Porto Alegre, sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

  • 11/04/2014
  • 20:08
  • Atualização: 21:05

Entre acusações, governo e oposição lançam diálogo inédito na Venezuela

Nicolás Maduro rejeitou proposta de anistia a presos

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  • AFP

Uma longa lista de acusações entre o governo e a oposição venezuelana, em um debate exibido pela televisão até a madrugada desta sexta-feira, marcou o início de um diálogo difícil e que deve continuar na terça-feira. O presidente socialista Nicolás Maduro, acompanhado por seu Estado-Maior, recebeu na quinta-feira no Palácio de Miraflores o candidato duas vezes derrotado da aliança Mesa de Unidade Democrática (MUD), Henrique Capriles. A ala radical da oposição, que exige a renúncia do governante, não estava presente.

O encontro, que aconteceu após intensas negociações dos chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), teve como testemunhas  os ministros de Equador, Brasil e Colômbia. 

Já na mesa, Maduro rejeitou as principais propostas da oposição - anistia a presos e desarmamento de civis ligados ao governo -, propôs que os opositores participem das discussões e convocou uma nova reunião para terça-feira, sem que uma agenda ou formato tenham sido definidos. "O presidente perde uma grande oportunidade de fazer uma concessão estratégica à oposição para aumentar a esperança em um diálogo", disse o cientista político Luis Vicente León, diretor da empresa Datanálisis.

Maduro, em uma introdução de quase uma hora, apresentou uma lista de críticas aos opositores, entre elas os apelos dos setores radicais por sua deposição, e pediu a condenação da violência como forma de fazer política, como estratégia para mudar governos.

O ex-chanceler de Chávez , que antecipou que não haveria negociação nem pacto,apresentou o encontro como "coexistência pacífica entre os dois modelos que existem na Venezuela: o socialismo bolivariano e humanista, e o representado pela oposição".

"Qualquer indício de um governo de reconciliação ativaria o setor extremista do chavismo, colocando a Venezuela em um abismo", escreveu nesta sexta-feira em um artigo o analista Nicmer Evans, ligado ao partido de governo. Durante o encontro, Capriles respondeu que dizendo que a Venezuela está em uma situação extremamente crítica. "Não queremos um golpe de Estado nem queremos uma explosão social. Queremos que este problema seja resolvido, mas para isto devemos respeitar a Constituição, deixar a repressão", declarou Capriles.

Há nove semanas, Maduro enfrenta os maiores protestos de seu primeiro ano de gestão, alguns deles violentos, com um registro de 41 mortos, 600 feridos e uma centena de denúncias por violações de direitos humanos. A cifra foi confirmada nesta sexta pela procuradora-geral Luisa Ortega Diaz.  "Em uma democracia, o diálogo deve ser a regra, não a exceção", disse o secretário executivo da MUD, Ramón Aveledo.

Pedido da oposição rejeitado 

"Há tempo para justiça e há tempo para perdão. É tempo para a justiça", enfatizou Maduro, ao rejeitar os pedidos de anistia aos detidos durante as manifestações e defender novamente os sindicatos, presentes como membros da delegação governamental. "Eu peço respeito pelos sindicatos. São essencialmente grupos de trabalho social", completou.

A Venezuela, país com as maiores reservas petrolíferas mundiais e com a segunda maior taxa de homicídios, é sacudida por uma onda de protestos contra o governo desde o início de fevereiro.  Incicialmente organizadas por estudantes da cidade de San Cristóbal (oeste) contra a insegurança, as manifestações ganharam corpo e se estenderam ao restante do país incorporando demandas contra a crise econômica. 

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