Mississippi Delta Blues Festival reúne gigantes do gênero em Caxias do Sul

Mississippi Delta Blues Festival reúne gigantes do gênero em Caxias do Sul

Festival reuniu cerca de 40 atrações nesse final de semana

Luciana Prestes Vicente

Keith Johnson levou sua versão contemporânea do blues ao festival de Caxias do Sul

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Foram três dias para conferir cerca de 40 atrações que se revezaram pelos seis palcos da 12ª edição do Mississippi Delta Blues Festival (MDBF) em Caxias do Sul. No sábado, fora a temperatura que bateu os 11°C, em pleno novembro, tudo foi música de qualidade.

A seleção do festival prestigou diferentes vertentes do gênero, como a do Delta Blues, de New Orleans e do Chicago Blues. Quem se arrependeu e não conseguir comparecer já pode se programar, pois a próxima edição será dias 19, 20 e 21 de novembro de 2020.

O sábado começou com Bob Stroger (Chicago/Illinois/EUA), um ícone do blues e figura presente em várias edições do MDBF, mostrando que seu carisma é inabalável. Este elegante senhor, que não parece estar com mais de 80 anos, abriu a sua apresentação com a canção “I am The Blues”, uma declaração de amor aos blues e à música. 

A sintonia com a The HeadCutters (Santa Catarina) foi perfeita e rendeu várias performances solos dos talentosos instrumentistas de Itajaí. Stronger assumiu o baixo em uma canção e fez juz ao prêmio Blues Music Award de melhor baixista de blues. Ao descer do palco, caminhou entre o público trocando beijos com algumas fãs.

Enquanto em um palco pode-se conferir o blues de Illinois de Stroger, em outro estava Keith Johnson, nascido em Glen Allen, Mississippi, no coração do Delta. O sobrinho-neto de Muddy Waters de 25 anos de idade colocou o público para dançar e a admirar seus solos instrumentais curtos e agradáveis e vocais perfeitos, aliados à harmônica. 

Pode-se dizer que o chamado The Prince of the Delta Blues trouxe sua versão contemporânea do blues, com referências das tradições. Quando ele também desceu do palco e se misturou com a plateia, foi rodeado por pessoas querendo tirar selfies e registrar o momento com seus celulares.

Atrações nacionais

Entre as várias atrações nacionais duas chamaram a atenção – a Gringo’s Washboard Band e Lucian Santan, ambos do Paraná. A Gringo’s Washboard Band trouxe a sonoridade de New Orleans e empolgou o público.

O líder da banda Guto Krainski encantou pelo domínio do washboard (tábua de lavar) e pela sonoridade que consegue tirar do instrumento com os três dedais de costura nos dedos. A banda é formada também por Allan Krainski (guitarra), Giorgio Bonfanti (baixo) e Sandro Nascimento (trompete) e a vocalista Carine Luup, com uma voz poderosa, com variações de timbres e texturas.

O jovem músico Lucian Satan, com uma boca de garrafa como dedal para tirar o som do violão e um instrumento de percussão nos pés, colocou o público para dançar em sua performance solo. Ele cantou duas músicas próprias: “Quando as Lágrimas Viram Pó” e “Asa Preta”, e mostrou seu talento ao fazer um som forte e muito ritmado.

Estrutura

Impossível não comentar a estrutura que foi montada no MDBF, que segundo a organização, somente no sábado, recebeu quase 4,5 mil pessoas.

Foram montados seis palcos, distribuídos de forma estratégica pelo pelo Largo da Estação Férrea, além do espaço gastronômico, de bancas de doces, de roupas, de corte de cabelo, de instrumentos e espaço para artistas exporem seu trabalhos e uma roda gigante.

O impressionante é que tudo funcionou, sem filas, sem problemas, uma organização exemplar. O idealizador e curador do MDBF é Toyo Bagoso.


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