Arte & Agenda

Vaquinha virtual para montar Queermuseu no Rio arrecada mais de R$ 70 mil

Meta da Escola de Artes Visuais do Rio de Janeiro é de chegar ao montante total no fim de março

Queermuseu foi encerrado após protesto contrários ao tema proposto da exposição
Queermuseu foi encerrado após protesto contrários ao tema proposto da exposição Foto : Fredy Vieira / Divulgação / CP
Em menos de 48 horas, a campanha de financiamento coletivo lançada pela Escola de Artes Visuais (EAV), do Parque Lage, no Rio, para montar a exposição "Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira" já arrecadou mais de 10% de sua meta de R$ 690 mil.

No ano passado, a mostra, que tem obras de artistas brasileiros como Candido Portinari, Alberto Guignard, Lygia Clark e Adriana Varejão, foi cancelada no Santander Cultural, em Porto Alegre, e vetada pela prefeitura do Rio no Museu de Arte do Rio (MAR), por ser considerada imoral por movimentos conservadores.

A meta da EAV é chegar ao montante total até o fim de março e inaugurar a mostra em maio. A campanha foi lançada no site Benfeitoria na quarta. Até as 14 horas de sexta, mais de 350 pessoas já haviam apoiado, num total de cerca de R$ 70 mil.

A contribuição mínima é de R$ 20; a máxima, R$ 50 mil. A ajuda dá direito a recompensas como visitas particulares à exposição antes da abertura oficial, catálogos e obras de arte assinadas por nomes como Carla Chaim, Guto Lacaz, Marcos Chaves, Matheus Rocha Pitta, Nino Cais, Paulo Bruscky e Rosângela Rennó.

Os R$ 690 mil serão utilizados para trazer as 263 obras, de 85 artistas, ao Rio, e para montá-las na área das Cavalariças do Parque Lage. O valor também será investido na produção de um ciclo de debates com temas como a censura às artes, que marcou o debate cultural em 2017 na esteira das críticas à Queermuseu - a exposição foi acusada de fazer "apologia à zoofilia e à pedofilia". Para participar da campanha, basta entrar no site Benfeitoria. 

O texto de apresentação da vaquinha no site faz menção ao veto do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), à exposição. Ele agiu pessoalmente para tirar a mostra da pauta do MAR, museu municipal, em outubro do ano passado. Um mês antes, o Santander a havia interrompido em Porto Alegre.

A Queermuseu ficou só um mês em cartaz por lá. Crivella é tachado de "moralista" no site. "Essa campanha é sobre liberdade de escolha, expressão e opinião, direitos tão duramente conquistados e que nos foram cerceados. É sobre democracia", diz a apresentação.

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