Rafael Guimaraens lança nova obra hoje na Feira do Livro
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Rafael Guimaraens lança nova obra hoje na Feira do Livro

"O Espião que Aprendeu a Ler" conta história de um alemão acusado de espionagem na época do governo Vargas

Por
Correio do Povo

Novo livro de Guimaraens é resultado de muita pesquisa

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Popular escritor, Rafael Guimaraens lança hoje na Feira a sua nova obra, “O Espião que Aprendeu a Ler (Libretos). Autor de mais de 15 livros, o também jornalista porto-alegrense de 63 anos, se embrenhou na vida do alemão Hans Curt Meyer-Clason, famoso por apresentar a literatura brasileira aos seus compatriotas, mas que foi perseguido pelo Governo Vargas, ficando vários anos preso na época da II Guerra Mundial, acusado de espionagem. Às 18h30min, Guimaraens faz palestra na Sala O Retrato, no CCCEV, na Rua dos Andradas, 1223. E depois, às 19h30min, autografa o livro na Praça de Autógrafos. 

“Hans Curt Meyer-Clason foi uma figura ímpar”, diz Guimaraens. “Ele veio para o Brasil no final dos anos 1939, e se instalou em Porto Alegre. Era uma figura bronca, comerciante que só pensava em namorar, jogar tênis e colecionar gravatas”, conta. Porém, quando foi preso em 1942 pela polícia gaúcha, acusado de ser espião nazista, foi levado para a Ilha Grande, no Rio de Janeiro. Lá conheceu um compatriota que lhe apresentou a literatura. E Hans ficou obcecado. "Ele tornou-se um leitor obsessivo, o que mudaria sua vida”, destaca o escritor. 

Pesquisa

Guimaraens chegou ao nome de Hans Curt Meyer-Clason pesquisando outros assuntos em jornais da época. E o personagem o cativou. “Aí fui atrás da história dele. Pesquisei relatórios policiais, processos judiciais em São Paulo, revistas e jornais da época e cartas e documentos do próprio Meyer-Classon”, ressalta. O livro é de um personagem real, mas Guimaraens teve algumas liberdades em criar diálogos, passagens da vida do alemão. “Hoje em dia se aceita instrumentos de ficção em obras biográficas”, garante. 

Hans Curt Meyer-Clason passou cinco anos preso, mas nunca admitiu ser espião nazista. Quando foi solto, permaneceu mais alguns anos no Brasil, antes de retornar a sua terra natal. E lá, virou o grande embaixador da literatura brasileira e latino-americana na segunda metade do século passado.

Por seu intermédio, os leitores de língua alemã conheceram “Macunaíma”, de Mário de Andrade, e “Dona Flor”, de Jorge Amado. A lista de autores traduzidos por ele inclui ainda Eça de Queiroz, Carlos Drummond de Andrade, João Ubaldo Ribeiro, Fernando Sabino, João Cabral de Melo Neto e Ferreira Gullar, entre outros. “Ele morreu aos 102 anos de idade, e sempre se dizendo inocente”, finaliza o escritor gaúcho.