Primeira galeria privada leva grandes nomes da arte contemporânea a Cuba

Primeira galeria privada leva grandes nomes da arte contemporânea a Cuba

Espaço "Arte Continua" foi criada por três amigos italianos

AFP

Primeira galeria privada de arte contemporânea leva grandes nomes a Cuba

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Por décadas, os cubanos usaram o slogan revolucionário "La lucha continua" no seu dia a dia. Agora, o mantra do reduto comunista em transformação também estará refletido na primeira galeria internacional de arte contemporânea da ilha, a "Arte Continua". O conceito, com origem na Itália, leva artistas contemporâneos para Cuba e é ramo do projeto "Galleria Continua", que começou quando Mario Cristiani, Lorenzo Fiaschi e Maurizio Rigillo tiveram a ideia de criar um espaço em de celebração da arte na vila medieval de San Gimignano.

Sempre em busca de entornos atípicos, estes três italianos também foram os primeiros a instalar, em 2005, uma galeria de arte contemporânea internacional em Pequim, China. Dois anos depois, inauguraram outra em Les Moulins, um pequeno povoado ao sudeste de Paris. Em 2014, durante uma visita a Cuba, Lorenzo Fiaschi ficou encantado com o Águila de Oro, um cine-teatro em ruínas construído em 1950 no bairro chinês de Havana.

Fruto da colaboração com as autoridades cubanas, o lugar foi transformado em um centro cultural, batizado de "Arte Continua" e não "Galeria Continua", para deixar claro que não se trata de uma galeria como as outras. O espaço abriga exposições de pintura, mas também vários eventos culturais e encontros com personalidades de outras disciplinas como a música, a dança, o teatro, a fotografia e a arquitetura.

"Somos o primeiro lugar de exposições não cubano de Cuba", diz a responsável do "Arte Continua", Luisa Ausenda, ressaltando seu "papel de pioneiro" e seu caráter "não lucrativo". Em virtude de um acordo com o Ministério da Cultura, o "Arte Continua" não vende as obras que expõe. No entanto, o estabelecimento consegue financiar a viagem à ilha de artistas internacionais com seus próprios recursos, mas também, às vezes, com o apoio de patrocinadores privados e de sedes diplomáticas em Havana.

De Buren a Kapoor

O espaço de Havana inclui o trabalho de grandes nomes, incluindo o italiano Michelangelo Pistoletto, o francês Daniel Buren, o artista britânico Anish Kapoor, o indiano Shilpa Gupta e o artista grego-italiano Jannis Kounellis. Em dezembro de 2014, junto com o artista cubano Alexis Leyva (Kcho), Pistoletto convocou em Havana uma centena de pescadores que desenharam com seus barcos um enorme sinal que representa o "Terceiro Paraíso" sobre o mar que separa Cuba dos Estados Unidos. No dia seguinte, Barack Obama e Raúl Castro anunciaram a histórica aproximação entre Washington e Havana.

Em maio de 2015, Pistoletto estremeceu os muros da antiga igreja de São Francisco de Paula da Cidade antiga da capital, construída no século XVIII, quando quebrou com um bastão grandes espelhos diante do público convidado para a sua "performance". Desde a Bienal de Havana de 2015, este pioneiro da chamada "arte povera" (arte pobre) italiana, surgida nos anos 1960 em resposta à hegemonia americana da arte contemporânea, importou para a ilha seu conceito de "Terceiro paraíso", com o qual busca conscientizar sobre os danos que o homem provoca no planeta.

Com seu projeto "Passeio por Havana", o francês Buren deixou uma marca indelével: suas famosas listras brancas e pretas adornam há dois anos muitas portas da antiga cidade e a estação de trens do bairro Casa Blanca, com vista para a Baía de Havana. Outro artista convocado foi o indiano Nikhil Chopra, que deixou os cubanos boquiabertos com a performance que realizou na Plaza de Armas, coração da Havana colonial, durante a última edição da bienal.

Durante 60 horas ininterruptas, este artista permaneceu trancado em uma jaula metálica, pintando tudo que via e estabelecendo "novas relações" com um público cativado. "Temos uma missão dupla: por um lado, queremos trazer para cá projetos e artistas internacionais renomados (...) e, por outro, ajudar no desenvolvimento dos artistas cubanos dentro e fora da ilha", explica Ausenda.

Com a ajuda do "Arte Continua", os artistas locais Reynier Leyva Novo e José Eduardo Yaque puderam expor seus trabalhos na Bienal de Veneza e em outros espaços da "Galeria Continua", enquanto que em Cuba, as obras de Kapoor dão vida ao ruído cinema chinês. Durante o ano todo, o espaço organiza cineclubes, visitas guiadas e oficinas para a comunidade e os estudantes deste antigo bairro.

"É um projeto positivo", opina o diretor do Museu de Belas Artes e da Bienal de Havana, Jorge Fernández. Eles "trazem artistas, mas principalmente eles trabalham com a comunidade, com as crianças. Eles não estão aqui para vender quadros, e isso é o que se deve reforçar", acrescenta.

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