Feira em Porto Alegre reúne fãs da Idade Média
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Feira em Porto Alegre reúne fãs da Idade Média

Visitantes desfilaram vestidos de princesas, rainhas e vikings no evento temático na zona Norte

Por
Felipe Samuel

Feira Medieval Sesc reuniu fãs da cultura da Idade Média em Porto Alegre

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Escudos vikings, machados, espadas, atrações musicais, feiras de artesanato e oficinas de arqueirismo marcaram a abertura da Feira Medieval Sesc, no sábado, em Porto Alegre. O evento - que encerra-se no domingo - recebeu um público aficcionado pela temática medieval. Vestidos com fantasias características da Idade Média, os visitantes desfilaram pelos estandes montados na sede do Sesc, na Zona Norte. Crianças, jovens e adultos fantasiados de princesas, rainhas e vikings tomaram a feira.

Professor de História, Anderson Tsukiyama deixou Santa Catarina para montar um estande com equipamentos típicos da época. Armaduras, arco, flechas e capacetes são alguns dos itens expostos no local. Com um grupo de nove pessoas, ele também faz apresentações de demonstração de esgrima. "Sempre gostei de artes marciais. É uma atividade bem interessante e complexa, onde o pessoal pode praticar com arco, com espada, usar armadura, forjar os equipamentos".

Ao destacar que sua empresa fabrica os equipamentos, Tsukiyama explicou que ideia é permitir que o público possa brincar no estande de arco e flecha e conhecer outras atividades."Tem muita gente apaixonada por artes medievais. Mesmo com esse dia de chuva, nosso estande está lotado. Pelo menos 500 pessoas já passaram por aqui. Se não tivesse chovendo, seguramente teria o dobro de público", garantiu.


Foto: Fabiano do Amaral

Um dos organizadores da feira, Caio Haag explicou que sempre foi apaixonado por coisas medievais. Técnico em informática e músico, ele afirmou que a ideia surgiu das viagens por outros estados, como São Paulo e Curitiba, com o grupo musical Bando Celta, do qual faz parte. "A gente quis trazer um evento para a família inteira, já que tem muita coisa na TV, como Game of Thrones, Senhor dos Anéis e até Harry Potter, que tem um pouco a ver. A gente quis trazer um pouco dessa experiência medieval para a família, salientou.

Mesmo com a chuva que atingiu a Capital, Haag garantiu que o movimento no primeiro dia foi bom, apesar da expectativa de um público de pelo menos 5 mil em cada dia do evento. Haag observou que a feira é uma oportunidade das pessoas 'saírem do mundo virtual e virem para o mundo real'. As pessoas podem conhecer gente nova, que gosta da fantasia medieval e outras coisas que são relacionadas. A gente sabe de muitos pais que trazem os filhos que passam muito tempo no computador, videogame. E eles acabam fazendo novos amigos", relatou.

Com um estande montado no ginásio do Sesc, Maicon Oliveira Thomaz, 31 anos, vende produtos como machados e escudos vikings. Os rendimentos oriundos de um hobby do cabeleireiro, que mora em Canoas, deve se transformar na principal fonte de renda. A ideia é mudar de ramo nos próximos meses. "Sempre gostei de coisas medievais. Joguei RPG desde pequeno, e sempre fui inserido nessa época medieval. Uma coisa juntou com a outra e deu nisso", afirmou. Há um ano, ele passou a se dedicar à produção de equipamentos com temática medieval.


Foto: Fabiano do Amaral

Na mesa e prateleira que abrigam os itens, o visitante encontra produtos que vão de R$ 35, como uma bolsa de couro para moedas, a R$ 500, valor de uma espada. Para construir as peças, Thomaz utilizou principalmente madeira. "O valor do escudo é R$ 150, são produtos para decoração. A gente está em época de eleição, vai ter muita manifestação nas ruas. O pessoal pode usar machados e escudos para se defender", ironizou. E garante que o balanço é positivo. "Consegui vender bastante, o que mais sai é machado e escudo. Por R$ 60 o cliente pode levar um machado", ressaltou.

A aposentada Luiza Lewczuk e o amigo Antonio Luis Nardeli roubaram a cena em meio a tantos jovens. Vestidos a caráter para a ocasião, a dupla aproveitava um dos bancos dispostos em uma tenda para refeições. Vestida com um roupa típica do século 13, Luiza diz que foi à feira porque gosta de coisas ligadas àquela época, como castelos e roupas. "Sou uma dama inglesa do século 13, eu pesquisei sobre isso. A vestimenta do meu amigo é mais ou menos genérica", divertiu-se. "Está muito bem organizado, as feiras que eu vejo na internet é parecida com este", garantiu.


Foto: Fabiano do Amaral