Porto Alegre, sábado, 20 de Dezembro de 2014

  • 06/02/2014
  • 18:41
  • Atualização: 22:37

Rodoviários acenam com possibilidade de voltar frota mínima na Capital

MPT ajuizou pedido de dissídio coletivo e decisão sobre greve vai para a Justiça

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  • Luiz Sérgio Dibe / Correio do Povo

Após mais uma reunião entre rodoviários e empresas no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) sem acordo e o Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizar pedido de dissídio coletivo, a categoria acenou com a possibilidade da volta de circulação de ônibus em Porto Alegre, no final da tarde desta quinta-feira. Os trabalhadores querem que o TRT reveja liminar que torna a greve ilegal.

Conforme o presidente da comissão de negociação do dissídio, Alceu Weber , os rodoviários devem apresentar duas propostas: colocar 70% da frota somente nos horários de pico ou 30% dos coletivos durante todo o dia. Pela determinação da desembargadora Ana Luiza Kruse, os rodoviários deveriam garantir, no mínimo, 70% nos horários de pico e 30% nos demais.

Segundo Weber, a liminar no TRT tira a força da paralisação dos trabalhadores. A desembargadora prometeu analisar com brevidade ao assunto. A resposta dela pode sair ainda nesta sexta-feira. No entanto, Ana Luiza ressaltou que os descumprimentos da categoria depõem contra a iniciativa.

Dissídio coletivo

Uma nova tentativa de conciliação entre trabalhadores e patrões foi realizada nesta quinta no TRT. A reunião começou às 15h e a novidade foi o ajuizamento do pedido de dissídio coletivo pelo MPT. O órgão alegou que, diante de nenhum avanço nos últimos dias, as tratativas estavam “em caráter litigioso”.

O MPT aguardou até reuniões separadas de ambas as partes para discutirem a possibilidade de um novo posicionamento. Por volta das 17h, os representantes dos rodoviários e do Sindicato das Empresas de ônibus em Porto Alegre se encontram novamente. No entanto, uma diferença de 0,5% não permitiu acordo nas negociações de reajuste salarial. Com isso, a procuradora do Trabalho Beatriz Junqueira Fialho encaminhou a decisão para a Justiça.

A procuradora afirmou que, diante da ausência de diálogo e do transporte público ser um serviço essencial para a população, o MPT teve que agir. Ela destacou também que o ajuizamento do dissídio é uma “medida extrema”.

A partir de agora, conforme a desembargadora do TRT Ana Luiza, o trâmite será o seguinte: os trabalhadores têm 48 horas para apresentar as cláusulas de suas reivindicações e o sindicato patronal ganha 72 horas para elaborar sua defesa. Uma sessão será agendada. A provável data é o dia 17 de fevereiro. Até lá, a população porto-alegrense pode ficar desassistida de transporte público.

Negociação

Nas negociações desta tarde, o Seopa reafirmou que avançou nas propostas até o limite das suas condições econômicas. O sindicato das empresas chegou a oferecer plano de saúde gratuito aos funcionários e seus dependentes - além dos 7,5% de aumento e vale refeição de R$ 19 que haviam sido apresentados anteriormente.

Os trabalhadores não se agradaram do percentual de reajuste acenado pela patronal. No encontro desta tarde, os representantes chegaram a admitir a possibilidade de aceitar 8% de aumento e arcar com R$ 10 pelo plano de saúde. A contraproposta também foi rejeitada. O Sindicato dos Rodoviários agendou encontro para esta sexta-feira, às 10h, para expressar sua posição pública na sede da Força Sindical.


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