Porto Alegre, quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

  • 13/03/2014
  • 00:07
  • Atualização: 00:21

Protestos na Venezuela deixam três mortos nesta quarta-feira

Unasul decidiu criar comissão para acompanhar diálogo entre governo e oposição

Estudantes e policiais se enfrentaram centro de Caracas | Foto: Leo Ramirez / AFP / CP

Estudantes e policiais se enfrentaram centro de Caracas | Foto: Leo Ramirez / AFP / CP

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Estudantes e policiais se enfrentaram nesta quarta-feira no centro de Caracas, durante mais uma manifestação contra o governo do presidente Nicolas Maduro. A onda de protestos já deixou 24 mortos, incluindo três hoje, enquanto a Unasul criava uma comissão para promover o diálogo.

O confronto em Caracas teve início quando cerca de 3.000 estudantes foram interpelados por cerca de 300 policiais de choque, que bloquearam seu avanço em direção à Praça Venezuela, onde havia uma concentração de chavistas. Sob o lema "Movimento estudantil marcha contra a impunidade", a passeata tinha como destino final a sede da Defensoria Pública.

Dirigentes estudantis e políticos opositores, como David Smolansky, prefeito de El Hatillo, tentaram dialogar com os policiais, que negaram a passagem. Grupos de jovens jogaram pedras contra a polícia, que respondeu com bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água, dispersando a maior parte dos manifestantes.

Os opositores exigem a renúncia da defensora do povo Gabriela Ramírez, que na semana passada ressaltou a necessidade de investigar e distinguir os casos de maus-tratos e torturas policiais nos protestos, algo interpretado por alguns meios de comunicação como um apoio às violações de direitos humanos.

O presidente Nicolás Maduro avisou, na terça-feira, que o protesto não teria autorização diante da negativa da oposição de dialogar. No centro de Caracas, jovens vestidos de vermelho (a cor do chavismo) marcharam em apoio ao governo, sob o lema "Pela paz e pela vida".

No Estado de Carabobo, norte do país, três pessoas morreram nesta quarta durante os protestos contra o governo, elevando a 24 o número de óbitos desde o início das manifestações, há um mês, informaram as autoridades locais. Duas vítimas morreram durante manifestações na localidade de La Isabelica, em Valencia (capital de Carabobo), enquanto um membro da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) faleceu no município de Naguanagua.

Segundo o governador chavista de Carabobo, franco-atiradores dispararam contra sua própria gente que armava uma barricada na rua (em La Isabelica), deixando um morto e vários feridos. Mas a imprensa local afirma que o jovem Jesús Acosta, 20 anos e estudante da Universidade de Carabobo, foi morto por um tiro na cabeça quando estava próximo a sua casa em La Isabelica, distante dos protestos.

O prefeito opositor de Valencia, Miguel Cocchiola, informou que a segunda vítima em La Isabelica foi Guillermo Sánchez, 42 anos, vítima de um disparo quando estava diante de sua casa. O guarda nacional morto em Naguanagua era o capitão Ramso Ernesto Bracho Bravo, também baleado.

Comissão de Diálogo

A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) decidiu, em uma reunião extraordinária de chanceleres em Santiago, criar uma comissão para acompanhar o diálogo entre governo e oposição na Venezuela, a partir da primeira semana de abril.

Em uma declaração ao final da reunião de mais de quatro horas, os chanceleres concordaram em designar, a pedido do governo da Venezuela, uma comissão integrada por ministros das Relações Exteriores da Unasul para que, em seu nome, acompanhe, apoie e assessore um diálogo político, amplo e construtivo.

A comissão atuará considerando a conferência de paz instalada na Venezuela a pedido do governo do presidente Nicolás Maduro, e terá seu primeiro encontro na primeira semana de abril.

"Nos sentimos plenamente satisfeitos com a resolução. Nos sentimos acompanhados na luta do povo venezuelano pela democracia, pela paz", disse o chanceler venezuelano, Elías Jaua, ao final da reunião.


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