Arte & Agenda

Girls Rock Camp ajuda na construção da autoestima feminina através da música

Acampamento do rock e do empoderamento reúne meninas de 7 a 17 anos

Helena Rosa, de 11 anos, vê no Girls Rock Camp um meio de se aproximar de outras crianças
Helena Rosa, de 11 anos, vê no Girls Rock Camp um meio de se aproximar de outras crianças Foto : Mauro Schaefer
Em uma época que o feminismo se tornou um tema constante e necessário, nada melhor do que através da música conseguir inspirar este ativismo na mulher desde cedo. No acampamento Girls Rock Camp, um projeto que visa ensinar garotas entre 7 e 17 anos a aprenderem a tocar um instrumento e formar uma banda com composição própria, os ensinamentos vão além do que apenas tocar uma nota. Para uma das responsáveis pelo programa em Porto Alegre, a produtora cultural Lisi Zilz, a intenção é ajudar na construção da autoestima nas jovens para deixá-las prontas para o mundo. "Objetivo não é formar musicistas, mas mostrar para estas meninas que se elas quiserem, elas podem fazer qualquer coisa", afirma Lisi e complementa: "A gente acredita que a música é um meio facilitador para esta transformação." 

Mesmo se a garota nunca tenha tocado uma guitarra ou um teclado na vida, no Girls Rock Camp, a oportunidade existe para proporcionar este laço entre as envolvidas como explica a instrutora de bateria, Letícia Rodrigues: "Muitas pessoas pensam que não é possível ensinar as meninas a tocarem um instrumento em uma semana, mas a gente envolve elas em um espírito de amizade e torna este aprender em uma brincadeira.” Ela acredita que por não se tratar de uma disputa musical, o aprendizado acontece de forma mais fácil. "Quando se faz de maneira colaborativa, sem competir, estimula o espirito de colaboração e não de competição entre elas", acrescentou.  

O Girls Rock Camp começou em Portland nos Estados Unidos em 2001 e já foram realizadas dezenas de edições na Europa e América Latina. Porto Alegre é a segunda cidade brasileira a receber o projeto que teve a sua primeira edição em Sorocaba, em São Paulo em 2013 e hoje está no seu quinto ano de acampamento. Lisi participou do evento na cidade paulista como instrutora e recorda do momento como uma conquista pessoal. "A gente aprende mais do que ensina. A gente vê a mudança de comportamento durante a semana. Elas chegam com uma postura e no meio da semana, já fizeram os seus acordes, tem o nome da sua banda, já começaram a compor a música", relembra. "Ele é um projeto inesquecível para as meninas que participam e transformador para as voluntárias", ressalta. Somando a estas experiências, Letícia acredita que os ensinamentos podem transformar uma nova geração: "Certamente vai tornar estas mulheres muito mais confiantes e a sociedade bem menos machista."   

Em Porto Alegre, o Girls Rock Camp é organizado por dez mulheres, entre professoras, compositoras, jornalistas e instrutoras musicais e conta com a ajuda de 60 voluntárias. As atividades são divididas em aulas como defesa pessoal, expressão corporal, composição musical, serigrafia, sintetizadores e fanzine. A edição acontece graças ao encontro de várias mulheres que participaram de outros acampamentos em Sorocaba e decidiram avançar com o evento em outro ponto no país. "A gente formou uma rede de mulheres que ficou construindo a ideia, angariando fundos, apresentando para comunidade. Estamos trabalhando há uns dois anos e finalmente estamos concretizando nosso evento pela primeira vez", informou Letícia.  

Para a mãe de uma das campistas e também voluntária do projeto, Bianca Rosa, o local serve para a criança desenvolver a sua expressividade e frisa a importância desta convivência entre as meninas. "Além delas estarem formando uma amizade, estão formando uma banda, estão se descobrindo capazes de fazerem coisas que nem imaginavam. A música tem este poder de transformar e unir", comentou. Fã de atividades artísticas, a filha de Bianca, a Helena Rosa Moretti, de 11 anos, vê no Girls Camp Rock um meio de se aproximar de outras crianças e praticar um hobby diferente do que apenas brincar com bonecas. "Eu acho muito legal ter um negócio só de gurias, ainda mais de crianças, porque a gente tem que se apoiar", disse.  

Com um total de 30 alunas inscritas nesta edição, divididas em seis bandas, a ideia é que se possa realizar ao menos um acampamento por ano durante as férias de verão. "Ele é um projeto muito caro, envolve muitas pessoas, muito tempo de organização e são todas voluntárias. Todas têm o seu trabalho, e isso também é um trabalho", avaliou Lisi, e ela menciona que em São Paulo ocorre o Ladies Rock Camp, que tem o mesmo propósito, porém para mulheres acima de 21 anos. Um evento que é ambicioso considerando as circunstâncias, mas que não deixa de ser um objetivo futuro para o grupo em Porto Alegre.

Para concluir o trabalho de uma semana intensa de rock está agendada uma apresentação no bar Ocidente, neste sábado, a partir das 17h. De acordo com Lisi, Ocidente foi um dos maiores incentivadores do projeto. "Além de toda a história do Ocidente, de ter este significado simbólico, eles estão abrindo portas para futuras bandas", comemora.  

A expectativa para o show é de que haja muita diversão, acima de tudo, espera Bianca para a sua filha Helena Rosa Gross. "Eu espero que elas se divirtam mais do que tudo e brinquem bastante de música", afirmou. Já Helena, não vê a hora de ter o seu momento de rock star no palco. "Acho que a gente tem que se divertir, tocar e fazer rock", finaliza.



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