comedor de feto. Sem contar que Duda Teixeira chegou ao elo perdido, a origem sempre procurada do capitalismo, o estalo: “Foi essa mudança, nascida do trauma de um inverno em que colonos caíram na selvageria que permitiu aos Estados Unidos se tornar o maior gerador de riqueza do planeta e o berço do capitalismo moderno”. O capitalismo nada mais é que uma reação ao canibalismo comunista. Agora é científico.

Não fosse grosseiro, eu diria: é a coisa mais idiota que li.




Charles Aznavour, o talento não tem idade

Postado por Juremir em 23 de maio de 2013 - Uncategorized

O velho, genial e serelepe Charles Aznavour, no dia em que completou 89 anos de idade, encantou a plateia do Araújo Vianna, em Porto Alegre.

Estava lotado.

Durante o dia, ouvi comentários assim: “Tu vais ao show do Aznavour? É coisa de velho!” Como tem jovem preconceituoso e de mau gosto!

Talento não tem idade.

Aznavour é espetacular.

E, mais uma vez, demonstrou isso.

A voz está intacta.

A paixão pelo palco também.

Quero ser jovem como ele se chegar aos 89.

E partir em busca do país das maravilhas.




A chantagem das empresas de ônibus

Postado por Juremir em 22 de maio de 2013 - Cotidiano

Não existe novela boa, que é sempre ruim, sem ponto de virada. No meio da trama, o autor precisa de uma boa inversão. Quanto mais inverossímil, melhor. Quer dizer, pior. Ou seja, tanto faz. O importante é virar o jogo.

As empresas de ônibus de Porto Alegre estão nessa fase.

Partiram para o panfleto. Querem fazer baderna.

Se não forem “compensadas” pela Prefeitura, prometem, conforme disse o representante da ATP em programa de televisão de razoável audiência noturna de muita conversa e alguma cruzada, não pagar taxas e impostos. Devem andar lendo tratados de desobediência civil.

Não duvido que venham a fazer greve e a trancar com ônibus as avenidas Júlio de Castilhos e Mauá, parando Porto Alegre. O perigo é real.

O perigo é criar um Outono Porto-alegrense, com a galera ocupando as ruas e peitando os empresários sem a menor cerimônia. Melhor não brincar.

As empresas de ônibus insistem que a tarifa é insuficiente.

Não convencem.

Os serviços nas horas de pico são péssimos.

Sei do que falo. Eu uso.

É ônibus atrasado e lotado.

Um refrão.

Essa novela parece ter sido escrita por Glória Perez.

Tudo é absurdo.

Fala-se português na Turquia.

Os empresários não entendem o recado que vêm recebendo.

A audiência deles não para de cair.

Vai uma sugestão de enredo: diminuir a margem de lucro.

É sucesso certo.




Entrevistas: Maffesoli e a pós-modernidade

Postado por Juremir em 21 de maio de 2013 - Uncategorized

Michel Maffesoli,o pensador do novo tribalismo

Autor, entre outros livros, de A Conquista do Presente , O Conhecimento Comum, O Tempo das Tribos e A Contemplação do Mundo, o sociólogo francês Michel Maffesoli, nascido em 1944, enfrentou os clichês da intelectualidade e ousou dizer que a pós-modernidade caracteriza-se pelo tribalismo e não pelo individualismo levado às últimas consequências. Pensador extraordinário, construiu um modo particular e generoso de olhar o mundo contemporâneo. Alheio às oposições simplistas do debate entre esquerda e direita, mostra o que as aparências ensinam enquanto os intelectuais convencionais procuram os mistérios de obscuras e abstratas profundidades. Em duas entrevistas formais, novembro de 1993, em Porto Alegre, e março de 1995, em Paris, Michel Maffesoli apresenta a sua maneira original de olhar a vida.

I parte

A política acabou ou aconteceu uma mudança na forma de exercê-la?

Michel Maffesoli - Trata-se do fim de um sentido da palavra política, aprendido no fim do século XVIII: uma concepção da vida voltada para o futuro. É essa noção que repousa sobre o projeto, mais preocupada com o amanhã do que com o hoje, que acredito estar superada. Parece-me que na atualidade o futuro não interessa mais à vida social, ao povo. Falemos do povo: as pessoas banais que vivem o cotidiano não se importam mais com o futuro. Não é a questão da história ou das teorias debatidas por intelectuais que tem importância. Nada a ver com Fukuyama e suas abstrações. O foco do interesse deslocou-se para o que se vive aqui e agora.

Isso implicará o fim dos partidos políticos ?

Michel Maffesoli - Significa o fim do interesse da população pelos partidos políticos. Mas eu falo no que diz respeito à Europa, que conheço bem. Há um desengajamento profundo em relação à vida política, desde que não se dê o sentido original à palavra político : a vida da cidade.

Disso deriva uma sociedade mais conservadora ?

Michel Maffesoli - Não. Esse é um falso problema, uma maneira inútil e polêmica de colocar a questão. Não. Trata-se de um outro mundo, de uma outra perspectiva de olhar a realidade. Deixa-se a preocupação exclusiva com o futuro para se desenvolver um interesse acentuado pelo aqui e agora. Quando se retoma o sentido original da palavra política, a participação na vida da cidade, então a situação é diferente. Nesse caso, o político faz sentido. Mas a política no mundo contemporâneo deixou de lado a cidade para se dedicar a grandes ideias, utopias, projetos e narrativas. Pensar o fim do político é caminhar para a reflexão sobre o doméstico, os acontecimentos presentes.

O senhor continua a teorizar sobre a pós-modernidade. Qual a relação do fenômeno pós-moderno com o neoliberalismo ?

Michel Maffesoli - Nenhuma. A palavra pós-modernidade é técnica. Não se trata de um conceito. Ela descreve o que está sendo elaborado depois da modernidade. O que é a modernidade ? Era uma concepção da vida gestada desde o fim do século XVIII e assentada sobre uma concepção racional, futurista e progressista do mundo. Isso está acabando. Constato. O trabalho do intelectual consiste em refletir sobre o que está nascendo e remete ao cotidiano. É um falso processo ligar a pós-modernidade ao neoliberalismo. Este tem uma postura econômica precisa e implicações políticas específicas e não se preocupa com questões intelectuais ou de comunidades de base. Nada tenho a ver com o neoliberalismo.

O fim das utopias conduz à impossibilidade da construção de um mundo mais justo, democrático e solidário?

Michel Maffesoli - A morte das grandes utopias não significa a inexistência de pequenas utopias, vividas no cotidiano em doses homeopáticas. Não há mais o grande projeto marxista, voltado para a sociedade perfeita, mas há toda uma série de utopias minúsculas, intersticiais, que não são pensadas como utopias, mas vividas como tal. Na história, olhada com tranquilidade, existem momentos que privilegiam as utopias grandiosas e outros, como a Idade Média e a nossa época, debruçados sobre o cotidiano.

O senhor poderia dar exemplos de pequenas utopias ?

Michel Maffesoli - Cada um de nós pode localizá-las. Eu estudo muito os pequenos grupos de jovens, que chamo de tribos, e a maneira como desenvolvem a vida social. Examino os mecanismos que encontram para estabelecer novas formas de solidariedade, de vizinhança ou de resistência contra o desemprego. Interessam-me as construções simbólicas que reinventam a vida sexual e a família. Percebo o alastramento de uma espécie de família ampliada. São pequenas utopias. É preciso levar em consideração esses fenômenos para a boa compreensão deste final de século.

Por que o senhor considera o Brasil um laboratório da pós-modernidade ?

Michel Maffesoli - É uma posição pessoal derivada da minha simpatia pelo Brasil. Mas existem aspectos precisos. O Brasil é o país da diversidade e da pluralidade. Há um Brasil nordestino, outro paulista, um outro gaúcho… Para bem ou mal, o Brasil é multifacetado. Uma das características principais da pós-modernidade, para mim, é a pluralidade, o mosaico. O essencial, no entanto, é que há uma coerência nessa pluralidade. Apesar da abrangência das diferenças, o conjunto se reproduz e os fragmentos estão cimentados.

Qual é a diferença entre pós-modernidade e modernidade tardia?

Michel Maffesoli - O problema é teórico. A disputa semântica é supérflua. A pós-modernidade refere-se aos acontecimentos posteriores à modernidade. A ideia de modernidade tardia, defendida por Habermas, pretende salvar as utopias modernas, os ideais e os projetos. Trata-se, com a expressão modernidade tardia, de fazer crer que a modernidade continua a gerir seus sonhos e de que a sociedade perfeita será alcançada um dia. É como pedir apenas um pouco mais de paciência. A racionalidade das narrativas legitimadoras da modernidade continua a condicionar muitas análises. É compreensível. As incertezas atuais espalham melancolia e depressão. Busca-se, então, lenitivos. Mas, nas ruas, o povo vive outros sentidos e preocupações.

II parte

O fim do ideal democrático e o nascimento do ideal comunitário

O senhor é um dos grandes sociólogos contemporâneos empenhado na decifração do universo imaginal. A imagem é um poder ou o poder necessita de imagem?

Michel Maffesoli - A imagem interessa-me muito e eu me inscrevo na linha de alguém mais importante na análise desse fenômeno que é Gilbert Durand. A base teórica de minha reflexão permanece a obra de Durand. Na atualidade, a imagem é um poder. Durante a modernidade, entretanto, ela foi secundarizada. Poder antropológico que não cessa de voltar à boca do palco. Através das novas tecnologias, a imagem retoma o poder que tinha na antiguidade e nas sociedades tradicionais. Trato disso no meu livro “A Contemplação do Mundo”. Desde o momento em que a imagem reassume o seu poder antropológico tudo o que é da ordem do poder passa a ter necessidade dessa imagem. O poder sempre administra o que é importante. Nas sociedades tradicionais, o sacerdote e o guerreiro ou o sacerdote e o rei administravam os símbolos e as imagens correspondentes a eles. Hoje, para além da razão, o poder – político, econômico ou intelectual – precisava recorrer às imagens.

As imagens estão a serviço dos homens ou os homens tornaram-se escravos das imagens?

Michel Maffesoli - Em princípio, a imagem está a serviço do Homem. Trata-se de uma questão moderna que se apoia sobre a ideia de controle de algo. Acredito que somos mais dominados pela imagem do que a dominamos. Existem efeitos subliminares da imagem que escapam a todo controle. A penetração imaginal provocada por elementos que não pertencem ao nível da consciência indica que há uma ilusão a respeito da nossa capacidade de submeter a imagem.

Na contramão dos diagnósticos sobre o individualismo contemporâneo, o senhor continua a falar em tribalismo, de crise da representação e novas formas de “socialidade”. Esses fatores conjugados podem colocar a democracia e todos os valores de solidariedade, liberdade e comunicação entre as culturas em perigo?

Michel Maffesoli - Estou convencido de que o tema do tribalismo, em oposição ao individualismo, vem sendo cada vez mais reconhecido como pertinente, mesmo se os intelectuais resistem. Discuto com os homens que fazem a vida, de empresários a funcionários comuns, e percebo que eles, conhecedores da realidade concreta, visualizam também o aspecto tribalista da atualidade. Das empresas à moda, passando pelos jovens, vê-se bem a existência de algo que ultrapassa o individualismo. Passados vários anos da publicação de meu livro “O Tempo das Tribos”, descubro que a realidade encontrou a ficção ou, em resumo, a realidade social é essencialmente tribal. A palavra tribalismo, recusada naquela época, tornou-se amplamente empregada em nossos dias, ainda que nem sempre se faça referência a mim. Sem problema. Aquilo que era criticado de maneira moralista passou a ser quase um nome comum. Cada época possui um termo que a sintetiza. O tribalismo não esgota toda a nossa realidade social, mas dá conta de uma realidade precisa.

O mundo intelectual, globalmente, mesmo onde a capacidade de análise é mais generosa, continua a ter dificuldade para integrar esse fenômeno. O racionalismo não está apto a captar a especificidade do tribalismo. Feita a constatação de que não é o indivíduo a prevalecer, temos de buscar outras categorias. Democracia, representação política e ideal democrático não funcionam mais. Mas isso não implica a inexistência de outra maneira de organização.

Vivemos o fim do ideal democrático e o nascimento do ideal comunitário. Há, enfim, outras formas de solidariedade social e de organização política a partir das comunidades de base: o primado da subjetividade de massa em contraposição à subjetividade individual própria à representação democrática (republicana). Afirmar que chegamos ao fim do ideal democrático nada tem a ver com uma atitude reacionária ou de retorno à barbárie. Assistimos à emergência do novo no terreno do político.

O seu livro “A Contemplação do Mundo” apresenta uma crítica consistente do reducionismo econômico e destaca a importância da contemplação, da observação, no cotidiano das sociedades ocidentais de hoje. A economia da imagem tomou o lugar hegemônico da produção?

Michel Maffesoli - Sim. Anunciar o fim de algo é sempre um pouco ingênuo, mas a concepção econômica do mundo foi o grande vetor da modernidade e, em contrapartida, pode-se perceber a existência de outros elementos em jogo na atualidade, embora não seja fácil delimitar a natureza dos novos fatores. Podemos falar em aspectos imateriais que alimentam a vida social. A Câmara do Comércio de Marselha, por exemplo, atenta a essas modificações, procurou-me para que eu participe de uma discussão sobre o assunto. Mesmos os empresários sabem que a visão econômica tradicional atingiu o seu limite e que para compreender o real é preciso integrar o não-econômico.

Qual será o grande vetor do futuro? Marx e outros desvelaram os contornos do econômico como linha mestra da modernidade. A economia enquanto administração da produção persistirá, mas progride a relativização da economia no sentido da definição da vida pela produção. A ecologia será talvez a diretriz do amanhã. Ecologia na acepção ampla dada a esse termo por Morin. Do respeito à natureza ao hedonismo, ao prazer corporal, ao lazer, ao turismo, etc. Nisso tudo há sempre uma dimensão econômica. Antes, a economia era tudo; hoje, uma parte.

Pode-se construir um mundo melhor quando se está imerso em uma cultura da contemplação?

Michel Maffesoli - Outro dia, durante uma conferência no Brasil, onde testo as minhas ideias, afirmei de maneira provocadora que antes se pensava no intelectual como alguém que “dizia” o mundo. Ora, o mundo “diz-se” através dos homens. Ao empregar a palavra contemplação talvez eu não tivesse consciência da sua pertinência. Agora, reflexão feita, persisto, assino e descubro o quanto o termo é correto. A contemplação dos monges na Idade Média não era necessariamente passiva e induzia determinados modos de comportamento, de generosidade, caritativos, destinados a atenuar a infelicidade do mundo. Creio que existe hoje uma forma de contemplação capaz de estimular a generosidade nas relações entre os seres, respeitando-se o outro pelo que é e não pelo que se gostaria que fosse. Mantenho-me atento à razão sensível, interna, e creio que a contemplação pode resultar em contribuição, ainda que não seja no sentido da felicidade distribuída por alguém em posse de todo saber e de todas as soluções. O pensamento sincrético oriental mostra que, sem ter uma concepção brutal de intervenção, a contemplação pode operar como uma forma de participação.

Realizei o sonho de conhecer o interior do mosteiro dos Beneditinos de Olinda. Eu sempre me interessei pelas regras de vida dessa ordem na França. Fiquei surpreso, diante desses religiosos, em torno de 15, pelo fato de que não integram a Teologia da Libertação. Presos à dinâmica da oração e do trabalho (lógica da contemplação), eles conseguem, em contrapartida, fazer jorrar o respeito pelo próximo e dar o melhor deles mesmos para a comunidade. Enquanto outros « sabem » o caminho a ensinar, esses beneditinos preferem a integração.

O Brasil fornece-lhe inspiração?

Michel Maffesoli - Sim. Mas privilegio o respeito pelos trabalhos dos pesquisadores brasileiros que, mesmo próximos de mim, examinam as relações entre as teorias europeias e a cultura brasileira. O senhor, por exemplo, defendeu tese comigo sem negar a influência de Morin, Baudrillard e Duvignaud. Assim é que deve ser. Outros, entretanto, e penso em Althusser, que teve repercussão no Brasil, agiam no não-respeito.

O senhor cita com frequência Heidegger, Nietzsche, Jünger, Pareto e muitos outros que tiveram laços diretos com a extrema-direita ou foram apropriados de alguma maneira, por exemplo, pelo nacional-socialismo. Qual a sua reação quando os adversários afirmam que o senhor é o continuador de uma filosofia reacionária centrada sobre temas caros à direita como a « comunidade »?

Michel Maffesoli - Não reajo. Com o avanço da idade, não tenho mais vontade de reagir, o que é reacionário. Não sou politicamente de direita. A minha sensibilidade é popular em função de minhas origens e de minha personalidade. As ideias que trabalho decorrem em grande parte dessa perspectiva que nada tem a ver com privilégios. Na esquerda, porém, há toda uma trajetória e uma atitude reacionárias feitas de ausência de generosidade e por pequenos ou grandes burgueses. Temos a « esquerda caviar ». Em 1981, quando Mitterrand foi eleito, escrevi um artigo sobre a necessidade de manter distância em relação aos novos donos do poder. O porta-voz de Mitterrand escreveu-me uma carta agora na qual reconhece que a « esquerda caviar » estava mais próxima da direita do que do socialismo.

A utilização de autores diabolizados não é para mim um insulto. Não sou heideggeriano, embora conheça bem a filosofia de Heidegger. Estou de fato próximo de Nietzsche. Interessei-me por Jung, também acusado de cumplicidade com o nacional-socialismo, a título pessoal e leio-o sistematicamente nos últimos anos. Estimo Jünger, tive uma correspondência com ele, mas não respaldo a sua adesão momentânea ao nacional-socialismo. Pode-se pegar ideias em autores que em certos momentos tiveram posturas políticas com as quais não concordamos. Na França, Heidegger foi levado ao pináculo. Depois, começou-se a descobrir o que todos sabiam, certas relações com os nazistas, e ele foi rejeitado em bloco. Adoração e rejeição sistemáticas são atitudes imbecis e próprios aos inseguros. O intelectual deve ser um aristocrata – livre de espírito – decidido a não se tornar escravo de nenhum pensador.

Seria possível afirmar que, por não nutrir nenhuma nostalgia de um passado mítico, não temer a tecnologia e não mergulhar no pessimismo, o senhor é o único verdadeiro pós-moderno. Como integrar Nietzsche, antimoderno, e Heidegger, que desconfiava da técnica, no pensamento caracterizador de uma época marcada pela aceleração e desenvolvimento tecnológico de ponta?

Michel Maffesoli - Escrevi um texto em 1970 sobre Heidegger e a técnica que não foi publicado. Talvez eu o retome. Heidegger tem uma relação ambígua com a técnica. Ao mesmo tempo, critica-a em nome do passado e reconhece a irreversibilidade do movimento. Certos autores têm intuições premonitórias ao menos em uma parte do que escrevem. Nietzsche e Heidegger fazem parte dessa categoria. Jünger também. Quais são essas intuições? A relativização, por exemplo, da hegemonia explicativa da economia. Nietzsche e Heidegger retomaram aspectos da existência humana que a modernidade havia relegado: a paixão, o onírico, o imaterial, etc. Eu uso e abuso dos autores sem me prender a eles. Eis a antropofagia do modernismo de Oswald de Andrade. O fato de que interpretações mal-intencionadas aproveitam isso para me estigmatizar e rotular à direita não me interessa, pois nascem dos mesmos que virão amanhã me convidar para dar conferências.

A sua crítica do racionalismo cego e a abertura ao não-racional são vistas por vezes como um elogio do irracional. O senhor é no fundo um místico?

Michel Maffesoli - A perspectiva mística interessa-me cada vez mais, assim como a contemplação, e permite-me uma melhor compreensão do que acontece na atualidade. A realidade torna-se cada vez mais mística e contemplativa. Temo o emprego da palavra irracional e ocupo-me antes do não-racional. A estigmatização através do rótulo « irracional » é ainda uma tática de quem tem medo, caso dos intelectuais e de tantos acadêmicos improdutivos.

As crianças na França conhecem uma canção interessante através da qual a acusação retorna ao acusador: « Se tu dizes é porque tu és ». Sabedoria infantil. O meu objetivo é mostrar que o grande racionalismo moderno não é mais o vetor da sociedade. Pode-se lamentar isso. A cultura do sentimento está em obra. Constato. De nada adiante tentar administrar o mundo desde a fortaleza universitária através da razão instrumental. A « comunidade » pode ter sido reacionária em outro tempo. Hoje, no que chamo de tribalismo, está o sentimento comunitário, a emoção vivida em comum, etc. Na comunidade existem categorias – o afetivo, a emoção, etc – que não são racionais.

Com Jean Baudrillard e Edgar Morin, o senhor forma a tríade mais inconformista da sociologia francesa. Ser um intelectual que incomoda e sacode o pensamento institucionalizado implica em sofrimento pessoal?

Michel Maffesoli - Não. Agora não. É irritante ver por vezes os estudantes que formamos bloqueados aqui ou ali. Sou um caso particular. Morin também. Baudrillard sofreu mais. Fui nomeado professor titular da Sorbonne muito jovem. O mais novo na época. Esse estatuto, apesar de críticas e operações contra os meus estudantes, protegeu-me. Obtive reconhecimento internacional rápido, antes da maioria de meus colegas, e compensei o bloqueio francês com a reflexão no estrangeiro. O mais importante é realização do próprio trabalho. O verdadeiro sofrimento está no solidão necessária, no gabinete, para pensar. Continuo a passar longas horas de isolamento, leitura, sonho e reflexão. Os golpes dos outros já não me atingem. A minha divisa, aprendida em Santo Agostinho, diz que « o bem difunde-se sozinho ». Morin, ao escrever “Meus Demônios”, retoma a ideia socrática do « gênio » de cada um. É preciso ser fiel ao próprio « gênio ».

O senhor pensa, como Jean Baudrillard, que o mundo ultrapassou o conservadorismo e vive a era da metástase?

Michel Maffesoli - Baudrillard é meu amigo e tem uma trabalho relevante, mas discordo de certas análises dele. O mesmo vale para Morin. Baudrillard parece-me cercado por seu próprio sistema, encurralado pelo jogo de imagens que criou. Pela ideia do simulacro, que explora desde longo tempo, vê-se o limite da exploração de uma metáfora. Levada ao extremo, a imagem nada mais significa. A metástase é uma expressão dessa estratégia pela qual só há profusão e não existe mais o real. Não concordo. A crítica do mecanicismo e de um certo racionalismo da realidade não significa a inexistência de outras formas de estar-junto: a socialidade. Onde ele vê o simulacro e a metástase, enxergo uma análise idealista e moralista.

Em “A Contemplação do Mundo” apresento algumas páginas de crítica da perspectiva de Baudrillard.

Qual o lugar de Jung no seu pensamento?

Michel Maffesoli - Diziam-me que era influenciado por Jung quando eu não o tinha lido. Havia parado em 1975 na metade de Psicologia e Alquimia . Retomei-o há três meses. Sofri, em contrapartida, a influência de Gilbert Durand que se sensibilizara com as ideias de Jung. Recebi-o, portanto, de maneira indireta e talvez no que se refere aos arquétipos.

Hoje, preocupado com a imagem e o imaginário coletivo, procurei de fato o pensamento de Jung. Nas minhas próximas obras certamente se poderá notar ainda mais o papel de Jung. Há nele algo – uma concepção do global – que ajuda a entender o imaterial contemporâneo. O último livro de Morin surpreendeu-me por revelar o quanto ele conhece Jung apesar de quase não ter falado disso antes.

O Brasil representa ainda para o senhor um laboratório da pós-modernidade – candomblé mais tecnologia de ponta – assim, segundo a sua associação deliciosa, como para Lenin o socialismo significava a eletricidade mais os soviets?

Michel Maffesoli - Fórmulas! Continua a pensar o mesmo com outros termos e acredito na sinergia do arcaico e do desenvolvimento tecnológico. O Brasil vivo, não o dos intelectuais, é fascinante na medida em que não está bloqueado pelos escrúpulos do Primeiro Mundo e exprime uma forma de vitalismo. A pós-modernidade, na contramão do pessimismo, é a expressão desse vitalismo. O Brasil é uma terra de futuro por viver a intensidade do presente. Cada vez que vou ao Brasil fico espantado com a imensa distância existente entre o discurso miserabilista de certos intelectuais brasileiros e a realidade que é vitalista. Os tecnocratas de esquerda, na França, que nunca pegaram o metrô não compreendem as estratégias de sobrevivência dos desempregados. Pergunto-me se o mesmo não ocorre no Brasil.




Ambientalistas contra o corte das árvores

Postado por Juremir em 20 de maio de 2013 - Cotidiano
“Segunda-feira é dia de Marcha pelas Árvores! Sabe por quê?
O Judiciário liberou na última quinta o corte de 115 grandes árvores na região do Gasômetro. A obra, milionária e ineficaz, foi licenciada pela SMAM do Záchia, nosso ex-secretário do Meio Ambiente que saiu há poucos dias do Presídio Central, onde encontrava-se detido devido a suspeita de participação em uma rede de fraudes em licenças ambientais.

Em nome de interesses privados, a Prefeitura promete massacrar os 115 “vegetais”, substituindo-os por asfalto. A Prefeitura Fortunati se recusa a apresentar alternativas ao projeto e promete recomeçar os cortes o quanto antes. Além da perda ambiental, a obra vem retirar da população um espaço de encontro e convivência, dificultando a circulação de pedestres.

Indo na contramão das novas políticas internacionais de mobilidade urbana, o poder municipal aposta na falsa sensação de que a duplicação de grandes vias é a solução para os problemas de congestionamento, o que muitas vezes pode confundir aqueles que enfrentam esta dificuldade diariamente. Frente aos inúmeros pareceres de urbanistas que afirmam o quanto a duplicação da via é uma estratégia equivocada, percebe-se que a obra é ligada diretamente aos interesses das construtoras e da indústria automobilística e não à vontade e necessidade popular.

Porto Alegre, nossa maltratada cidade, já teve que LUTAR muito para salvar o pouco do seu patrimônio histórico e ambiental que ainda está de pé. Em 1975, ousamos lutar e ousamos vencer na luta pelas árvores da Faculdade de Direito. Na mesma década a mobilização popular evitou a demolição do Mercado Público e da Usina do Gasômetro (que ocorreriam devido a outras obras estúpidas de incentivo ao uso do carro). Há pouco, tão pouco que esse sopro ainda nos enche os pulmões, a população foi às ruas em massa e barrou mais um aumento criminoso da passagem.

Seguiremos construindo a tradição libertária desta cidade, que luta por ser mais que um porto e quer ser um Porto Alegre. Nesta segunda-feira marcharemos com nossos tambores da Prefeitura ao Gasômetro, para que o poder público municipal saiba o que o povo quer.

Este ato é aberto a todos os coletivos e movimentos que quiserem se somar! Esta luta não é de poucos, é de todo um povo. Ousando lutar, ousaremos vencer!

MOVIMENTOS que convocam o ato:

AGAPAN.
Amigos da Gonçalo de Carvalho.
APEDeMA – Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul.
Centro de Estudos Ambientais.
Coágulo Criações – coletivo de cultura.
Comitê Latino-Americano.
Corações que Batem nas Árvores.
Defesa Pública da Alegria.
Núcleo de Ecojornalistas do RS – NEJ-RS.
Ocupa Árvores – acampamento de resistência.
PoA em Movimento.”




Vereador mostra “buracos” do pedágio de Pelotas

Postado por Juremir em 20 de maio de 2013 - Cotidiano

TERMO ADITIVO N.º 01/2000 DO POLO PELOTAS

NOVO CONTRATO PÚBLICO SEM LICITAÇÃO

Como as ideias são importantes. O problema das estradas no RS começou por uma ideia. Os mais jovens não lembram, mas foi a partir de uma ideia política que quis por fim a Era Vargas. A ideia do estado mínimo, o chamado neoliberalismo, foi o que levou ao sucateamento das estradas no RS. Deixaram que o mato crescesse nos acostamentos, que crateras fossem se formando no meio das estradas sem que qualquer reparo fosse feito. Eu mesmo tive duas vezes o aro da roda do meu carro quebrado em buracos enormes nas estradas que depois seriam do Polo Pelotas. O Executivo Federal se declarou incompetente para administrar nossas estradas. Criaram uma situação tão crítica, tão desesperadora, tantos acidentes, tantas pessoas morreram que houve um clamor popular por investimentos nas estradas! A solução apontada pelos administradores de então foi a concessão para a iniciativa privada. Houve até uma espécie de aceitação inicial. Pior do que estava não poderia ficar. “O poder público não sabe administrar com competência, somente a iniciativa privada tem condições de administrar”, diziam, eu lembro bem.

Chegamos ao atual modelo de pedágios no RS pela mão do ex-Gov. Antônio Britto (Gov.1995-1999), que após privatizar a Companhia Riograndense de Telecomunicações – CRT em 1997 e parte da CEEE, Estatais criadas por Brizola, virou consultor da Telefônica da Espanha o que levou a suspeitas de favorecimento na privatização da CRT.  Hoje é consultor da Claro, operadora de telefonia móvel. O figurino dos pedágios foi importado da Argentina, do governo neoliberal fracassado de Carlos Menen (Pres.1989-1999).

O modelo de Polos só existe no RS. Estradas construídas com dinheiro público reformadas e entregues para que a iniciativa privada fizesse simplesmente sua manutenção e conservação. Fazer roçadas, pequenos consertos, um modelo de capitalismo sem nenhum risco para os empresários. Em outros países os empresários pedem autorização para o Estado para construírem estradas de três ou quatro pistas e cobram pedágio por vários anos para reembolsarem-se do grande investimento social que fizeram. Além disso, existem estradas como as nossas de uma única pista que servem de alternativa para os que não querem pagar o pedágio.

Desde o início os contratos de pedágios foram questionados pela sociedade gaúcha e pelo Ministério Público Estadual e Federal. Foram apontadas inúmeras ilegalidades e inconstitucionalidades nas licitações e nos contratos, já em novembro de 1997, o MPF ajuizou ação civil pública firmada por 9 (nove) Procuradores da República, em que atacaram todos os convênios de delegação firmados entre União e RS, buscando a nulidade de todo o processo concernente ao Programa Estadual de Concessão Rodoviária (PECR,RS). Lamentavelmente o TRF da 4.ª Região cassou a liminar que havia sido concedida e o programa entrou em execução a partir de abril de 1998.

O Polo Pelotas foi criado na mesma concepção dos demais. Criado pela Lei 10.706/1996, a Empresa Ecosul, vencedora da licitação e o Estado firmaram o contrato n.º PJ/CD/215/98 em 24 de julho de 1998, que expiraria em 24/07/2013. Três etapas estavam estabelecidas: 1) a partir da assinatura, a concessionária deveria dar início aos primeiros trabalhos de manutenção: roçadas, sinalização temporária e tapa-buracos. Passados 2 anos não foram feitos os primeiros trabalhos. Em 24/03/1999 o DAER notificou a Ecosul e em dezembro do mesmo ano, denunciou o Convênio de Delegação, com vista ao encerramento do contrato.

Em 18/05/2000 a União substituiu o Estado do RS por meio do Contrato de Rerratificação e sub-rogação n.º 13/00-MT. Menos de dois meses depois, em 07/07/2000, o então Ministro dos Transportes Eliseu Padilha (1997-2001) celebrou TERMO ADITIVO N.º 001/2000 (TA1), que alterou profundamente as regras originais do contrato originário:

1)   Aumentou o prazo em mais 10 anos, passando de 15 para 25 anos, postergando o final até 04/03/2026;

2)   Permitiu a cobrança bidirecional, ida e volta;

3)   Permitiu a elevação das tarifas-básicas dos pedágios em 58,5%;

4)   Reduziu o padrão de qualidade dos serviços a serem prestados pela Ecosul;

5)   Aumentou a extensão das rodovias concedidas em 72,4 Km (13,1%);

6)   Reduziu de 5% para 2% (do valor estimado do contrato) a garantia a ser prestada em forma de caução pela Ecosul.

Houve um novo contrato. Houve fraude à licitação. Pode ter havido crime de dispensa de licitação.

Lei 8.666/93, Art. 3o A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos. (Redação dada pela Lei nº 12.349, de 2010) (Regulamento) (Regulamento) (Regulamento)

STJ:

Prorrogar contrato é prolongar o prazo original de sua vigência com o mesmo contratado e nas mesmas condições. Termo aditivo a contrato administrativo que fixa novo período de prestação de serviço mas mediante novas condições, não previstas no contrato original, constitui um novo contrato. Termo Aditivo representou uma contratação sob condições financeiras inéditas. NULA por violação as normas do processo licitatório. (RMS. 24.118/PR. Relator. Min. Teori Albino Zavascki, 1.ª Turma, julgado em 11/11/2008. DJe 15/12/2008).

CRIME DE DISPENSA DE LICITAÇÃO

Art. 89. Dispensar ou inexigir licitação fora das hipóteses previstas em lei, ou deixar de observar as formalidades pertinentes à dispensa ou à inexigibilidade:

Pena – detenção, de 3 (três) a 5 (cinco) anos, e multa.

Parágrafo único. Na mesma pena incorre aquele que, tendo comprovadamente concorrido para a consumação da ilegalidade, beneficiou-se da dispensa ou inexigibilidade ilegal, para celebrar contrato com o Poder Público.

Ex-prefeito de Canguçu, RS, Cássio Mota na audiência pública anterior falando sobre o termo aditivo n.º01/2000 disse que: “Se eu fizesse alguma coisa parecida como esse termo aditivo no meu município pode ter certeza que seria considerado ímprobo, nunca mais me meteria em política e possivelmente seria preso”.

Mesmo cobrando uma tarifa que chega a ser 240% superior a outras tarifas de Rodovias Federais e obtendo lucro anual de 400% sobre o seu patrimônio líquido, enquanto a média das empresas brasileiras é de 4% ao ano, a Ecosul continua investindo pouquíssimo na melhoria de nossas estradas. Os últimos balanços da empresa comprovam isso: Em 2009 investiu 7,2%; em 2010, 8,1%, em 2011 investiu somente 6,6% e em 2012 menos de 4% da receita anual arrecadada. Além disso, quem não lembra que a Ecosul levou um ano e meio (18 meses) para concluir as obras de reconstrução das duas pontes da BR 116 que foram levadas pelas águas nas enchentes de São Lourenço do Sul. Um desrespeito com os gaúchos. O TA1 criou obrigações extremamente gravosas aos usuários e ao mesmo tempo aumentou desmesuradamente o lucro da Ecosul, em detrimento de preceitos constitucionais, como o da adequação e modicidade das tarifas e legais que estabelecem que a licitação é indispensável ao interesse público. O TA1 provocou enriquecimento ilícito da Ecosul o que é incompatível com o desenvolvimento da infraestrutura que o país necessita.

No Ranking de ramos de atividades lucrativas realizado pela Austing Ratings (Reitins) em 2007, a exploração das estradas pedagiadas está em primeiro lugar, na frente do setor de petróleo (4.º lugar) e dos bancos (11.ºlugar) !

O modelo de privatização das estradas através dos polos no RS previa a criação de agências reguladoras que deveriam fiscalizar a atividade das concessionárias. Mas as agências têm sido acusadas de omissão na fiscalização e de não ter poder de sancionar os infratores. Somente podem apontar as irregularidades mas não podem fazer mais nada. Na verdade, tem sido somente homologadoras de reajustes de tarifas previamente contratadas.

Em um momento em que estamos vendo que as demais praças serão fechadas no RS ou administradas por um empresa pública que reduzirá significativamente as tarifas de pedágio, em que a União duplica a BR 392 entre Pelotas e Rio Grande e a BR 116 entre Pelotas e Camaquã, a Ecosul vai aumentar ainda mais seus lucros, mas toda nossa região será penalizada gravemente se não conseguirmos o reconhecimento da nulidade desse novo contrato feito sem licitação.

Temos uma concessão extremamente onerosa que ao contrário das outras praças está longe de terminar o que compromete o desenvolvimento da Metade Sul e aumenta em muito o custo Rio Grande e o custo Brasil, retirando competitividade da nossa economia.

Os grandes investimentos feitos no Porto de Rio Grande e a duplicação das BR 116 entre Pelotas e Camaquã e na BR 392 entre Pelotas e Rio Grande podem ficar comprometidos caso se mantenha a atual situação.

 

Existe Ação Civil Pública proposta pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística no RS (SETCERGS) mas a sociedade precisa estar mobilizada e unida para questionar o Governo Federal quanto a ilegalidade do TA1 e reivindicarmos que a Empresa Gaúcha de Rodovias S/A – EGR, assuma o Polo Pelotas se for necessário. Essa é uma tarefa de toda a região é mais uma tarefa para o Fórum de Vereadores da Metade Sul.

 

Marcus Siqueira da Cunha

053.8134.5166 / 053.3225.7717 (Gabinete)

Formado em História, Mestre em Filosofia do Direito, Professor do Curso de Direito da UCPel /Advogado /Líder da Bancada do PDT em Pelotas, RS.




Entrevistas marcantes: a mítica Béatrice Dalle

Exuberante, Béatrice Dalle entrou no saguão do Hotel Gray d’Albion. Interceptei-a e pedi-lhe uma entrevista exclusiva. Riu. Manhosa e simpática, óculos na ponta do nariz, seios fartos, nádegas generosas, a atriz mítica de 37,2 le Matin (Betty Blue) , contornou os obstáculos colocados pelos assessores de imprensa e, dizendo-se seduzida pela idéia de ir um dia ao Brasil, aceitou falar para o Brasil. Pediu-me para ter a paciência de acompanhá-la a uma sessão de fotografias no Noga Hilton e a uma rápida entrevista para o Canal Plus no Martinez. Percursos fulminantes, com multidões de fãs nas portas e fotógrafos desesperados em todo canto. Na volta ao Albion, Béatrice, em uma gostosa e longa conversa, burilou as respostas entrecortadas que dera durante o deslocamento. Vivendo um novo grande amor, ela olha o mundo com alegria e generosidade.

As paixões de uma atriz mítica

JMS – O mito de 37, 2 le Matin é um peso em sua carreira ou o passaporte permanente para o sucesso?

Béatrice Dalle – O peso foi enorme durante muito tempo. Tentaram me rotular: atriz de um só filme. Eu me tornei ao mesmo tempo célebre e limitada. Ninguém, no fundo, acreditava que eu pudesse sair bem em outro papel. Enfatizou-se o aspecto erótico da obra e esqueceu o drama de um casal em conflito, perdido, em busca de algo. Guardo uma imagem excelente das mágicas filmagens de 37,2 , mas consegui provar que, como deve ser um atriz ou ator, tenho a capacidade da metamorfose. Creio que a época das incertezas já passou.

- É realmente possível ser pudica, conforme uma declaração sua, quando se  é tão sensual e desejada?

Béatrice Dalle – Por que não seria? Não me exibo. Nem sequer fico com os seios de fora na praia. Mesmo assim, todo mundo fica atraído por minhas formas. Agrada-me saber que considera uma mulher extremamente carnal, mas mantenho a discrição. As que mostram muito têm, em geral, problemas com a sexualidade. Não emprego o tempo na propaganda do meu corpo.

- A sua inteligência e simpatia são sempre comentadas. Fora do cinema, o que lhe agrada mais fazer?

Béatrice Dalle – Amigos. Vivo para os outros. A solidão me horroriza. Preciso de muita gente em torno de mim. A comunicação é a minha maior qualidade. Família não se pode escolher, mas os amigos sim. São os verdadeiros irmãos que podemos ter ao longo da vida. As relações pessoais importam para mim mais do que tudo. Não me deixo prender pelas vaidades da sociedade. Prefiro os contatos singelos e sinceros. Os amigos são sempre poucos, mas verdadeiros e belos.

- E o amor? Há uma paixão, um sonho, vontade de ter filhos?

Béatrice Dalle – Uma grande paixão. Estou nas nuvens. Descubro a cada dia a grandeza do sexo com amor, do carinho partilhado, da vontade de estar junto e de tudo dar. É uma relação nova e não sei onde terminará. Talvez em casamento. Eu sou divorciada, mas nada tenho contra casar. Filhos? Sim. Em todo caso, o laço sangüíneo tem pouca importância para mim; Nenhuma. Quero adotar crianças de todas as cores e oferecer-lhes condições para que cresçam em um ambiente de tolerância, respeito e ausência de preconceitos. Adoro crianças. Há algo de muito maternal em mim.

- Atriz talentosa e bela, mito sexual, não lhe faltaram problemas durante algum tempo. A tempestade dissipou-se? A hora é da felicidade?

Béatrice Dalle – Sim. Da felicidade e da maturidade. Em Eu Não Tenho Sono, de minha amiga maravilhosa, Claire Denis, não possuo o papel de protagonista e mesmo assim estou contente. Aprendi que não é o número de minutos que se fica em cena o responsável pelo sucesso. Fundamental é o desempenho, que pode conquistar o público em duas ou três cenas. Não me considero um mito sexual, ainda que as pessoas me vejam assim. Encaram-me como mulher fatal, ajo como uma mulher comum. Quero paz, filhos, amor e amizade. Não houve, exatamente por isso, nenhuma dificuldade para interpretar meu personagem em Eu Não Tenho Sono : esposa indecisa e ligada ao marido.

- Como Claire Denis, cineasta dos excluídos, a marginalidade seduz-lhe?

Béatrice Dalle . Sem dúvida. Não suporto pensar que enquanto os homens se matam, as guerras religiosas multiplicam-se, as crianças abandonadas pululam e a fome devasta o Terceiro Mundo há quem se preocupe apenas com o sucesso pessoal, a riqueza ou as histórias sem conteúdo para filmes pretensiosos. Sinto-me uma marginal no mundo do cinema. Eu sou atriz por acaso. Não se trata de um sonho de criança, nem do desejo de passar por princesa em castelo inventados. Subir os degraus do Palácio do Festival não me transtorna. Cannes é um mercado do cinema e na minha concepção a arte não rima com mercadoria. Mas não posso mudar o mundo sozinha.

- A vida de estrela, com multidões de fãs, fotógrafos e jornalistas em seu encalço dão-lhe prazer ou cansaço?

Béatrice Dalle – Há o prazer das viagens, das relações que surgem, dos filmes maravilhosos e da arte. O desagradável é não poder parar para conversar com todo mundo, dar um  beijo, um aperto de mão, uma palavra. A pressa e o tumulto levam a um certo distanciamento. Começa-se a dizer que a pretensão nos domina. Eu não me tenho por pretensiosa. Infelizmente, com franqueza, preciso de guarda-costas. É impossível ceder a todos, ainda que a vontade de me dar um pouco seja permanente.

- Ser dirigida por uma mulher faz diferença ou o sexo nada tem a ver com isso?

Béatrice Dalle – Sim e não. O número de diretores extraordinários é enorme. Para mim, contudo, o trabalho com diretoras, Diane Kurys, Claire Devers e Claire Denis, resultou em algo extremamente gratificante; há uma sintonia que ultrapassa o limite das exigências técnicas do trabalho de ator. Claire Denis é especial para mim: chefe, amiga, conselheira e maravilhosa diretora. Não sou sexista. É bom salientar. Não luto contra os homens, embora tenha convicção da necesidade das mulheres de alcançarem de fato a igualdade. Em certas camadas sociais boa parte do caminho foi feito. Em outras, como todo mundo sabe, há muito trabalho a realizar. O talento, porém, não é atributo de um ou outro sexo.

- Projetos para o futuro imediato?

Béatrice Dalle – Trabalhar e amar. Explorar ao máximo a paixão que me caiu sobre a cabeça. Não quero perder esta aventura de sentimento e carne.

1995




Entrevistas: Haroldo de Campos e a transcriação

Postado por Juremir em 18 de maio de 2013 - Uncategorized

“Deus é um poeta de vanguarda”

Crítico literário e intelectual erudito, Haroldo de Campos afirma que “Deus é um poeta de vanguarda, na medida em que a Bíblia é um grande poema inovador”. Um dos criadores da poesia concreta, Haroldo de Campos, 64 anos, tradutor, poliglota, ensaísta e antes de tudo poeta e agitador cultural, elemento fundamental da hist6ria da literatura brasileira do século XX, esteve em Porto Alegre em abril de 1990 para participar de um ciclo de palestras promovido pelo Instituto Cultural Judaico Marc Chagall. Na ocasião, ele lançou Qohélet, o que sabe e Finismundo. E esbaldou-se nesta entrevista.

Da bela tradução do Eclesiastes, o senhor parece profundamente marcado por expressões como névoa-nada, que reaparece no poema Meninos, eu vi. O revolucionário concretista tomou-se cético?

Haroldo de Campos -Ninguém pode pretender traduzir o Eclesiastes, fundamental na força de sua raiz hebraica, e dizer que não se sentiu atingido. Esse poema é um dos ápices sobre a questão da finitude. Poucas vezes, o tema da morte foi tratado com tamanha altitude de elementos. É um poema radical. A minha posição em relação à poesia brasileira, no entanto, não é pessimista. Acredito no rigor e exijo competência. Conheço jovens cujo trabalho traz bons resultados, de Arnaldo Antunes a Nelson Ascher. O mais representativo de uma certa geração é o de Paulo Leminski: tradutor, poliglota e dono de uma experiência poética de vida extraordinária, mescla de Rimbaud e monge beneditino. Enfim, reconheço qualidades, insisto no rigor e quero ter tempo para cuidar de coisas importantes para mim.

Meninos, eu vi guarda certa relação com Pós-tudo, de Augusto de Campos, motivo de polêmica com Roberto Schwarz, para quem o senhor defendia a ‘poesia p6s-utópica”, onde tudo estaria melhor por ter ficado pior. Haroldo de Campos é um sábio socrático que tudo viu mas nada sabe porque o conhecimento é inesgotável e fugidio ?

H. C. – A ideia do pós-utópico diz respeito ao que me parecia ser o encerramento do ciclo das vanguardas sempre portadoras de um componente de utopia. O pós-utópico postulava a tomada do presente com base na consciência crítica de décadas de atividade poética. O Schwarz pertence à crítica sociológico-marxista incapacitada para decodificar a poesia, área da qual nunca veio o novo, mas só a desconfiança contra ele. Essa gente está sendo colocada na lata do lixo da história pelos fatos. Dispenso-me de trabalhar com tal pensamento.

José Guilherme Merquior, em De Praga a Paris, escreveu que depois do estruturalismo a crítica literária passou a reger-se pelo seguinte imperativo: “Nunca trate a literatura como se fosse sobre qualquer outra coisa que não linguagem. Há espaço para a narrativa de conteúdo ou o jogo é a marca do literário?

H. C. .Sem estabelecer um paradigma, penso que não se fará prosa relevante, mesmo épica, sem passar diretamente pelo problema da linguagem. João Ubaldo Ribeiro, em Viva o Povo Brasileiro, alia a capacidade fabulativa de Jorge Amado à paixão pela linguagem de Guimarães Rosa. Leminski, em Catatau, faz o caminho inverso: da linguagem à função épica. São obras diferentes e complementares, marcas criativas do bardo Ubaldo e do rapsodo Leminski.

Os pós-modernos asseguram que a era das vanguardas acabou. O que isso significa para quem, conforme Antônio Cândido, é um dos principais integrantes da última ação de literatura revolucionária de vanguarda no Brasil?

H. C. – Prefiro a vanguarda à retaguarda. Mesmo que não use o conceito de vanguarda e sim o de invenção, terei Camões, Goethe e Dante como inventores de linguagem. Na medida em que a Bíblia é um grande poema, inovador, e para muitos divino, Deus é um poeta de vanguarda.

Um grande poeta precisa ser poliglota (pelo menos seis línguas) e tradutor apaixonado ?

H. C. – Não. O melhor exemplo é Maiakovski, poeta mais importante e lido deste século, que era monolíngue. Mas o mundo planetário bombardeia o poeta com várias linguagens. Fernando Pessoa escreveu seu primeiro livro em inglês. Vivemos o universo plurilinguístico. Há nisso o aspecto da civilização. Na época de D. Afonso, o sábio, na Escola de Tradutores de Toledo, conviviam poetas de várias línguas e diferentes estilos. Signo de entendimento e civilização. O diálogo e o multilinguismo acabam por gerar espírito de tolerância e de aceitação da alteridade. A poesia passa por aí e toma-se sintoma de possibilidade de entendimento entre os homens. Toda literatura é fruto de transmigração.

A transposição de sua poesia para a linguagem do vídeo é o caminho natural de um trabalho anticonvencional?

H. C. .Desenvolvo um projeto com Júlio Bressane e os diretores de vídeo Cássio Moradei e Gil Hungria. Será uma série a partir de meu texto Galáxias, em três partes: Galáxia Albina, com Júlia Gam, já pronta, Galáxia Dark, com Beth Coelho, e Galáxia Ruiva, com Débora Bloch. Pretendemos levar isso à televisão comercial em seis capítulos de meia hora. O contato com Bressane, melhor cineasta brasileiro da atualidade, gerou um cinema de caleidoscópio, um barroco furioso, estilhaçado e vertiginoso.

Haroldo de Campos (concretismo) por ele mesmo.

H. C. – Na minha próxima conferência, vou ler poemas e mostrar minha permanente preocupação com o novo. O concretismo nasceu quando ainda dominava a geração de 45. Abordarei o tema com base nas críticas literárias de Sérgio Buarque de Holanda. Avancei oscilando entre a concreção e o barroco. Acabo de mostrar em Milão um pouco do concretismo. A poesia visual, derivada da concreta, está em desenvolvimento no Brasil, na Europa. Em São Paulo, Paulo Miranda e Omar Curi expõem sobre artistas que lidam com o espaço entre o visual e a palavra. A poesia concreta enquanto movimento coletivo encerrou-se. Isso não significa que os poetas ligados ao concretismo tenham parado. Eles seguem trajet6rias particulares. Augusto de Campos é o mais completo poeta interserni6tico entre nós. Pós-tudo tem ainda um pouco de concretismo. Eu passei do concretismo à concreção da linguagem, o que não caracteriza um movimento mas a própria poesia.

Abril de 1991 (O pensamento do fim do século, L&PM)




Resposta da Carris a críticas sobre atrasos do D43

Postado por Juremir em 17 de maio de 2013 - Cotidiano

Prezado Juremir,

A respeito dos comentários feitos no programa Esfera Pública, sobre os atrasos na linha D43 ocorridos ontem, a Carris esclarece que nessa quarta-feira, por volta das 18h30min, foram registrados atrasos nas viagens devido à chuva e à falta de luz que ocorreu em vários pontos da cidade.

Em situações normais, o tempo médio de espera deve ser de 10 minutos. A linha dispõe de 13 carros para cumprir a tabela horária. Há algumas situações de tráfego mais intenso em que a espera pode ser maior. Nos momentos de pico, mais problemáticos, todo o deslocamento, em qualquer tipo de veículo, é dificultado.

A situação deve melhorar com a finalização das obras de modificação de infraestrutura que estão sendo realizadas por toda a cidade. Teremos mais corredores de ônibus e vias mais rápidas, que vão privilegiar o transporte coletivo. O D43 tem apresentado intervalos atípicos principalmente desde o fechamento do corredor de ônibus da Avenida Osvaldo Aranha.

Em relação à situação relatada pelo apresentador Gabriel Jacobsen, informamos que o motorista é obrigado por lei a realizar as paradas e permitir o embarque de passageiros independentemente da lotação do ônibus. Só quem pode decidir se vai embarcar ou não no coletivo é o usuário. A medida está prevista na Lei Complementar 12, artigo 25, VII. Aparentemente, tal medida não foi adotada pelo motorista na situação apresentada.

A empresa lembra ainda que dispõe de uma unidade pronta a atender em situações como essa, ligadas diretamente aos passageiros – é o SACC, o Serviço de Atendimento ao Cliente Carris. Para entrar em contato, basta ligar para o 0800-9799855 (fixo), 3315-5444 (celular) ou mandar e-mail para o sacc.carris@carris.com.br. A partir do registro da reclamação, é possível identificar o problema e agir adequadamente, prevenindo futuras ocorrências semelhantes.

Atenciosamente,
————————————————–
João Paulo Magalhães
Coordenador de Comunicação e Marketing
Companhia Carris Porto-Alegrense
(51) 3289.2122 / 3289.2143
(51) 9840.5992

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