Salgueiro, Viradouro e Tijuca são destaques na primeira noite do Grupo Especial do Rio
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Salgueiro, Viradouro e Tijuca são destaques na primeira noite do Grupo Especial do Rio

Escolas encantaram e levantaram o público na Sapucaí

Por
R7

Salgueiro deve brigar pelo título de campeã do Carnaval do Rio

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A primeira noite de desfiles do Grupo Especial carioca, neste domingo, foi marcada pelo samba arrasador do Salgueiro, que levantou as arquibancadas, e pelo luxo e crítica social da Unidos da Tijuca. A escola do Borel, apontada como uma das favoritas ainda no pré-Carnaval, segurou boa parte do público na Sapucaí e não decepcionou quem ficou para assistir o desfile bíblico sobre o pão.

Reencontrando o Grupo Especial, a Viradouro foi outro ponto alto da noite. As alegorias vivas e os truques já característicos do carnavalesco Paulo Barros encantaram o público com o mundo mágico dos contos infantis. Com um desfile rico, a escola voltou à elite preparada para brigar no topo do ranking. 

A Beija-Flor de Nilópolis revisitou a própria história para homenagear os 70 anos da agremiação. A apresentação correta e luxuosa agradou, embora não tenha provocado o mesmo impacto que os outros três citados. 

A Imperatriz fez um desfile leve para contar a história do dinheiro. O bom humor foi uma característica da apresentação, embora houve dificuldades com algumas alegorias, o que deve atrapalhar a agremiação na apuração. A irreverência também esteve presente na Grande Rio, que cantou o jeitinho brasileiro. O público da Sapucaí, no entanto, parece não ter esquecido que a escola não foi rebaixada no Carnaval 2018 após um acordo dos dirigentes na Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Na entrada da avenida, algumas pessoas chegaram a vaiar e gritar a palavra "Acesso" com forma de protesto. 

Se houve quem esbanjasse, a Império Serrano, que abriu a noite, deixou evidente suas limitações financeiras na construção do Carnaval. A escola falou sobre a vida e cantou o samba de Gonzaguinha "O que é, o que é". 


Império Serrano cantou "O Que é, O Que É?", clássico de Gonzaguinha Foto: Carl de Souza / AFP

Império Serrano

Inspirada pelos versos de Gonzaguinha em O Que É, O Que É?, a escola brincou sobre as várias formas de encarar a vida. A chuva não deu trégua para o Império Serrano na avenida, que enfrentou a pista molhada o tempo todo. O desfile começou com os integrantes da comissão de frente vestidos como moradores de rua, em tom dramático e interagindo com o público. O casal de mestre-sala e porta-bandeira desfilou no alto de um tablado. Os setores mostraram a vida através das religiões, a forma como cada um encara a vida, os questionamentos do homem e os desejos das pessoas. A escola enfrentou muita dificuldade para construir suas alegorias e enfrentou a avenida com problemas de acabamento e iluminação evidentes. Apesar disso, os componentes não economizaram na animação.


De volta ao Grupo Especial, Viradouro foi um dos destaques da primeira noite. Foto: Carl de Souza

Viradouro

Não faltou magia no desfile da escola. Além dos truques e alegorias vivas tradicionais do carnavalesco Paulo Barros, a escola abusou do luxo para desvendar o universo mágico dos livros infantis. Na comissão de frente, a história começava a partir do momento em que o neto abria um livro mágico e transformava a avó em bruxa. O elenco, escondido em efeitos de fumaça, passava de príncipes para sapos. As alegorias e alas tinham vários personagens dos contos de fadas, de fácil leitura para o público. No último carro, uma grande fênix marcava a volta da escola para o Grupo Especial.


Grande Rio apostou na irreverência para falar do jeitinho brasileiro. Foto: Mauro Pimental / AFP / CP

Grande Rio

A escola apostou na irreverência para falar do jeitinho brasileiro. O principal destaque foi a comissão de frente, formada por bailarinos usando máscaras de emojis, que voavam durante o desfile. A escola falou sobre a falta de educação no trânsito, os comportamentos inadequados nas redes sociais e o desrespeito ao meio ambiente.  Outro destaque foi o que falou sobre o lixo no fundo do mar, construído com materiais que normalmente vão parar no fundo do oceano.


Salgueiro se credenciou como candidata ao título. Foto: Carl de Souza / AFP / CP

Salgueiro

Voltando a fazer um enredo afro, a escola cantou em homenagem a Xangô. O ponto alto ficou por conta do samba, de refrões fortes, que foi reverenciado na avenida e nas arquibancadas da Sapucaí. O desfile também marcou a estreia de Emerson Dias como intérprete da agremiação ao lado de Quinho, que também voltou a cantar no Salgueiro. O desfile falou sobre a mitologia do orixá, o sincretismo religioso e a justiça, símbolo de Xangô. A escola ainda reverenciou sua própria história e a relação com o santo em outros carnavais.


Beija-Flor revisitou seus 70 anos de história. Foto: Mauro Pimentel / AFP / CP

Beija-flor

A escola revisitou seus 70 anos de história dividindo o desfile em fábulas narradas pelo Beija-Flor, símbolo da escola. Cada ala revisitou um carnaval marcante da agremiação: os enredos sobre locais, as homenagens a personalidades e as críticas sociais. Para isso, não faltou luxo e criatividade para a agremiação. O desfile fugiu do caminho mais óbvio para enredos de homenagens ao amarrar toda a história com fábulas. Destaque para o carro que relembrou o desfile de Ratos e Urubus, de 1989, um dos mais famosos da azul e branco. No lugar da imagem do Cristo Redentor, que foi censurado na época e saiu na avenida coberto por um plástico preto, a alegoria tinha um próprio Beija-Flor em farrapos com a frase “Mesmo proibido, olhai por nós”.


Imperatriz contou a lenda do Rei Midas. Foto: André Melo Andrade / AM Press & Images / Estadão Conteúdo / CP

Imperatriz Leopoldinense

Para falar sobre o dinheiro, a escola apostou na irreverência. De forma divertida, mostrou a origem do dinheiro, contou a lenda do Rei Midas, fez chover cédulas e distribuiu celulares. Leões de bocas abertas representaram o imposto de renda. O personagem Robin Hood foi destaque na comissão de frente. Um tripé trouxe uma escultura do Professor Raimundo fazendo o gesto que ficou imortalizado: "E o salário oh".


Unidos da Tijuca fechou o primeiro dia. Foto: Jorge Hely / Framephoto / Estadão Conteúdo / CP

Unidos da Tijuca

A escola fechou o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial ao contar a história do pão. A Tijuca levantou o público que estava na Sapucaí com alegorias e alas que relembravam passagens da Bíblia, como a representação da Santa Ceia no abre-alas. O grande navio negreiro do terceiro carro e a encenação sobre o sofrimento dos negros durante a escravidão foram um dos destaques. Os ritimistas, caracterizados como padeiros, fizeram os foliões cantarem alto o samba-enredo. A Tijuca também fez críticas aos maus políticos e às pessoas que ignoram os problemas sociais. Alguns componentes distribuíram pães para quem estava na avenida.