A geopolítica do prejuízo

A geopolítica do prejuízo

Falta de autopeças desestruturaram os fabricantes globais de veículos

Renato Rossi

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Muito antes da guerra imoral e genocida, a capa da edição impressa da revista inglesa The Economist, em maio de 2011, postava a imagem de Taiwan sob a mira de um jato. Uma imagem premonitória sobre os crescentes desafios e perigos da geopolítica. O radar enquadrava Taiwan porque havia a desconfiança exposta na mídia global de que a China invadiria a ilha tecnológica que possui ampla relação com a indústria automotiva. Somente a empresa Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) produz 100% dos chips utilizados pelas montadoras no mundo. Foi a falta deles que paralisou a produção global de veículos. 

A China reivindica Taiwan desde os anos 50. Em maio de 2021 a imprensa global noticiava a invasão do espaço da ilha por aviões chineses. Mas quem chegou antes foi a Rússia. Não em Taiwan, mas na Ucrânia. Com a guerra em andamento, as montadoras enfrentam um novo desafio. Se a Covid-19 e a falta de chips desestruturaram os fabricantes e geraram prejuízos incontáveis, a guerra atinge o setor vital das autopeças, das quais a Ucrânia é um grande produtor mundial, que exporta para mais de 100 países. As montadoras instaladas no Brasil também recebem peças e componentes eletrônicos produzidos por lá.

Devido à guerra, o fechamento das unidades industriais paralisam a produção dos harnesses, os invólucros plásticos que protegem e isolam os 5 mil metros de fios que qualquer veículo possui. Sem eles, o carro não fica na linha de montagem. A Ucrânia possui 17 fabricantes destes produtos. A produção global, ainda sem chips e com “fios à mostra”, parou


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