Fauzi Beydoun, da Tribo de Jah, faz música inspirada na quarentena
capa

Fauzi Beydoun, da Tribo de Jah, faz música inspirada na quarentena

Na recém composta 'No Topo da Megalópole', vocalista fala sobre isolamento: 'A ideia é dar uma força para as pessoas nessa condição'

Por
Daniel Vaughan, do R7

Fauzi Bydoun é vocalista da Tribo de Jah e mantém trabalho solo

publicidade

A quarentena por covid-19 já inspirou o mundo da música. Fauzi Beydoun, vocalista da Tribo de Jah, escreveu sobre o assunto em No Topo da Megalópole, enquanto está confinado em seu sítio, na zona rural de São Luís (Maranhão).

O cantor, que também tem um trabalho solo, diz que a composição busca um lado positivo para suportar o isolamento social.

- A música fala de uma mulher solitária no alto de uma torre, em um pequeno apartamento, que consegue transcender. Quer dizer, ao invés de estar numa pior, ela medita e entra num transe astral de profunda paz e plenitude interior. A ideia é dar uma força para as pessoas nessa condição.

A canção é tão recente que ainda não tem previsão de lançamento, mas Fauzi gravou um trecho da faixa em vídeo para o R7. Confira.

Em entrevista, Fauzi ainda falou sobre os dias de pequeno agricultor na roça e os projetos futuros da Tribo de Jah, além do projeto solo. Confira o bate-papo completo com o cantor.

R7 - Qual foi o impacto da pandemia no seu trabalho?
Fauzi Beydoun - Neste ano, estávamos prevendo uma turnê com a Tribo na Europa já que assinamos com o selo europeu Thunder Label, sediado na Alemanha. Além disso, eu começava a preparar um novo álbum solo com a banda Soul Vibe enquanto, paralelamente, trabalhava no projeto da gravação do DVD acústico da Tribo ainda para este ano. Tínhamos ainda shows importantes programados... Porém, foi tudo pelos ares em função da pandemia.

R7 - Mas você ainda mantém algum projeto?
Fauzi - O desafio agora é tentar lançar um álbum ainda em tempos de isolamento social. Estamos pensando em gravar em casa e mandar para um amigo produtor nos Estados Unidos para ele finalizar o trabalho lá. Isso, porém, não está certo.



MEIRELLES JR./DIVULGAÇÃOA Tribo de Jah tem 35 anos de estrada e já vendeu mais de 2 milhões de discos

A Tribo de Jah tem 35 anos de estrada e já vendeu mais de 2 milhões de discos

 

R7 - E como será seu novo trabalho solo?

Fauzi - O próximo disco solo será o terceiro da carreira. Eu havia lançado, há alguns anos, o CD The Old Boys Beatin’ - First. Foi um trabalho realizado com músicos paulistas já com a ideia de experimentar outras tendências musicais, fugindo do reggae. Já no segundo CD com a banda maranhense Soul Vibe, The Many Ways of Love, o reggae é mais um elemento mesclado com soul, blues, bossa. Nesse projeto solo o objetivo maior é o mercado externo, a tentativa de elaborar um música com apelo mais global. E, o novo álbum que pretendo gravar, é um aprimoramento dos projetos anteriores, na tentativa de alcançar uma síntese musical ao mesmo tempo diferenciada e original, harmoniosa e palatável para um público mais diverso.

R7 - O que você tem feito na quarentena?
Fauzi - Eu moro num sítio na zona rural de São Luís e tenho uma atividade bastante intensa como pequeno agricultor. Ainda tenho composto bastante, faço lives e uso minhas redes sociais. Criei um quadro que se chama Academia Rural que gravo realizando trabalhos braçais no sítio. Também gravo o programa Central Reggae em casa, a exemplo do que fazia no rádio tempos atrás. Trabalho não falta, porém, não tenho saído pra canto nenhum.

R7 - Você já escreveu uma letra sobre a pandemia?
Fauzi - Escrevi uma canção há poucos dias... No Topo da Megalópole, que aborda essa situação do isolamento, fala de uma mulher solitária no alto de uma torre, em um pequeno apartamento, que consegue transcender. Quer dizer, ao invés de estar numa pior, ela medita e entra num transe astral de profunda paz e plenitude interior. A ideia é dar uma força para as pessoas que se encontram nessa condição.

R7 - E as letras de reggae são famosas pelas críticas sociais e temas sempre atuais...
Fauzi - O último lançamento da Tribo foi muito enigmático. Gravamos uma música no Carnaval deste ano com a participação do jamaicano Kenyatta Hill, que veio ao Brasil a convite da banda para participar do Bloco da Tribo, em São Luís. A canção foi composta há mais ou menos um ano e meio com o título Homem da Babilônia - Man of Babylon, cantada em inglês e português (ouça acima). Na época, eu mesmo achava que o teor da letra era um tanto fora do contexto, porém, a levada parecia ideal para gravar com o Kenyatta. Logo que registramos isso, começou a pandemia. E, antes mesmo de lançar a música oficialmente, eu percebi que tinha tudo a ver com o momento: “Pra onde você vai correr homem da Babilônia, agora que chegou a hora, agora que o alarme soa... Você não vê os sinais, não percebe as evidências."

R7 - E, após a pandemia, qual é o futuro da classe artística?
Fauzi - Vejo o futuro como uma incógnita total... Ainda que passe a pandemia, uma severa crise certamente virá. O grande plano para o futuro é sobreviver e tentar preservar a prole. Se der pra ajudar de alguma forma a quem precise, será muito bom.