Porto Alegre, quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

  • 11/02/2014
  • 06:54
  • Atualização: 08:33

Após 15 dias de greve, ônibus voltam a circular em Porto Alegre

Todas as linhas da frota de coletivos estão nas ruas da Capital nesta manhã

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  • Correio do Povo

 Depois de 15 dias de greve dos rodoviários, os ônibus de Porto Alegre voltaram a circular normalmente nesta terça-feira. Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), todas as linhas estão nas ruas da Capital. O retorno dos coletivos ocorre assembleia ocorrida na noite dessa segunda, no Ginásio Tesourinha. 

A categoria comprometeu-se a colocar 100% da frota nas ruas hoje, mas rejeitou a proposta elaborada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Com isso, se mantém o estado de greve até o dia 17, quando o dissídio será definido pela Justiça do Trabalho.

A assembleia foi marcada por expressões de unidade da categoria, que mostrava sustentar a coesão de seu movimento com aplausos concedidos para as falas motivadoras da greve. Exibia a mesma convergência de pensamentos quando vaiava as intervenções mais moderadas, as quais cogitavam a possibilidade de aceitação da proposta de acordo construída pela manhã, no Tribunal Regional do Trabalho.

A chance de um desfecho para a greve por pouco não esbarrou na contingência do temporal das 20h30min, que ocasionou falta de energia elétrica no Tesourinha, impedindo que as defesas de posicionamento prosseguissem até a formação de um resultado. O momento de decisão foi exclusivo dos rodoviários. Trabalhadores de outras categorias e sindicalistas de diversas bandeiras, além de representantes de movimentos sociais, como o Bloco de Luta, que apoiou a greve, eram convidados a esperar no lado de fora do ginásio.

A arquibancada do Tesourinha estava tomada, efervescente em sua face localizada mais próxima da avenida Cascatinha. Instrumentos de samba, cartazes e vozes pressionavam a escolha das palavras nos pronunciamentos ao microfone, dentro da quadra esportiva.

Em uma das participações, o rodoviário Jorge Augusto da Silva Santos sintetizou o sentimento de muitos de seus pares. "Se a Justiça e a sociedade consideraram que o trabalho do motorista e do cobrador é essencial, isso é uma vitória. Mas vamos esperar que considerem também que respeitem e paguem a gente como essenciais", declarou.

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre, Julio Gamaliel, a proposta colocada para debate não era desprezível, mas a decisão de voltar ao trabalho foi mais inteligente do que a própria decisão sobre os ganhos. Gamaliel considerou o movimento marcante e histórico.

Já o dirigente da Comissão de Negociação do Dissídio, Alceu Weber, analisou que o retorno à atividade é uma atitude madura, que demonstra boa vontade e coragem. "Vamos voltar ao serviço, mesmo sem nenhuma garantia, acreditando que a Justiça entenderá que o trabalhador teve a atitude corajosa que os patrões e o poder público não tiveram", provocou Weber.

Multa

A vice-presidente do TRT4, desembargadora Ana Luiza Heineck Kruse, viu avanços importantes de ambos os lados para o final da greve. Ela disse que oportunamente se fará o debate sobre o valor das multas impostas ao sindicato, estimado em R$ 1,2 milhão. A cobrança será mantida, mas os índices poderão ser amenizados, concluiu.


Todas as linhas da frota de coletivos estão nas ruas da Capital nesta manhã / Foto: André Ávila

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