Trigo volta a ser uma boa opção para produtores gaúchos

Trigo volta a ser uma boa opção para produtores gaúchos

Por Luis Carlos Heinze*

Correio do Povo

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O trigo chegou no Brasil por meio de Martim Afonso de Souza, em 1534, na Capitania Hereditária de São Vicente, em São Paulo. O clima seco, muito diferente do europeu, não favoreceu a expansão da cultura. Em fevereiro de 1737, a povoação do Rio Grande do Sul, fundada pelo brigadeiro José da Silva Pais, recebeu sementes de trigo vindas de Curitiba por ordem de Gomes Freire de Andrada.

No entanto, somente mais tarde fomos ter uma cadeia consistente em nosso estado. As primeiras medidas oficiais, para uma produção tecnicamente avançada foram tomadas em 1928 com a criação de estações fitossanitárias experimentais. Técnicos brasileiros deram origem a novas variedades, adaptadas ao clima e solo.

Assim, o trigo deu início a uma fase de desenvolvimento econômico na região do Planalto e no sul e noroeste do Paraná. As estruturas de produção agrícola, industrial e comercial, foram profundamente modificadas com a introdução de novas mentalidades de gerenciamento e da predisposição a correr riscos.

O crescimento da área cultivada e produção eram notáveis. Mas na década de 80, com a crise econômica, aumento da inflação e sucessivas trocas de moedas, o plantio diminuiu. Algumas políticas de negociação do trigo foram repensadas. A principal foi a determinação do preço do cereal tendo como base o mercado externo, o que provocou queda no preço. Assim, na década de 90, parte dos agricultores substituíram a gramínea por outras culturas. O trigo argentino invadiu o Brasil.

Agora é tempo de retomada. Os preços elevados no mercado internacional encorajaram os triticultores nacionais. Aliado à valorização do mercado externo, o alto custo do milho no cenário nacional também incentivou o cultivo, por ser um possível substituto para ração animal.

No Senado Federal, apoio o projeto de lei conhecido como BR do Mar. A proposta pretende dar mais competitividade ao setor de cabotagem. Na prática, queremos flexibilizar as regras para a navegação entre portos e ampliar a frota de embarcações, estimulando a concorrência no setor. Com a aprovação da proposta, devemos aumentar ainda mais a concorrência do nosso grão, baixando os custos com transporte. Mais uma vez, infraestrutura e logística se mostram determinantes para o desenvolvimento da nossa produção.

Temos a oportunidade de retomar a valorização do trigo nacional. A colheita gaúcha em 2021 deve alcançar 3,78 milhões de toneladas, um aumento de 67,3% em relação aos 2,26 milhões de toneladas colhidas em 2020. O mercado está de portas abertas ao trigo gaúcho. Vamos acreditar, é tempo de semear, a colheita está logo ali.

*Senador


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