A Vingança do Batman

A Vingança do Batman

Dirigido por Matt Reeves, o novo filme de Batman tem Robert Pattinson no papel principal

Marcos Santuario

Zoe Kravitz e Robert Pattinson como o homem-morcego na nova versão de ‘Batman’, na visão de Matt Reeves

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Os fãs do homem morcego estão em êxtase com a estreia nesta quinta-feira da nova aventura de seu ídolo em “Batman”. Foram realizadas várias sessões de pré-estreia, tal a ansiedade vislumbrada no ar. Independentemente de quem está por trás da máscara e da roupa do herói, o que vale, para o fã que se preze é a performance do personagem, e a história que o cerca. Desde sua estreia em 1943, o homem-morcego surgiu nas telas com variações marcantes. Transformou-se no personagem gótico imaginado pelo sempre ousado Tim Burton nos anos 80 e 90; e nas criações inventivas de Christopher Nolan na trilogia do século 21, com “O Cavaleiro das Trevas”. Ele já foi vivido por nomes como Adam West, Michael Keaton, Val Kilmer, George Clooney, Christian Bale e Ben Affleck. 

Agora surge interpretado pelo eterno vampiro da série “Crepúsculo”, Robert Pattinson. Só este fato já atrai uma legião de fãs do ator, para curtir e compartilhar as peripécias do homem morcego vivido pelo seu ídolo. Justiça seja feita. Pattinson também mostrou talento fora da franquia, em produções como “Lembranças” (2010), “Água para Elefantes” (2011), “Bel Ami: O Sedutor” (2012), “Cosmópolis” (2012), “The Rover – A Caçada” (2014), “Mapa para as Estrelas” (2014), “Z: A Cidade Proibida” (2016), “O Rei” (2019), “Tenet” (2020), “O Diabo de Cada Dia” (2020), entre outros. Por outro lado tem toda a mística do Batman, deste os tempos dos quadrinhos, em luta contra os bandidos escancaradamente apresentados na tela. 

A trama atual do Batman, dirigida pelo realizador, roteirista e produtor norte-americano de 55 anos Matt Reeves, nos leva para um universo mais complexo, menos dualista e com mais nuances. O mal está por todos os lados, e o bem pode também estar dentro de cada um, mesclado aos desejos de justiça, ao sonho de visibilidade e necessidade de ser amado. A Gotham City já decadente de filmes anteriores, agora convive com a violência cada vez mais explícita, ao mesmo tempo em que paira no ar, literalmente, a marca do morcego. Mais para lembrar e intimidar do que para marcar a presença do herói que, como ele mesmo diz “não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo”. A concentração dramática se dá na corrupção policial e política, já explorada em outras das histórias com os “batmans” anteriores. Novidade é a inclusão do fenômeno das redes sociais, utilizadas mais pelo vilão do que pelos “mocinhos” em questão.

Pattinson, o britânico de 35 anos, faz o tipo taciturno sim, e até, por vezes, inseguro. O ar sombrio predomina. Até o foco das imagens é prejudicado muitas vezes, dando a sensação de que nada é totalmente claro, límpido, translúcido. A vingança que estimula o homem morcego é ressignificada no final. O eterno órfão que vê a dor em crianças abandonadas e encontra empatia por cada uma delas, segue em busca dos assassinos de seus pais. Poder, corrupção, tráfico e vingança compõem o quadro de ações e reações que vão dando sentido à trama da produção que pretende ser uma das maiores bilheterias do ano. Com charadas do início ao fim, o vilão acaba se revelando alguém em busca de fama mas que, ao mesmo tempo, produz extermínio moral expondo ou eliminando poderosos corruptos de Gotham. A cereja do bolo cinematográfico é a nova Mulher-gato, vivida pela atriz, modelo e cantora norte-americana Zoë Isabella Kravitz, filha do cantor Lenny Kravitz e da atriz Lisa Bonet. Tem momentos que nem o super-homem-morcego resiste. Quem sabe daí resulte algo da esperança que falta no resto do filme.


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