Ares da milonga de Ramil que vêm e nos carregam há 25 anos

Ares da milonga de Ramil que vêm e nos carregam há 25 anos

Álbum ‘Ramilonga - A Estética do Frio’, do cantor e compositor pelotense ganha nesta quarta uma edição especial de 25 anos e um show na sexta

Luiz Gonzaga Lopes

Vitor Ramil: ‘Em 1997 lancei o Ramilonga e foi uma reviravolta para mim, quando eu defini o meu caminho naquele momento’

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Quem em sã consciência e idade culturalmente ativa no Rio Grande do Sul consegue esquecer 1997, quando ecoava nas rádios, vitrolas, walkmans e outros dispositivos, a canção “Ramilonga”, a estrela do disco homônimo “Ramilonga - A Estética do Frio”, que chegava às boas casas do ramo: “Chove na tarde fria de Porto Alegre/ Trago sozinho o verde do chimarrão/ Olho o cotidiano, sei que vou embora/ Nunca mais, nunca mais (...). Ares de milonga/ Vão e me carregam/ Por aí, por aí/ Ramilonga, Ramilonga”. 

De lá para cá, se passaram 25 anos e Vitor Ramil se tornou uma unanimidade no Brasil, nem sempre flertando com este gênero do Sul do mundo. Para comemorar a data, a Satolep Music lança hoje uma edição especial do álbum. “Eu vinha compondo milongas desde garoto. Semeadura eu fiz com 17 anos. Aos 19, eu musiquei uma do Jorge Luis Borges, ‘Milonga para Manuel Flores’. E assim foi indo”, conta. “Neste álbum novo do ‘Ramilonga’, tem um manuscrito meu de 1983, aos 21 anos, e eu dizia assim, ‘tive a ideia de Ramilonga, estou a caminho de mim’. Escrevi isto dois anos de compor a música e 14 anos antes de gravar o disco. Ramilonga se tornou um espécie de centro gravitacional de outras milongas que fui compondo e guardando”, destaca. Ele acrescenta que as milongas não se encaixavam em outros trabalhos. “Quando gravei o terceiro disco, ‘Tango’, eu já tinha ‘Ramilonga composta, mas achei que não tinha a ver com o disco. Muitas vezes sacrifiquei músicas importantes, não gravei só por serem bonitas ou que iriam fazer sucesso, procurei guardar as canções que vão centralizar outros trabalhos. Em 1997, eu lancei o ‘Ramilonga’ foi uma reviravolta para mim, quando eu defini o meu caminho naquele momento”, diz. 

O novo álbum aparece em formato físico luxuoso: um caderno de anotações que, além de páginas brancas e quadriculadas para o usuário, contém manuscritos de Vitor Ramil, letras, fotos, e o próprio álbum, remixado e remasterizado, em CD, com uma faixa bônus, chamada “Milongamango”, uma colagem musical de três milongas do repertório, “Milonga”, “Indo ao Pampa” e Milonga de sete cidades, mais a voz do poeta João da Cunha Vargas, extraída de fita cassete, dizendo o poema “Mango”, que Vitor também musicou e gravou no álbum “délibáb” (2010). 

“Ramilonga - A Estética do frio” ressurge com sonoridade aprimorada pela remixagem de Walter Costa e remasterização na Classic Master-USA, com produção de Vitor. No disco, é possível voltar a escutar os geniais Nico Assumpção (contrabaixo) e Zé Gomes (violino), já falecidos, além de André Gomes (sitar), Alexandre Fonseca (tablas, percussão e bateria) e Roger Scarton (harmonium). Kleiton Ramil toca violão em “Deixando o pago”, com voz e violões de Vitor. Para marcar o lançamento, nesta sexta, 7, às 21h, a PUCRS Cultura promove o show “Ramilonga: A Estética do Frio – 25 anos”, no Salão de Atos (Ipiranga, 6681, com ingressos pelo Guichê Web ou na PUCRS Store. Para esta apresentação, reúnem-se, além de Vitor Ramil (voz e violões de aço), os músicos Edu Martins (contrabaixo), André Gomes (sitar), Alexandre Fonseca (tablas e percussão) e Roger Scarton (harmonium).

 


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