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29/04/2014 09:09 - Atualizado em 29/04/2014 09:32

Cacique afirma que agricultores teriam feito criança refém

Dois homens morreram em suposto confronto com indígenas em Faxinalzinho

O cacique da tribo caingangue Deoclídes de Paula, do Toldo do Votouro, disse em entrevista à rádio Guaíba, nesta terça-feira, que os dois agricultores da mesma família mortos nessa segunda-feira em suposto confronto com indígenas, teriam sido atacados por terem feito uma criança da tribo refém.

• Prefeito reclama de negligência da União em disputa de terras
• Dois agricultores são mortos em área de conflito indígena

As desavenças entre os agricultores e os índios, no entanto, vem de longa data. O cacique acusou o governo estadual de ter vendido terras da reserva, mas entende o medo dos agricultores de acabarem sem uma indenização. “Por que a gente briga pelas demarcações de terra? Para ter um espaço para viver. Daqui a pouco a gente vai ter que morar nas periferias da cidade”, disse de Paula. “O medo (deles) é que não haja indenização para os colonos", completou. Em reuniões com o governo federal, o cacique e representantes de outras tribos teriam pedido que o Estado mediasse um diálogo entre indígenas e agricultores, o que não foi atendido segundo ele.

O chefe da tribo explicou que o índio gaúcho é diferente do da Amazônia, porque precisa trabalhar. “O índio tem que comer, tem que pagar luz, então tem que trabalhar, inclusive em empresas”, explicou. No momento, são 80 mil hectares de terras demarcadas para 35 mil indígenas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessa área demarcada, de 30% a 40% é nativa, o que impede que a terra seja mexida. “É muito pouco”, reclamou de Paula.

Além disso, o cacique pediu que a imprensa ajude a “colocar o governo nos eixos” e afirma que o governo estadual vendeu as terras aos agricultores e agora não se manifesta a respeito. “O governo está preocupado com a Copa do Mundo enquanto índios, pequenos agricultores e periferias de bairro estão sofrendo dentro das grandes cidades. Mas dinheiro pra Copa tem”, argumentou.

Funai

O coordenador regional da Funai, Roberto Perin, deve se deslocar, ainda hoje, para Erechim, onde irá se encontrar com representantes do Ministério Público Federal (MPF) e, depois, para a cidade onde ocorreu o conflito.

Segundo a Brigada Militar, cerca de 50 índios bloquearam a estrada que liga dois pontos do interior do município. Eles reivindicam a demarcação de terras indígenas. Um grupo de agricultores teria tentado liberar a via, para a passagem de um caminhão carregado de ração, começando o confronto. Alcemar de Souza, de 33 anos, e Anderson de Souza, de 28, foram mortos. Em entrevista ao Programa Bom Dia desta terça-feira, o cacique Deuclides de Paula disse que as vítimas teriam feito uma criança indígena de refém.


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Fonte: Correio do Povo e Rádio Guaíba






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