Balneário do Litoral Norte serve de retiro para artistas paraguaios

Balneário do Litoral Norte serve de retiro para artistas paraguaios

Ator e diretor Lúcio Sandoval encabeça lista das personalidades do país em Jardim Olivia

Marco Aurélio Ruas

Artistas fogem da fama no país vizinho para viver no anonimato no desconhecido balneário

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No balneário Jardim Olivia, em Arroio do Sal, as histórias contadas são extraordinárias e o idioma mais comum é o espanhol. Há mais de 25 anos a região serve de retiro para diversas personalidades paraguaias, que fogem da fama no país vizinho para viver no anonimato no desconhecido balneário do Litoral Norte do Rio Grande do Sul. O principal responsável pelo desbravamento paraguaio em terras gaúchas é o ator e diretor Lúcio Sandoval.

Na região, quem busca informações sobre onde estão os paraguaios, recebe uma resposta imediata: “O Tarcísio Meira paraguaio”, questionou um morador de balneário Rondinha antes de revelar a localização do balneário onde veraneia Sandoval. Chegando em frente à casa do ator e diretor, ele percebe a movimentação e já despeja cordialidade, simpatia e também elogios à região. “Queria ficar morando aqui. Mas ainda tenho muito o que fazer no Paraguai”, revelou durante a conversa.

O plano de aposentadoria não chega a surpreender. A animação com a tranquilidade e a qualidade de vida que têm durante os mais de dois meses que fica na região a cada ano fazem da possibilidade algo quase concreto. “Um dia venho para ficar”, decretou. Segundo ele, a paixão pelo balneário Jardim Olívia está no vento. “Escolhi a praia pelo vento. Parece que ele purifica tudo”, justificou Sandoval. Em sua opinião, as únicas coisas que fazem falta no local é a movimentação de jovens e a presença mais forte da cultura gaúcha. “Tem muita gente da terceira idade. Também falta mais cultura gaúcha, falta um galpão crioulo”, opinou.

Enquanto a aposentadoria não chega, Sandoval segue ativo e muito requisitado no cenário cultural paraguaio. O artista encontrou em 2016 um ano espetacular, após a realização de três projetos, entre eles um grande musical. “No Paraguai, o normal é realizar somente um projeto ao ano por conta da crise”, relatou. Para este ano, os planos incluem uma produção sobre a vida do escritor Augusto Roa Bastos, um dos mais importante do país vizinho e ganhador do Prêmio Cervantes, em 1989.

Devido a crise e os compromissos profissionais, o movimento de personalidades paraguaias diminuiu neste ano no pequena balneário. O vizinho de Sandoval, por exemplo, o produtor Leo Rubín, retornou ao país ainda na primeira quinzena deste mês. Por outro lado, a diretora do Teatro Municipal de Assunção, e também atriz Margarida Irún, segue a rotina anual de descanso na tranquila região. Agraciada com o título de cidadã ilustre de Assunção no ano passado, em que também completou 50 anos de carreira no teatro, a diretora se disse fã da paz proporcionada pela natureza virgem que o Jardim Olivia possui. “Gosto muito do Brasil”, salientou.

Ao contrário do vizinho Sandoval, ela não pensa em aposentadoria. “Ainda vou bater bengala no palco”, brincou. A artista descansará na praia até o final do mês. Depois, irá fazer um filme com a direção de Marcelo Martinessi, que ganhou o Festival de Veneza do ano passado com o curta-metragem La Voz Perdida.

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