Porto Alegre mais inclusiva para os surdos

Porto Alegre mais inclusiva para os surdos

Por José Freitas*

José Freitas

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Porto Alegre não é uma cidade inclusiva para os surdos. Ouso fazer essa afirmação porque vejo de perto a realidade de quem não ouve ou ouve pouco. 
E eu quero te fazer entender a dimensão deste problema. Se você infartar, logicamente irá ao médico, falará sobre os sintomas e poderá ser salvo. 

Caso sua esposa, grávida, passe mal na gestação, relatará o problema com exatidão ao obstetra e o bebê poderá ser salvo. 

Hoje, uma pessoa surda em Porto Alegre não tem essa chance. Homens, mulheres e crianças surdas morrem por não conseguir expressar o que sentem aos médicos. 
Mas, alegro-me em dizer que nossa cidade está começando a acolher cerca de 80 mil pessoas com deficiência auditiva, que não tinham acesso digno aos serviços mais básicos, como uma consulta médica nos postos de saúde. 

Hoje, dia 26 de setembro, celebramos o Dia Nacional do Surdo e felizmente, após muitos anos, temos o que comemorar. Nossa Capital iniciou o chamamento público para a instalação da Central de Intérpretes de Libras para Deficientes Auditivos, Surdos e Cegos em Porto Alegre. 

A iniciativa é resultado da lei 12.743/19, de minha autoria, construída em conjunto com Sociedade dos Surdos do RS e a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos. 

Com razão, esse sempre foi um sonho da comunidade surda e acolhi o pedido em 2016 - veja bem, seis anos atrás. De lá para cá, entre trancos e barrancos, usei as ferramentas existentes no legislativo para viabilizar o serviço para que surdos, de fato, tenham acesso à educação, saúde, assistência social, cultura, turismo, esporte e lazer – nos estabelecimentos públicos do município. 

Uma cidade verdadeiramente inclusiva precisa garantir acessibilidade comunicacional a todos seus moradores. Estamos a um passo disso acontecer e por isso, hoje, temos muito o que comemorar. 

*Vereador de Porto Alegre (Republicanos)


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