'Nada para o PapJazz': um festival internacional no Haiti, apesar da pandemia

'Nada para o PapJazz': um festival internacional no Haiti, apesar da pandemia

A 15ª edição do Festival Internacional de Jazz de Porto Príncipe desafia a pandemia do coronavírus e alegra os artistas renomados

Amelie Baron, de AFP

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É um dos poucos lugares do planeta onde ainda se pode assistir um show: a 15ª edição do Festival Internacional de Jazz de Porto Príncipe desafia a pandemia do coronavírus e alegra os artistas renomados.

"Faz três meses que não toco o piano". Essas palavras, as primeiras que Jacky Terrasson pronunciou com um grande sorriso no show inaugural do PapJazz no sábado, revelam a singularidade do momento.

Enquanto vários eventos culturais em todo o mundo devem ser cancelados ou adiados, a baixa prevalência da pandemia de covid-19 no Haiti permite que o país não proiba as reuniões em massa. E os músicos estão muito felizes.

"Ficamos muito contentes de voltar ao palco para tocar e compartilhar", conta Terrasson um dia depois de seu primeiro show.

"Não tocar em público está nos matando"

Acostumadas a viajar por todo o mundo para performar, as estrelas dos vários países que fazem parte do cronograma do PapJazz estão passando mal com essa privação de contato com seus fãs.

"Não tocar em público está nos matando: já não existimos", diz Etienne Mbappé.

Enquanto alguns aprenderam fazer pão, este baixista aproveitou o confinamento em Paris para montar um estúdio de gravação em casa, mas as apresentações na internet não são suficientes para ele.

"Embora a tecnologia nos permita fazer espetáculos ao vivo na sala de casa, nada supera o real. É como dizerem que em vez de comer, de morder sua comida, ela será injetada... Francamente, não é o mesmo", disse o baixista.

Os organizadores do festival estão felizes de ver que as jam sessions, as apresentações musicais improvisadas que acompanham os concertos, terminem na primeira hora da manhã.

"Até agora, nada parou o PapJazz", diz Milena Sandler, diretora da Fundação de Jazz do Haiti, que organiza o festival.

"Nos sentimos realmente privilegiados de poder receber músicos que não puderam trabalhar em um ano em seu país", acrescenta.

Até o último momento, o avanço da epidemia de coronavírus em todo o mundo poderia ter feito com que tudo fosse cancelado.

Algumas horas antes da inauguração do festival, o ministério da Saúde haitiano recomendou, entre outras coisas, proibir as grandes aglomerações... uma precaução que o governo não seguiu.

Reduzir o número de espectadores, desinfetar os microfones e os instrumentos entre cada ato no palco: "Fazemos todo o possível para que o festival não seja motivo de contágio de covid", garante Sandler.


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