Novos hábitos para novos tempos

Novos hábitos para novos tempos

Por Gilberto Jasper*

Correio do Povo

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A polêmica que envolve a principal preocupação dos brasileiros atualmente envolve o preço dos combustíveis. Os maiores prejudicados – os consumidores – diariamente são bombardeados por um festival de números, percentuais, cifras e acusações mútuas. Some-se a isso a enxurrada de fake news que brotam do mundo das redes sociais. Afinal, em quem podemos acreditar?

Ao assistir a retrospectiva da escalada de preços da gasolina e do diesel ao longo da história lembrei o tempo em que os noticiários noturnos da tevê anunciavam os reajustes. Imediatamente os motoristas saíam de casa para formar filas junto aos postos de abastecimento que davam voltas em diversas quadras. Eram horas de espera para ter a falsa sensação de auferir um pequeno “lucro” ou para reduzir o prejuízo.

No Brasil instalou-se a cultura de que diante do menor boato de aumento os preços são remarcados sem explicação ou motivos plausíveis. Trata-se de um comportamento altamente prejudicial, cuja origem é ignorada, mas é de conhecimento de todos. O processo inverso, de redução de preços, raramente é aplicado, optando-se pela desculpa de que “no próximo aumento a gente abate esta diminuição”.

A consequência mais nociva da cultura do aumento sem justificativas concretas é o efeito cascata que se instala em toda cadeia produtiva. O transporte rodoviário ainda é líder entre os modais que movimentam o país. O impacto do aumento dos combustíveis reflete em questão de horas sobre o preço dos alimentos, tendão de Aquiles de um país com redução do PIB, aumento da inflação e ampliação da miséria. 

O esforço dos empresários em manter seu negócio e gerar empregos é notável, mas a ganância de muitos compromete o esforço pela retomada econômica. A radicalização política é um empecilho a mais que agrava as tentativas de recolocar o país nos trilhos. Há muito trabalho a fazer. Somente um grande pacto nacional pode reverter a situação de penúria econômica. Aumentar o preço dos combustíveis, antes mesmo de o produto chegar aos postos, só agrava os problemas que se arrastam há 20 meses.

O “novo normal”, preconizado para a adoção de novos hábitos de higiene e distanciamento social deve ser acompanhado de outros comportamentos, baseados na solidariedade, no respeito e no bem comum.

*Jornalista


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