Mobilização excepcional de artistas cubanos pela liberdade de expressão

Mobilização excepcional de artistas cubanos pela liberdade de expressão

Os manifestantes também questionaram o polêmico decreto 349, que obriga os artistas a aderir a uma instituição estatal

Rigoberto Diaz, de AFP

Grupo de jovens intelectuais e artistas diante do ministério da Cultura de Cuba em Havana, em 27 de novembro de 2020

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Trinta jovens artistas cubanos foram recebidos na sexta-feira à noite no ministério da Cultura em Havana, onde pediram mais liberdade de expressão e criação.

Quase 200 jovens organizaram uma manifestação na sexta-feira para pedir "diálogo", uma mobilização excepcional que recebeu o apoio de figuras consagradas do cinema cubano.

O protesto aconteceu depois que a polícia acabou, na quinta-feira, com um protesto de 10 dias do Movimento San Isidro (MSI), alegando risco de contágio epidemiológico.

"Todos os pontos foram extremamente difíceis de negociar", disse a artista plástica Tania Brugueras após o encontro de cinco horas com o vice-ministro Fernando Rojas.

Os 30, que incluíam vários membros do MSI, foram acompanhados pelo cineasta Fernando Pérez e o ator Jorge Perugorría.

"Se algo foi alcançado, 30 pessoas acabaram de falar honestamente sobre o que está acontecendo, que estão nos maltratando, estão nos atacando, estão nos machucando. E eles (o governo) ouviram", disse Michel Matos, do MSI.

O grupo apresentou várias demandas a afirmaram que o mais importante foi "abrir um canal de diálogo", que inclui um encontro com o ministro Alpidio Alonso na próxima semana.

A mobilização foi algo incomum em Cuba, onde poucas manifestações recebem autorização do governo.

"O que aconteceu hoje foi histórico", disse o dramaturgo Yunior García, de 38 anos.

Perugorría, 55 anos, conhecido pelo filme "Morango e Chocolate", afirmou que "é hora de dialogar e que os jovens devem ser ouvidos".

Pérez, um veterano cineasta de 76 anos, disse aos manifestantes: "Estamos aqui para dizer ao ministério da Cultura que os receba e que este será o início de uma nova linguagem".

Na quinta-feira à noite, a polícia entrou na sede do Movimento San Isidro, na área histórica de Havana, e desalojou 14 jovens que organizavam um protesto há 10 dias, seis deles em greve de fome.

As autoridades alegaram perigo de propagação da epidemia de covid-19, porque um dos presentes, o jornalista cubano Carlos Manuel Álvarez, não cumpriu o protocolo de saúde ao desrespeitar a quarentena obrigatória depois de chegar ao país a partir do México, depois de passar pelos Estados Unidos.

Os membros do MSI exigiam a libertação de um integrante do grupo, o rapper Denis Solís, detido em 9 de novembro e condenado a oito meses de prisão por "desacato" à autoridade. O vice-ministro Rojas prometeu aos jovens artistas que vai examinar o caso.

Após a operação, os 14 membros do grupo foram submetidos a testes PCR e retornaram para suas casas, pois a sede do MSI foi fechada pelas autoridades.

Dois deles se recusaram a voltar para casa e foram detidos novamente: Luis Manuel Otero Alcántara, artista plástico de 32 anos, e Anamely Ramos (35), já liberada.

A lista de demandas inclui informações confiáveis sobre o paradeiro de Otero, assim como liberdade de criação e expressão, direito à dissidência e o fim da repressão e do assédio a artistas independentes, afirmaram.

Os manifestantes também questionaram o polêmico decreto 349, que obriga os artistas a aderir a uma instituição estatal.


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