Pelo nosso vinho e pelo nosso futuro

Pelo nosso vinho e pelo nosso futuro

Por Diogo Siqueira*

Correio do Povo

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Produzir vinho no Brasil não é só difícil, é especialmente caro. O resultado vemos nos números: a cada dez garrafas vendidas no país, apenas uma é brasileira. A desigualdade na venda é proporcional à desigualdade de incentivo para a produção. Enquanto países da América do Sul e da Europa ganham mercado e competitividade a partir de isenções fiscais concedidas pelos seus governos, aqui 60% do valor de uma garrafa vira taxas.

Paga mais quem produz e, por óbvio, paga mais quem consome. Uma injustiça que limita a expansão de uma cadeia produtiva que gera mais de 200 mil empregos. Enquanto vizinhos do Mercosul consideram a bebida como alimento, a legislação nacional, por incrível que pareça, enquadra o nosso produto como maléfico à saúde. Mesmo assim, com todas as dificuldades impostas pelo Estado brasileiro, movimentou-se R$ 30 bilhões no último ano. 

Mais de 80% do vinho nacional é produzido no Rio Grande do Sul. Aqui, estão mais de 680 vinícolas, que movimentam também o enoturismo. A Serra Gaúcha está entre os principais destinos turísticos do país graças à produção de vinhos e espumantes. Em Bento Gonçalves, em menos de uma década, o número de visitantes aumentou 150%.

Uma das missões sociais da política também é não atrapalhar quem produz e faz o Brasil dar certo. A Zona Franca da Uva e do Vinho – proposta pelo deputado federal Carlos Gomes e defendida pela bancada gaúcha – representa exatamente isso, uma visão estadista e de frente para o futuro. A proposta é justa: reivindica a isenção de tributos como Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para vinhos, sucos de uva e espumantes produzidos e comercializados na região. 

O clamor do setor vitivinícola é por justiça. Não se trata de resolver todos os problemas do setor, mas a Zona Franca representa melhores condições de competir com o mercado internacional, aumentando a produção e o escoamento, ampliando empregos e multiplicando a riqueza do Estado e da nação. O clamor do setor é claro: quem produz vinho quer trabalhar.

*Prefeito de Bento Gonçalves


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