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Verão

Especial

Favela é vista sobre sua própria perspectiva na peça "Eles Não Usam Tênis Naique”

Espetáculo faz sessão única nesta terça, pelo 13º Palco Giratório Sesc

Cia. Marginal, vinda do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, assina o espetáculo ambientado em uma favela | Foto: Ratao Diniz / Divulgação / CP
Quatro atores da Cia. Marginal (RJ) interpretam pai e filha, afastados há muitos anos e cujo ponto em comum é o tráfico de drogas, em “Eles Não Usam Tênis Naique”. Dirigido por Isabel Penoni, o espetáculo estará apenas nesta terça-feira, as 20 horas no Teatro Renascença (Erico Verissimo, 307), pelo Palco Giratório Sesc.

O pai atuava como traficante nos anos 1980, quando o comércio ilegal de drogas ainda mantinha um vínculo moral com a comunidade. E a jovem é traficante hoje, em uma favela do Rio de janeiro. O reencontro destes personagens e o consequente embate ideológico é o mote do texto de Marcia Zanelatto, que sofreu intervenção dos atores, apropriando-o às suas perspectivas autobiográficas. “A história não é contada por uma ótica fictícia, mas da memória dos atores, que ficam desvelados e se colocam como indivíduo”, afirma a diretora.

Drogas, violência, diferença de classes, racismo e maioridade penal são alguns temas. O tráfico foi focado de uma forma incomum, com a alternância dos atores - todos da mesma idade - sem um viés realista, oferecendo diferentes ângulos. O trabalho estreou no final de 2016, em dois teatros da Zona Sul fluminense; circulou por festivais nacionais, como o de Curitiba e no exterior, como o Mexe (Porto), em Portugal, onde também foi para Lisboa.

Participando do festival Palco Giratório Sesc, com a recente contemplação no edital Sesi, em breve percorrerá o interior do Rio. Após 5 anos de oficinas na Maré, o grupo foi criado em 2005, mantendo-se graças a editais públicos. Seu objetivo é refletir sobre a cidade, a vida e o mundo a partir de seu território, o complexo de favelas da Maré e combater a visão estereotipada da periferia.

Vera Pinto