Arte & Agenda

Justiça do Rio libera acesso à exposição Queermuseu a menores de 14 anos

Desembargador salientou que país só permite "censura branda" com classificação indicativa

Desembargador salientou que país só permite "censura branda" com classificação indicativa
Desembargador salientou que país só permite "censura branda" com classificação indicativa Foto : Tomaz Silva / ABr / CP
A Justiça do Rio de Janeiro determinou que menores de 14 anos podem visitar a exposição Queermuseu – Cartografias da diferença na arte brasileira, reaberta no sábado na Escola de Artes Visuais (EAV), na zona Sul da capital fluminense. No dia da abertura, o juiz de plantão, Pedro Henrique Alves, da 1º Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, concedeu uma liminar proibindo a entrada de menores de 14 anos, mesmo que acompanhados pelos responsáveis. Os advogados da EAV entraram com um agravo de instrumento para derrubar a decisão.

Na decisão desta terça, o desembargador Fernando Foch, da Terceira Câmara Cível, questiona a validade jurídica da proibição, visto que o país garante a liberdade de manifestação artística “independente de censura ou licença”, e permite apenas a censura branda a posteriori, com o objetivo de “tutela dos direitos da criança e do adolescente”, por meio da classificação etária indicativa para espetáculos e diversão pela administração pública federal e de cada estado.

O desembargador salienta que a decisão não cabe ao judiciário. “Muito menos é possível se proibir a entrada de menores na faixa etária não recomendada em lugares de diversão pública ou espetáculos ou se condicioná-la à presença de pais ou responsáveis, certo que os titulares do poder familiar é que podem proibir, limitar, condicionar ou liberar o acesso daqueles sobre quem o exercem. São eles os juízes dessa conveniência, sujeitos às sanções do mau uso da potestade”, cita o texto da decisão.

Foch ressalta também que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não trata de disciplinar entrada ou permanência de menores de idade em exposições de arte.

A EAV Parque Lage informou que vai seguir a recomendação de classificação indicativa do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), com afixação de um aviso na entrada da exposição com a seguinte mensagem: “Esta exposição contém obras de arte com representações de nudez, sexo e simbologia religiosa. Recomendamos levar isso em consideração antes de entrar na sala da exposição. O conteúdo desta exposição não é recomendado para menores de 14 anos desacompanhados dos seus pais ou responsáveis”.

Visitação

A exposição Queermuseu, inaugurada em Porto Alegre em 15 de agosto do ano passado, com previsão de seguir até 8 de outubro, no Santander Cultural, acabou suspensa antes do tempo. Protestos de ativistas conservadores provocaram o cancelamento da mostra em 10 de setembro. A organização chegou a negociar a reabertura da exposição no Museu de Arte do Rio (MAR), mas o prefeito Marcelo Crivella vetou a iniciativa.

São 214 obras, de 82 artistas. A reabertura no Rio decorreu de doações de 1.659 pessoas, que totalizaram R$ 1,081 milhão, além da iniciativa do cantor e compositor Caetano Veloso, cujo show teve a renda revertida para a exposição. Além das obras de arte, há uma intensa programação cultural paralela, com shows musicais, debates e espetáculos de dança. A visitação é gratuita.

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta sexta-feira, dia 16 de outubro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio