Entre o pop e o folk, está o "Amor" de Jéf, seu mais novo álbum

Entre o pop e o folk, está o "Amor" de Jéf, seu mais novo álbum

Músico gaúcho conta como foi a produção do seu quarto álbum de estúdio, “Amor”, lançado em maio

Caroline Guarnieri *

Jéf colabora há anos com o músico Lucas Silveira, responsável pela produção do álbum e pelo feat em “Hora Extra

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O cantor e compositor Jéf Souza, de 35 anos, lançou em maio o seu mais novo trabalho autoral, o álbum “Amor”, com dez faixas. O disco mistura elementos de pop, folk, indie e MPB, e conta com a colaboração de nomes importantes no cenário gaúcho e brasileiro, como Duca Leindecker, Roberta Campos e Lucas Silveira.

O músico, natural de Três Coroas, município que fica entre a Região Metropolitana de Porto Alegre e a Serra Gaúcha, vive em São Paulo desde 2018 com a esposa, Indiara Becker - com quem começou a namorar ainda no ensino médio - e Pingo, cachorro do casal. Além das obras autorais, Jéf também trabalha na gravadora paulistana Midas Music como compositor para outros artistas.

Jéf falou com exclusividade ao Correio do Povo sobre sua carreira e inspirações, além de explicar o processo de produção do seu quarto álbum de estúdio e a parceria de longa data com Lucas Silveira, da banda Fresno. Confira alguns dos principais trechos da entrevista:

Desde quando você faz música? Conte um pouco da sua trajetória. 

Eu comecei na música com 13 anos, lá em 2002. Desde o começo, eu gostava muito de escrever. Eu tinha tanta coisa pra falar na época, e hoje em dia parece que eu ainda tenho. De 2002 até 2014, eu toquei com uma banda que eu tinha no interior, em Três Coroas, a Vitrô. Em 2014, eu lancei meu primeiro álbum solo (“Leve”). Foi meio arriscado, mas foi muito legal. Logo depois, veio o Breakout Brasil, um programa do Canal Sony com 7 mil artistas inscritos, e eu venci. Isso me abriu muitas portas, eu deixei de trabalhar na fábrica de calçados que eu trabalhava pra realmente viver da música. Em 2015, eu lancei meu segundo álbum (‘Interior’) pela Sony com produção do Lucas, que era um dos jurados do Breakout. Já em 2018, eu lancei meu terceiro álbum (“Solar”), e vim pra São Paulo.

Em São Paulo, você está trabalhando exclusivamente com música?

Isso. Em 2019, eu comecei a trabalhar na gravadora Midas Music, do Rick Bonadio, e comecei a compor para os artistas. Nesses cinco anos que eu tô aqui, já foram quase 400 músicas gravadas.

Você comentou que começou a tocar com 13 anos. Quando foi que você decidiu que era realmente de música que você gostaria de viver?

Eu me lembro da primeira música que eu escrevi, eu ficava no banho imaginando as pessoas cantando. Eu e a minha banda tínhamos gravado um ‘CDzinho’. A gente ganhou um aparelho de rádio e vendemos para pagar horas de estúdio, e gravamos uma música minha (“Normal pra você”), em 2004. A gente nem tinha idade pra entrar nos bares que a gente tocava. Quando a gente fez um show, a gente tocou essa música. Uma hora, eu cantava sozinho com a guitarra, e as pessoas cantaram junto. Eu ouvi elas cantando algo que eu tinha escrito. Eu lembro como se fosse ontem, é muito mágico. Foi tipo ‘é isso, eu quero ouvir as pessoas cantando as minhas músicas’. Foi uma chave que virou. 

Então você teve um hiato de mais ou menos cinco anos entre os lançamentos dos trabalhos autorais. Como foi o seu trabalho nesse meio tempo?

Logo que eu cheguei em São Paulo, eu comecei a escrever música para os outros, e chegou um momento em que o Lucas me chamou e eu fui na casa dele. Ele me perguntou o que eu “tava” fazendo, eu mostrei algumas coisas e ele me convidou para gravar o disco.  A gente começou lá por 2018, 2019, mas nossas agendas não batiam. Chegou a pandemia e atrapalhou tudo, mudou toda a dinâmica. A gente não conseguia se encontrar e o disco acabou esfriando. Por sorte o meu trabalho de compositor aumentou muito, então a minha fonte de renda foi totalmente da composição. Eu foquei muito nisso e acabei deixando um pouco de lado o meu lado artista. Saindo da pandemia, a gente resolveu terminar o disco e lançar de uma vez por todas.

Você acredita que a composição e as ideias também evoluíram ao longo desse tempo?

Sim. Na verdade, o disco começou de um jeito, até a ideia dele era para ser uma coisa um pouco mais voz e violão, e acabou mudando. Algumas músicas pararam de fazer sentido, ele teve outra cara. A música “Amor” não estava no início. Nesse processo, eu perdi a minha avó, ela teve uma doença que não souberam diagnosticar. Teve um áudio que eu usei nessa música que é dela. Um dia, meu pai foi visitar ela e me mandou um vídeo em que ela fala que me ama muito. Nessa de buscar coisas que falam de amor, eu lembrei do vídeo e pensei que precisava estar na música de algum jeito. Quando mostrei para o Lucas, ele encheu os olhos de lágrimas. 
Eu mostrei pro meu pai um pouco antes de lançar e ele ficou muito emocionado. Quando chegou na parte do áudio da minha avó, ele me olhou no fundo dos olhos e começou a chorar muito. Infelizmente, minha avó não chegou a ouvir, mas foi uma homenagem a eles.”

Acho que o seu álbum todo é muito sobre família, intimidade, diversos tipos de amor que fazem parte das nossas vidas. Você acha que teve alguma coisa que lhe inspirou a compor esse trabalho?

Na verdade, esse disco começou por uma coletânea de músicas que eu já tinha. Eu sempre busquei escrever sobre amor, então chegou o momento em que a gente já tinha algumas músicas e entrou a canção “Amor”. Eu acho ela singela e forte, acho que representa o que eu queria passar com o disco. Acho que fez sentido porque todas as músicas têm isso de algum jeito, elas falam de amor próprio, de amor por alguém, de amor pela estrada, pelo caminho, tudo. 

Falando em colaborações, você já tinha colaborado antes com outros artistas, como a Ana Caetano, e agora nesse álbum tem participações de Duca Leindecker, Roberta Campos, Bibi, Mar Aberto e o próprio Lucas Silveira. Como foi escolher essas pessoas para gravarem contigo?

A primeira música, “Estrada”, a gente falou ‘essa música tá com muita cara de Cidadão Quem’. A gente ama Cidadão Quem, é uma das minhas maiores referências. Eu gravei e mandei pra um amigo meu que é amigo do Duca, que mandou pra ele. O Duca gostou e topou. No dia que ele mandou a voz eu chorei tanto, porque ele é uma referência, minha inspiração. Tudo que ele faz é bonito. Foi uma participação muito especial pra mim. A da Roberta, “Pensando em Você”, a gente tinha se aproximado pela internet, a gente conversava sobre compor juntos um dia. Quando escrevemos essa música, eu fui gravar e achei que fazia sentido ela estar no disco. A Bibi é uma grande amiga, ela é uma compositora com vários trabalhos com Anitta, Luísa Sonza, Pabllo Vittar. Só que o trabalho autoral dela ainda tá começando. Eu acho ela sensacional. A banda Mar Aberto também são meus amigos do coração, logo que eu cheguei em SP eles foram umas das primeiras amizades que eu fiz. E o Lucas por tudo que eu já disse também. Eu acho que todas essas participações colorem o disco.

Quanto a planos pro futuro, o que você pode nos contar?

Eu comecei a separar as músicas pro próximo álbum, eu já tenho umas 30, preciso selecionar e começar a gravar. Eu quero gravar o quanto antes pra tentar soltar em menos tempo, e não levar cinco anos de novo, o ritmo do mercado é outro. Eu fui muito contra o que tá rolando, todo mundo lançando uma música por mês ou a cada dois meses, eu não queria isso nesse momento da minha carreira. Mas agora, os próprios algoritmos entendem que o artista está se movimentando mais e te ajudam a entregar.

* Sob supervisão de Luiz Gonzaga Lopes


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