Porto Alegre, terça-feira, 21 de Outubro de 2014

  • 29/01/2013
  • 18:06
  • Atualização: 18:08

MP irá apurar responsabilidade de autoridades em Santa Maria

Aguardando laudo da perícia, delegado cita possíveis irregularidades na boate Kiss

MP irá apurar responsabilidade de autoridades em Santa Maria | Foto: Tarsila Pereira

MP irá apurar responsabilidade de autoridades em Santa Maria | Foto: Tarsila Pereira

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  • Rádio Guaíba e Correio do Povo

O inquérito policial que está sendo montado a partir das investigações sobre o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, servirá de base para promotoria de justiça do Ministério Público do Estado determinar uma possível responsabilidade das autoridades sobre o incidente, que teve mais de 230 vítimas fatais no domingo passado. “Estamos atentos a esse fato”, afirmou o promotor Joel Dutra, nesta terça-feira.

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O inquérito do MP, conforme o promotor, “tem por objetivo apurar a eventual responsabilidade administrativa de quem quer que seja”, frisou ele, em entrevista coletiva ao lado do delegado Marcelo Arigony.

O delegado disse que ainda aguarda os laudos da perícia realizada na casa noturna para a conclusão no inquérito. O prazo é de cerca de um mês. Até agora, a maioria das provas é testemunhal, o que as tornam mais “frágeis”, segundo o policial.

Indícios apontam que “casa não deveria estar funcionando”

No entanto, há indícios de que houve negligências dos responsáveis pela boate Kiss. “Temos uma série de circunstâncias que denota que houve diversas irregularidades e que essa casa não deveria estar funcionando”, afirmou, antes de ressaltar: “Isso ainda é preliminar”.

Arigony citou que a porta não era suficiente para dar vazão à saída de pessoas do local e que a espuma utilizada para o isolamento acústico era inflável e soltava gás tóxico quando queimada.

A estrutura da casa noturna também não era a mais adequada, segundo o delegado: “Não encontramos iluminação para o caso de crise lá dentro. Quando a fumaça tomou conta do ambiente, deveria haver iluminação indicando a saída, isso está nitidamente demonstrado que não funcionou”, apontou. “As pessoas correram para o banheiro pensando que fosse a saída. Acabaram morrendo asfixiadas no banheiro.”

Alvarás vencidos e reforma sem autorização

Mesmo ainda na fase inicial da investigação, a polícia já se aproxima de algumas conclusões: “O que já apuramos: que há uma série de irregularidades no local. Pelo que parece, o alvará era para 691 pessoas, o ambiente teria 615 metros de área. O alvará de incêndio estava vencido desde 10 de agosto e o alvará sanitário desde 10 de março”, listou ele, que espera receber os documentos encaminhados pela prefeitura de Santa Maria “a qualquer momento”.

Uma possível reforma na boate também está na pauta da investigação. “Nos parece que, a partir da prova testemunhal, foram feitas reformas lá dentro ao arrepio de qualquer fiscalização, por conta e risco do proprietário”.

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