Arte & Agenda

Moda brasileira retorna às raízes no segundo dia de SPFW

Desfile teve coleções da Paula Raia, Osklen e Água de Coco apresentadas nesta terça-feira

Os biquínis da Água de Coco traziam detalhes de rendas feitas por artesãs do Ceará
Os biquínis da Água de Coco traziam detalhes de rendas feitas por artesãs do Ceará Foto : Nelson Almeida / AFP / CP
Depois de uma cena dominada por tecidos tecnológicos e looks esportivos, os desfiles do segundo dia da São Paulo Fashion Week destacaram as inspirações étnicas vindas de tribos indígenas. O cru e o branco dominaram as passarelas nesta terça-feira. A estilista Paula Raia usou esse tom em seus 22 looks, que surgiram embalados por uma trilha sonora com o canto dos pássaros e uma percussão que remetia aos sons da floresta. "Em um exercício de modelagem respeitável, Paula apresentou variações de longos sobre o mesmo tema: o alto artesanato em tecidos crus e neutros. Franjas, rendas, redes de pesca, telas e corais feltrados foram usados nos modelos que eram apresentados por modelos lânguidas, quase sem maquiagem, em uma espécie de ode à natureza, acredita a editora de moda Regina Guerreiro. 

Já ponto de partida da Osklen foi o povo Ashaninka, uma tribo do estado do Acre, de origem peruana. A vibe boêmia, com saias esvoaçantes, brincões, batas e estampas gráficas, tem tudo a ver com o clima da estação. O estilista Oskar Metsavaht mixou simbolismos indígenas na estampa gráfica, com penas gigantes estilizadas, à modelagem fluida e relaxada, característica da marca."Busquei fazer uma síntese. Poucos looks, poucos tecidos e poucas cores", afirma Oskar que montou o desfile em uma galeria de arte na Vila Madalena para poucos convidados. Na coleção, privilegiou apenas três cores (branco, preto e vermelho) e focou em tecidos naturais ou reciclados, além da pele de pirarucu como matéria-prima para bolsas e acessórios.

Os biquínis da Água de Coco traziam detalhes de rendas feitas por artesãs do Ceará."A esperança está pequena, a água está pouca, a gente está em busca de algo autenticamente brasileiro, da essência das coisas e de um jeito mais autêntico de ser", avalia Regina Guerreiro. Foi esse o caminho escolhido por Liana Thomaz, estilista da marca de moda praia Água de Coco, que compôs biquínis e maiôs com detalhes de rendas bilro, rechilieu, labirinto, renascença e filé feitas por artesãs do interior do Ceará, estado natal da grife. "As rendeiras são mulheres velhinhas, de mais de 80 anos, que sentem dores e têm um tempo próprio", disse Liana. Além disso, o dia foi marcado pelo lançamento da parceria entre o Museu Afro Brasil e os organizadores da semana.

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta deste domingo, dia 18 de outubro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio