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Doença que "rouba" capacidade de se comunicar aposenta o cartunista Angeli

Chargista, de 65 anos, foi diagnosticado com afasia; mesmo distúrbio neurológico que tirou Bruce Willis das telas de cinema

Doença de Angeli causa perda da capacidade de expressão ou compreensão da linguagem
Doença de Angeli causa perda da capacidade de expressão ou compreensão da linguagem Foto : YouTube / Reprodução / CP

O cartunista Angeli, de 65 anos, anunciou nesta quarta-feira (20), que vai se aposentar devido a um diagnóstico de afasia, um distúrbio neurológicos que se caracteriza por "roubar" a capacidade da pessoa se comunicar. A doença é a mesmo que afastou das telas do cinema o ator Bruce Willis, de 67 anos, no mês passado.

O chargista tem 51 anos de carreira e há 50 anos publicava coluna diária no jornal Folha de S.Paulo. Em comunicado nas redes sociais, ele anunciou o afastamento da publicação, mas que seguirá a produção de publicações e exposições da obra do desenhista e fez duas charges para representar o momento que vive. 

A afasia é um distúrbio neurológico que se caracteriza pela "perda parcial ou total da capacidade de expressar ou compreender a linguagem falada ou escrita", segundo o Manual MSD de Diagnóstico e Tratamento.

Ela afeta áreas do cérebro que controlam a linguagem e pode ser causada por acidente vascular cerebral, traumatismo craniano ou infecção no cérebro, mas nestes casos não piora com o tempo.

Já em pacientes que têm tumor cerebral, a doença costuma evoluir conforme o tumor cresce e pressiona as áreas do cérebro responsáveis pela linguagem.

Em casos de demência também é comum que os pacientes tenham piora nos quadros de afasia.

O Manual MSD lista os dois tipos principais de afasia: a de Wernicke (receptiva) e a de Broca (expressiva).

Na afasia de Wernicke, o paciente tem dificuldade para compreender a linguagem e a escrita.

"[Pessoas com afasia de Wernicke] costumam falar fluentemente e com um ritmo natural, mas as frases saem formuladas com palavras confusas (por vezes referidas como salada de palavras). Podem não saber que estão falando coisas sem sentido. A maioria das pessoas afetadas também é incapaz de ler palavras. Elas escrevem como falam — de forma fluente, mas incompreensível", explica.

A afasia de Broca atinge outra parte do cérebro, e as pessoas com esse distúrbio, em geral, compreendem o que se fala e sabem como desejam responder, mas têm dificuldade em encontrar palavras para se fazer entender.

"[Pessoas com afasia de Broca] articulam as palavras lentamente e com grande esforço, às vezes interrompidas por imprecações, mas o que dizem faz sentido para elas. Também não há ritmo nem ênfase normais da fala. Elas têm dificuldade em repetir frases. A maioria das pessoas afetadas também é incapaz de escrever palavras", acrescenta o manual médico.

O tratamento da afasia depende do fator associado à causa, do tamanho, da localização da lesão cerebral e da extensão do comprometimento da linguagem.

Em geral, os médicos buscam tratar a causa. Por exemplo, se houver um tumor, são feitas abordagens para reduzi-lo ao máximo, na expectativa de recuperar a área do cérebro responsável pela linguagem.

Também é utilizado tratamento com fonoaudiólogo, especialmente nos casos em que não há evolução da afasia.

Quando o paciente perde as habilidades básicas de linguagem, existe a possibilidade do uso de livros ou placas com imagens e símbolos para estabelecer uma comunicação com as pessoas do convívio próximo.

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