"Chacrinha: O Velho Guerreiro" restaura o legado de um grande ícone da televisão

"Chacrinha: O Velho Guerreiro" restaura o legado de um grande ícone da televisão

Filme dirigido por Andrucha Waddington estreia nesta quinta-feira nos cinemas

Lou Cardoso

Stepan Nercessian encarna o Velho Guerreiro no filme de Andrucha Waddington

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"Chacrinha: O Velho Guerreiro" estreia nesta quinta-feira com a missão de trazer à tona a história de um dos maiores comunicadores da televisão brasileira. Dirigido por Andrucha Waddington, o filme restaura o legado de José Aberlardo Barbosa (1917-1988), que chegou ao Rio de Janeiro de navio após a sua viagem para Alemanha ter sido cancelada por causa do início da Segunda Guerra Mundial em 1939. Sem dinheiro ou rumo para seguir na capital carioca, ele não desperdiçou a chance quando recebeu um convite para apresentar um programa noturno em uma pequena rádio. Com a ousadia de um pernambucano e uma coragem que anula qualquer vergonha, Aberlardo conquistou o seu espaço e ganhou o público, admiradores e uma carreira bem sucedida. Casado e com filhos, a rádio ficou pequena para o já renomado Chacrinha, que viu na televisão a oportunidade de aumentar o seu auditório.

A cinebiografia abre no estilo inusitado e polêmico como eram os programas de Chacrinha para mostrar, de imediato, como será o clima da narrativa. Com muita história para contar, o roteirista Cláudio Paiva conseguiu sucessivamente trazer os principais atos que moldaram a figura e carreira do apresentador na projeção, e com isso, aproximar o velho guerreiro tanto do público que o conheceu quanto dos mais jovens que estão o conhecendo agora. O diretor Andrucha Waddington preferiu seguir o caminho tradicional do gênero biográfico, mas sem deixá-lo cansativo ou repetitivo. Claro, com a ajuda de um personagem tão grandioso como Chacrinha, a produção se tornou muito empolgante. Além do registro dos bons momentos, o filme também alterna com períodos mais difíceis da vida do comunicador como a relação distante com a família, o acidente que deixou o filho Nanato tetraplégico, as supostas infidelidades e as complicações com a saúde.

Eduardo Sterblitch e Stepan Nercessian dividem o papel de Chacrinha perfeitamente. Em entrevista ao Correio do Povo, Nercessian contou que foi ótimo trabalhar com Sterblitch e que pôde dividir com o jovem a sua experiência com o próprio Chacrinha, quando o interpretou no teatro, em um musical de mesmo nome nos anos de 2014 a 2017. “O diretor Andrucha dispensou a direção de atores e me deixou encarregado para orientar o Eduardo. Nos demos muito bem”, disse. Segundo o ator, o Brasil demorou para reconhecer a importância cultural que Chacrinha era na época. “Precisou um filósofo da Europa dizer que Chacrinha era um gênio para a televisão para valorizá-lo. Chacrinha era um velho guerreiro, era a própria representação do tropicalismo da época. Só ele era capaz de reunir Gilberto Gil e milhares de artistas diferentes em um palco”, ressaltou.

De fato, a imagem de Stepan Nercessian já se tornou indissociável do apresentador e isso apenas beneficiou a produção como um todo. O desempenho do ator é natural e único, o que deixa o filme digerível. Eduardo Sterblitch também criou um trabalho carismático e humano com o papel de Aberlardo na juventude. As características humorísticas do comediante também são reconhecidas na primeira parte da história. A verdade é que a união da dupla é recompensadora para o filme.

O restante do elenco também entrega um desempenho satisfatório. Gianne Albertoni dá vida a Elke Maravilha, considerada como uma filha para Chacrinha; Marcelo Serrado é Flavio Cavalcanti, com quem disputava acirradamente pela audiência; Laila Garin interpreta Clara Nunes, uma das supostas amantes e quem o pernambucano alavancou na carreira musical; e além das participações especiais dos cantores Criolo e Luan Santana em atrações musicais.

"Chacrinha: O Velho Guerreiro" faz uma ótima reconstituição da história do apresentador. Chacrinha marcou época por causa da sua coragem e originalidade, o que permitiu a união de diversas pessoas, culturas e estilos dentro da televisão brasileira. O diretor Andrucha Waddington homenageia o pernambucano que usou da sua voz icônica para chacoalhar uma era limitada pela censura. Exatamente por isso ele se tornou o velho guerreiro do Brasil.





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