Itaú Cultural lança agenda teatral

Itaú Cultural lança agenda teatral

"Palco Virtual" abre hoje e é composto por leituras dramáticas e espetáculos adultos e infantis

Vera Pinto

Alex Gruli, ex-integrante da Cia. Os Fofos Encenam, se junta a atores que foram ou são do coletivo em “Só”, que acompanha o momento atual de pandemia

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Após lançar o “Arte Como Respiro”, que recebeu 7.239 propostas em teatro, em música, literatura, artes visuais, audiovisual, e literatura, e que está em sua segunda fase, o Itaú Cultural abre o “Palco Virtual”, com uma agenda teatral ao vivo e gratuita, pela plataforma Zoom. Algumas produções que não foram absorvidas neste edital e outras, que chegaram depois, integram o amplo mosaico, que conta com nomes consagrados nos palcos nacionais. “Foi importante entender o que os artistas estavam provocados a fazer neste momento. Com isso, chegamos aos ciclos de leitura nas segundas, espetáculos nas terças e peças infantis no fim de semana”, diz o coordenador do Núcleo de Artes Cênicas da entidade, Carlos Gomes. A programação completa, acessível em libras, está no site www.itaucultural.org.br e os ingressos estão disponíveis 15 dias antes, via Sympla, com lotação limitada a 270 por sessão.


A abertura, hoje, às 20h, é com “Que os Mortos Enterrem os Seus Mortos”, com Helena Ranaldi e Maria Fernanda Cândido dando início ao ciclo de leituras, na interpretação do texto de Samir Yazbek, no dia de seu aniversário. O autor aprofunda seu mergulho nas origens libanesas, que começou com “As Folhas do Cedro” (2010), Prêmio APCA de Melhor Autor, focado no embate entre a tradição e a modernidade. Marcelo Lazzaratto dirige a trama sobre uma mulher que tenta recomeçar a sua vida no Líbano, terra de seus ancestrais, e se surpreende com a visita da mãe, já falecida, insistindo para que ela volte ao Brasil. Ambas possuem dilemas parecidos, trazidos à cena pela leitura de duas atrizes de gerações próximas, na busca de horizontalizar essa relação. “Em vez de pensar na idade delas, a ideia é tirar a hierarquia dessa conversa e trazer a mãe na idade em que supostamente morreu”, conta o diretor. “Trata-se de uma jornada da filha para entender o seu pertencimento. Onde será que ela se adequa? Qual o seu lugar?”, questiona.
Dia 14, “Enquanto Chovia”, de Nina Ximenes, traz o reencontro de Romeu e Julieta depois de 40 anos, em sala de prática de yoga, com Paulo Goulart Filho, Camilo Bevilacqua, Bruna Ximenes e Eliana Guttman. O lendário casal fica sozinho sob o mesmo teto, devido a uma forte chuva, relembrando o passado e o motivo de sua separação. A situação tensa e conflituosa traz à tona fatos e segredos, além de discutir, nas entrelinhas, a falta de diálogo, o perdão, a vingança e o amor. A obra propõe ruptura e subverte a obra de Shakespeare para a contemporaneidade. 


DRAMATURGIA NEGRA

 

As duas últimas segundas contarão com novos dramaturgos que participaram das duas edições do curso on-line “Dramaturgia Negra – A palavra viva”, com Dione Carlos, realizado pelo Itaú Cultural. Serão cinco cenas curtas, criadas por alunos de diferentes partes do Brasil. No 21, a convidada é Fernanda Júlia Onisajé e dia 28, Cristiane Sobral. “É legal porque traz um frescor de textos que foram produzidos agora, durante a pandemia, no recorte do teatro e dramaturgia negra. De algum modo, isto também faz com que cultura gire: mais artistas trabalhando e se formando”, comenta Carlos Gomes. Após a leitura haverá bate-papo.


Dias 8 e 15, 20h, Alex Gruli, ex-integrante da Cia. Os Fofos Encenam se junta a atores que foram ou são do coletivo em “Só”, que acompanha o momento atual de pandemia, quando quatro personagens assistem virtualmente o desligamento dos aparelhos de uma parente hospitalizada. Todos estão isolados e apenas um deles está no hospital, onde acompanha os fatos e fala virtualmente com os demais familiares. Juntos, resolvem questões internas de relacionamento, relembram histórias e se despedem dela. Os atores definem como instigante o desafio de usar uma ferramenta de conversa virtual para criar e realizar um espetáculo nos tempos atuais de isolamento, renunciando à presença, que é um dos preceitos do fazer teatral. Do dramaturgo chileno Guillermo Calderón, “Villa” será encenado dias 22 e 29, com direção de Diego Moschkovich, que estreou em 2018 e ganha versão on-line.


Sábados e domingos, 15h, as crianças poderão conferir “Felpo Filva”, de 12 a 20 deste mês, adaptação de Marcelo Romagnoli ao livro homônimo de Eva Furnari, com Marat Descartes e Gisele Calazans. Um coelho poeta solitário escreve coisas bonitas, mas tristes. Um dia, chega um envelope lilás, amarrado com fita de cetim, que transformará sua vida. Sob a direção de Claudia Missura, os atores usam de forma divertida, vários gêneros de texto, para celebrar o amor. Dias 26 e 27, a atração é “Cavaco e Sua Pulga”, da Caravana Tapioca.

 


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