O estandarte “Meio Bispo, Meio Nosso” faz parte de uma exposição no Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro. A obra coletiva é assinada por 12 gaúchas, lideradas pela professora de arte Reny Elisabeth Diel Pinto, formada pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, e pós-graduada em História da Arte pela Fundação Armando Álvares Penteado (SP). Nem todas as mulheres se conheciam, mas se aproximaram durante o isolamento da pandemia. Reny reuniu o grupo em aulas de arte que passou a ministrar de forma virtual. Algumas não desenhavam nem pintavam, mas foram envolvidas pela arte nos meses de isolamento. Foram dezenas de encontros pela plataforma Zoom, a partir de 15 de abril de 2020. A cada encontro, estudavam um artista e produziam arte, inspiradas na obra dele. “A pandemia inesperada e desconhecida nos pegou... e o que fazer com o ócio e com o medo, próprio e alheio? Arte, é claro!” diz, Reny.
Um dos artistas estudados foi o sergipano Arthur Bispo do Rosário. Ele tinha esquizofrenia e residiu em várias instituições psiquiátricas. Ficou confinado por mais de 50 anos na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro. Lá, produzia com o que ele encontrava no seu cotidiano, entre outras obras, seus
famosos estandartes. O mesmo aconteceu com o grupo, que conheceu o Bispo em um dos encontros. Elas se encantaram com bordados, costuras, instalações e peças construídas com diversos materiais. E fizeram o próprio estandarte. Com restos de embalagens, lápis, tintas, linhas, retalhos de tecido e papel, colocaram a mão na massa, cada uma na sua casa. “Nós também estávamos isoladas e não podíamos sair para comprar, produzimos arte com o que tínhamos ao nosso alcance”, conta Reny.
Numa viagem ao Rio, ela visitou o museu e apresentou o projeto à equipe de curadoria, que aceitou a doação. O trabalho deste coletivo, contextualizado com a produção do Bispo, desde o dia 23 deste mês faz parte da Exposição “Pequenas Cosmogonias - Como brotar mundos”. O artista morreu em 1989, aos 78 anos. A Colônia Juliano Moreira foi desativada e o espaço transformado no Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea. A mentora gaúcha visitou a exposição no Rio, no início do mês de outubro. Assinam o estandarte as seguintes artistas: Nádia Lopes, Marta Helena Santos, Censita Minuzzi , Maria Regina Scalabrin Müller, Reny Diel, Regina Freitas Silveira, Maria Maristela Thomas , Oscarlinda Krüger, Laura Pereira, Rose Paim, Zica Fortini e Aglaé Freitas.
SERVIÇO
Exposição “Pequenas Cosmogonias - Como brotar mundos”.
Museu Bispo do Rosário - Estrada Rodrigues Caldas, 3400 - Curicica, Rio de Janeiro
Visitação - de terça à sábado - 10h às 17h - até janeiro de 2023
Assinam o estandarte: Nádia Lopes, Marta Helena Santos, Censita Minuzzi , Maria Regina
Scalabrin Müller, Reny Diel, Regina Freitas Silveira, Maria Maristela Thomas , Oscarlinda Krüger,
Laura Pereira, Rose Paim, Zica Fortini e Aglaé Freitas.