Chico Buarque fará show em Porto Alegre em novembro

Chico Buarque fará show em Porto Alegre em novembro

Apresentações serão no Auditório Araújo Vianna

Correio do Povo

Single "Que tal um samba?" dá nome à nova turnê do compositor, que terá Mônica Salmaso como convidada em toda a temporada

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A turnê “Que Tal Um Samba?”, de Chico Buarque, chegará a Porto Alegre no dia 3 de novembro com duas sessões confirmadas. Os shows serão nos dias 3 e 4 de novembro, no auditório Araújo Vianna (Parque Farroupilha, 685, Porto Alegre), ambos às 21h. As vendas começam nesta quinta-feira, dia 23, às 10h, on-line e exclusivamente para clientes Icatu e sexta-feiram dia 24, às 10h, para o público geral em uhuu.com e na bilheteria do Teatro do Bourbon Country.

Depois de alguns anos praticamente dedicados à literatura, que resultaram no romance "Essa gente" e no volume de contos "Anos de chumbo", ele procurou uma batida diferente, feliz, quase eufórica, uma levada ao violão como a insistir: "Que tal um samba?". 

E aí, levada de samba nos dedos, cabeça e coração voltaram a pensar e a sentir a música e a agir. E Chico Buarque, como é bem de seu feitio, começou a recordar velhos sambas, um especialmente, sucesso de Blecaute no carnaval feliz de 1949, "Que samba bom", composição de Geraldo Pereira também numa levada toda sincopada como a sua, algo eufórica, “ô, que samba bom/ô, que coisa louca/eu também tô aí/tô aí, que é que há/também tô nessa boca...”. Sambas sobre samba, o "Feitio de oração", de Vadico e Noel Rosa, essa tradição e esse espírito vinham junto com a levada ao violão como a propor ao compositor enferrujado: ‘Que tal um samba?’.

E aí, da levada criada exclusivamente pelos dedos se exercitando ao violão, o coração e a cabeça fizeram brotar uma melodia espontânea. A letra, depois de alguns caminhos abandonados, veio aos borbotões. Um samba novo enfim, diferente de todos os outros que já fez, mas no mesmo espírito que baixa sempre quando o compositor de "Tem mais samba", de "Apesar de você", de "Vai passar", de "De volta ao samba" parece ter algo importante a notar e a dizer. Como sempre, nessas ocasiões importantes, em forma de samba.

QUE TAL UM SAMBA?
(Chico Buarque) 

Um samba
Que tal um samba?
Puxar um samba, que tal?
Para espantar o tempo feio
Para remediar o estrago
Que tal um trago?
Um desafogo, um devaneio

Um samba pra alegrar o dia
Pra zerar o jogo
Coração pegando fogo 
E cabeça fria
Um samba com categoria, com calma

Cair no mar, lavar a alma
Tomar um banho de sal grosso, que tal?
Sair do fundo do poço
Andar de boa
Ver um batuque lá no cais do Valongo
Dançar o jongo lá na Pedra do Sal
Entrar na roda da Gamboa
 

Fazer um gol de bicicleta
Dar de goleada
Deitar na cama da amada
Despertar poeta
Achar a rima que completa o estribilho

 

Fazer um filho, que tal?
Pra ver crescer, criar um filho
Num bom lugar, numa cidade legal
Um filho com a pele escura
Com formosura
Bem brasileiro, que tal?
Não com dinheiro
Mas a cultura


Que tal uma beleza pura
No fim da borrasca?
Já depois de criar casca 
E perder a ternura
Depois de muita bola fora da meta
De novo com a coluna ereta, que tal?
Juntar os cacos, ir à luta
Manter o rumo e a cadência
Esconjurar a ignorância, que tal?

Desmantelar a força bruta
Então que tal puxar um samba
Puxar um samba legal
Puxar um samba porreta
Depois de tanta mutreta
Depois de tanta cascata
Depois de tanta derrota
Depois de tanta demência

E uma dor filha da puta, que tal?
Puxar um samba
Que tal um samba?
Um samba

 

Participação especial / Feat Hamilton de Holanda

Voz e violão: Chico Buarque

Bandolim - Hamilton de Holanda

Violão: Luiz Claudio Ramos

Piano - João Rebouças

Baixo - Jorge Helder

Bateria e percussão: Jurim Moreira

Percussão - Thiago da Serrinha

Gravado e mixado no estúdio Biscoito Fino por Lucas Ariel

Masterizado no estúdio Batmasterson por Luiz Tornaghi

Produção musical: Luiz Claudio Ramos

 

FICHA TÉCNICA / SHOW

Turnê ‘Que tal um samba?’ - Chico Buarque 

Artista Convidada: Mônica Salmaso

Cenário: Daniela Thomas

Iluminação: Maneco Quinderé

Figurinos: Cao Albuquerque

Arranjos, guitarra e violão: Luiz Claudio Ramos

Piano: João Rebouças

Baixo acústico e elétrico: Jorge Helder

Bateria: Jurim Moreira

Percussão: Chico Batera

Teclados e vocais: Bia Paes Leme

Sopros: Marcelo Bernardes

 

 

 


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