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26/03/2014 08:18 - Atualizado em 26/03/2014 08:40

"Ainda vou andar de metrô e tomar banho no Guaíba", diz prefeito

Porto Alegre virou a casa de muitos forasteiros

Fortunati admira de seu local de trabalho o marco zero da cidade: o chafariz do Paço
Crédito: Ricardo Gusti

“Eu ainda vou andar de metrô e tomar banho no Guaíba. Mais rapidamente tomar banho no Guaíba, mas eu tenho uma grande pretensão também de usar o metrô de Porto Alegre.” As afirmações não são duas promessas do prefeito José Fortunati, mas dois de seus sonhos. Desde 1974 vivendo na Capital, o filho de operários nascido em Flores da Cunha desembarcou na cidade grande para estudar Matemática na Ufrgs. “Havia duas condições para que eu pudesse vir a Porto Alegre estudar: passar na universidade pública e morar na Casa do Estudante, porque também não poderia pagar aluguel. Casualmente fui aceito nas duas”, recorda o prefeito da Capital.

Apesar da altura - Fortunati tem 1,98 m -, ele garante que se sentiu pequeno ao chegar à Capital. “Era uma metrópole, uma cidade gigantesca. Eu não tinha conhecidos, só a minha única irmã, mas ela dava aula o dia todo, então não tinha condições de conviver com ela, só no final de semana, mas daí eu voltava para casa.” A visita aos pais exigia uma certa ginástica. Fortunati madrugava no sábado e ia para a estrada pedir carona. 'Eu ia para casa na base do dedão.” Daquele tempo, ele aprendeu uma manha, que deixa como dica: “O lugar mais fácil de pegar carona é na saída da rodoviária”.

Quando ficava na Capital nos finais de semana, Fortunati ia com os amigos jogar futebol. O basquete só entrou na sua vida mais tarde, quando começou a trabalhar no Banco do Brasil. A alimentação nos dias de semana era feita no Restaurante Universitário da Ufrgs. “Comia de segunda a sábado no RU. Quando permanecia em Porto Alegre no final de semana, eu e outros colegas que conheciam as cozinheiras íamos pedir mais pão e banana. Essa era a nossa refeição de domingo.”

O primeiro endereço do prefeito na Capital ainda marca sua vida: avenida João Pessoa, 41. Desde a chegada, ele nunca deixou de viver no Centro. Hoje com dois cursos superiores completos - Administração e Direito, pois desistiu da Matemática -, Fortunati vive com a esposa, Regina, e os gatos, Lola e Obama, em um apartamento na rua Jerônimo Coelho, também no Centro.

O hábito de caminhar tornou-se seu meio de locomoção até a prefeitura. Aos finais de semana, ele prefere andar de bicicleta. “Eu sou ciclista há anos. Fã de bicicleta antiga. Uso as ciclovias do Centro e um capacete que, casualmente, é azul, preto e branco”, comenta o prefeito.

Criando raízes longe de casa

Nascido em São Geraldo (MG), em 1951, Tarciso Flecha Negra não ousava imaginar que conquistaria todos os sonhos de infância a 1,7 mil quilômetros de casa. Mas foi a Capital dos gaúchos que lhe ofereceu o aparato para a realização pessoal e profissional. O primeiro contato do então jogador de futebol do América (MG) com Porto Alegre ocorreu em 1972, quando o time enfrentou o Internacional, no Beira-Rio. Na partida, Flecha Negra fez o gol que tiraria o Colorado do Campeonato Brasileiro. A velocidade do atleta impressionou tanto que, em 1973, voltou à cidade como contratado pelo Grêmio. “Sentia frio em Porto Alegre e saudade dos meus pais. Demorei para me acostumar, mas a cidade acabou suprindo a minha carência. Comecei a amar Porto Alegre.”

Embora entre o final dos anos 80 e o início da década de 90 tenha se aventurado pelo Brasil e até no exterior, nunca ficou longe por muito tempo. “Eu já tinha filhos e não queria tirá-los daqui. Eles estavam criando suas raízes.” Quando se aposentou era chegada a hora de se reencontrar definitivamente com a cidade. Flecha Negra buscou a reaproximação montando escolinhas de futebol, em diferentes bairros. “Queria oferecer às crianças a chance de realizarem seus sonhos.” Em 2005, foi convidado a integrar a equipe da Secretaria Municipal de Esporte, Recreação e Lazer. Em 2008, elegeu-se vereador da cidade que o acolheu. Cumpre o segundo mandato.

Churrasco até 3 vezes por dia

Para quem nasceu em São Luís, no Maranhão, um frio próximo de zero grau não é um fator de fácil adaptação. Mas para Clemer Melo da Silva, há 12 anos em Porto Alegre, as baixas temperaturas já não incomodam mais. O ex-goleiro do Internacional, campeão do Mundial de Clubes de 2006, usa o chimarrão para se esquentar e se aproximar ainda mais do povo gaúcho, o qual admira pelo culto às tradições. “Cheguei numa época muito fria. Vim do Flamengo, no Rio de Janeiro. E de manhã cedo, por causa do treinamento, muitas vezes eu ficava todo molhado e aquele frio chegava a doer. Aí, me ofereceram o chimarrão”, conta. O primeiro gole, Clemer admite, “não foi muito agradável, meio amargo”. Mas hoje em dia a bebida típica é um hábito de todas as manhãs. Para selar de vez o jeito gaúcho de ser, até cavalo crioulo ele já teve na cidade. “Mas o doei a um menino de Gravataí. Soube, por meio de um amigo, que a égua que ele usava para ir à escola tinha morrido”, conta.

O apego a Porto Alegre é visível. Até porque a cidade lhe ofereceu uma série de “privilégios”. “Gosto de passear nos shoppings, adoro restaurantes, a culinária do Estado. O churrasco, tem vezes que eu como três vezes por dia”, revela. O bem-estar que encontra na cidade tem contribuído para investir em negócios e, sobretudo, permanecer com planos focados no futebol. “Quero me tornar um treinador de ponta”, avisa o técnico do Inter Sub-23, aos 45 anos.


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Fonte: Correio do Povo





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